Os bicampeões olímpicos Torben Grael e Marcelo Ferreira poderiam ser beneficiados por um escalonamento nas seletivas para a formação da equipe olímpica que vai para os Jogos de Pequim. Os dois, porém, não concordam com a mudança.
 Marcelo Ferreira (e), ouro nos últimos Jogos Olímpicos, não quer ver favorecimento |
Com o provável duelo entre Torben Grael, dono de cinco medalhas olímpicas, e Robert Scheidt, oito vezes campeão mundial na Laser, pela vaga brasileira na Star, a realização da seletiva da classe pode ser adiantada. Com isso, o perdedor poderia disputar um lugar nos Jogos velejando em outro barco.
A opção foi confirmada por Lars Grael, novo presidente da FBVM (Federação Brasileira de Vela e Motor), e encontra apoio no COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Entre os velejadores, porém, o assunto é polêmico. "Eu não acho que a seletiva da Star deva ser disputada antes", limita-se a comentar Torben, que está disputando no Rio de Janeiro o Match Race Brasil.
Seu parceiro nas conquistas na classe, Marcelo Ferreira, é mais enfático: "A Semana Pré-Olímpica tradicionalmente é disputada com todas as classes juntas e isso não pode mudar. Se mudar, é palhaçada. A seletiva não pode beneficiar ninguém. Se alguém quer entrar na briga, que entre. Vença o melhor. Quem perder vai para casa e torce para quem ganhou".
Os dois, inclusive, estão comemorando a confirmação de que Scheidt, ao lado de seu proeiro Bruno Prada, anunciaram, finalmente, que a classe para Pequim-2008 é a Star. "Ele só confirmou o que já sabíamos", avisa Torben.
| ENFERRUJADOS, BRASILEIROS SE TORNAM "SPARRING" NA CORRIDA |
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 Spihill comanda o seu barco, que lidera |
O Match Race Brasil, competição barco contra barco, ainda não teve uma vitória brasileira. Com quatro tripulações estrangeiras na briga pelo título na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, os velejadores verde-amarelos estão tendo problemas para fazer frente aos mais experientes.
"Acho que eles (os brasileiros) estão enferrujados. No primeiro dia, mostraram falta de ritmo e hoje isso ainda continua. Nos outros anos, quando chegávamos à etapa do Rio, todos estavam treinados, já tinham passado por outras etapas", crê Torben Grael. |
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"É bom ter o Robert e o Bruno como adversários. O nível da seletiva será muito bom. Não podemos pensar, porém, em fazer 'match race' entre a gente. Se for assim, ganha o Alan Adler. Alguém de fora entra na briga e leva", avisa Marcelo, lembrando de Adler, campeão mundial da classe em 1989.
Após as declarações, Lars Grael manteve a postura da última semana: "Nesse caso, não existe solução que agrade a todos. Certamente alguém vai ficar descontente. Duas coisas vão pesar muito na decisão. O desejo do Brasil de garantir o maior número de medalhas possível e a necessidade de renovação da classe Laser. Por isso, quero contar com uma decisão coletiva de todos os envolvidos. Dentre os interlocutores, quero contar também com a opinião do COB".
Alan Adler, que além de velejador vai assumir a vice-presidência de vela da FBVM, foi mais comedido. "Não podemos falar sobre seletiva. Ainda não assumimos, só em janeiro. Por isso, só posso começar a discutir isso em 2007".
A polêmica da seletiva tem uma curiosidade: os dois principais envolvidos na decisão, Lars Grael e Alan Adler, vão disputar a vaga da classe Star. Alan, ao lado de Ricardo Ermel, é considerado a terceira força da classe no país. Lars, com Marcelo Jordão, está em um terceiro grupo, que tem ainda Gastão Brun, campeão mundial de Soling, e Peter Ficker, medalhista olímpico.
* O repórter viajou a convite da organização do evento
Atualizada às 17h34