A disputa pela vaga do Brasil na classe Star nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, reunirá o maior número de medalhas da história. Nesta quinta-feira pela manhã, o velejador Robert Scheidt anunciou que vai tentar a vaga para a próxima Olimpíada na classe Star.
| 'SUPERBARCO' É ARMA SECRETA |
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 O argentino Juan Kouyoumdjian, projetista do barco campeão da regata de volta ao mundo Volvo Ocean Race (ABN Amro 1) e do veleiro mais rápido do mundo (ABN Amro 2), é a arma secreta de Scheidt para tentar a vaga olímpica na Star. Oito vezes campeão mundial e bicampeão olímpico na Laser, ele está desenvolvendo uma nova embarcação em parceria com o argentino e deve usá-la já na próxima temporada.
"A Star envolve muito desenvolvimento de tecnologia. Barcos e velas estão sempre sendo aprimoradas e, no final, o melhor equipamento faz a diferença. Esse novo barco é nosso 'ás na manga', uma arma a mais para brigarmos com os melhores", revelou ao UOL Esporte em setembro. |
CAMPEÃO DA VOLVO PROJETA BARCO |
O anúncio torna, oficialmente, Scheidt, dono de três medalhas olímpicas, e Torben Grael, cinco vezes medalhista, rivais pelo lugar da classe na China.
"Desde Atenas as pessoas me perguntam se vou deixar a Laser. Hoje, é claro que o caminho é a Star. Estou pronto para o desafio de conseguir a vaga brasileira. Já tive outros assim e tive sucesso", afirmou o velejador.
A decisão de Scheidt chega depois de sua primeira temporada totalmente dedicada à classe Star. Em 2006, ele e seu proeiro, Bruno Prada, disputaram 14 campeonatos, a maioria na Europa.
O resultado foi a liderança do ranking mundial da Isaf, a Federação Internacional de Vela. Os brasileiros estão em primeiro lugar na lista, 4243 pontos, quase 100 à frente dos vice-líderes, os norte-americanos George Szabo e Eric Monroe. Atuais campeões mundiais, os neozelandeses Harmish Pepper e Carl Willians são os terceiros, com 3737.
"Eu poderia ficar na Laser por mais alguns anos e continuar ganhando. Mas estou tranqüilo e quero esse novo desafio", disse Scheidt.
Torben e seu proeiro Marcelo Ferreira, atuais campeões olímpicos da classe e apenas a 107ª dupla do mundo, podem ter problemas no confronto com Scheidt e Prada. Caso o Brasil embarque em uma nova campanha na regata de volta ao mundo Volvo Ocean Race, Torben pode ter de desistir da vaga sem o confronto com Scheidt.
"É claro que existe uma rivalidade
[com Torben Grael] e um respeito mútuo. Mas minha decisão de forma alguma tem a ver com o calendário do Torben não ser voltado para a Star", afirmou Scheidt.
Apesar do primeiro lugar do mundo, as vitórias de Scheidt e Prada na Star são raras. Os dois nunca ganharam uma competição internacional na classe Star fora do país. O principal título é o Sul-Americano deste ano, disputado no Rio de Janeiro.
| ADEUS À LASER SERÁ NO PAN |
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 Scheidt quer se despedir da Laser, em que conquistou oito títulos mundiais e três medalhas olímpicas, no Pan do Rio. O plano, porém, só se torna realidade após vencer a seletiva brasileira. Para o paulista, essa disputa será tão difícil quanto conquistar o ouro no Rio 2007.
"O nível da seletiva é muito próximo e pode ser até maior do que o que o vencedor vai encontrar para disputar o ouro do Pan", analisa Scheidt. |
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Fora do país, a dupla conquistou uma série de vice-campeonatos. Eles foram segundo colocados em quatro competições na temporada: Mundial de São Francisco, em outubro; Semana de Kiel, na Alemanha, em junho; Campeonato Europeu, também na Alemanha, em agosto, e Campeonato Norte-Americano, em novembro, nos EUA, além de um terceiro lugar na Holland Regatta, na Holanda.
"Nós somos a dupla que mais evoluiu no ano. Ninguém no mundo foi tão consistente na temporada. Acho que é até melhor ter sido consistente do que ter sido campeão mundial. Sabemos que temos condições, mas não viramos estrelas", explica Scheidt.
O próximo confronto com Torben Grael na classe Star já está marcado: entre 3 e 13 de julho as duas duplas disputam o Mundial de Cascais, em Portugal. A competição, organizada de quatro em quatro anos pela Isaf, vai definir os 11 países classificados para a Star nas Olimpíadas de Pequim-2008, mas as vagas não serão nominais.
O classificado em cada classe pelo Brasil só deve ser definido em 2008, em uma seletiva no Brasil.
Atualizada às 13h00