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O brasileiro Émerson Iser Bem comemora a surpreendente vitória na São Silvestre de 1997; ele precisou superar os favoritos e o forte calor de São Paulo para conquistar a vitória
Calor e surpresa

A prova de 1997 foi marcada pelo calor e pela surpresa. O calor do verão paulista, de 32 graus centígrados, derrubou não só sete pessoas que participaram da São Silvestre como também o tempo dos atletas de ponta.

O tempo do brasileiro Émerson Iser Bem (44min40s), vencedor da prova, foi o pior desde que a prova ganhou, em 1991, seu formato atual, de 15 km.
A marca do paranaense foi um minuto e 28 segundos acima do recorde da São Silvestre, registrado pelo queniano Paul Tergat na edição de 1995.

Iser Bem, aliás, foi a surpresa. Ex-entregador de leite, com 24 anos quando venceu, corria atrás de bezerros no sítio onde morava. No ano anterior, 1996, abandonara a SS depois de 5 km. Em sua primeira participação, terminara em 50º lugar. Até para ele, confessou, o título foi uma surpresa.

O campeão nasceu em Santo Antônio do Sudoeste, na fronteira do Estado do Paraná com a Argentina, e começou a correr quando trabalhava para o avô, produtor de leite. Trabalhou também na lavoura de milho desse mesmo avô.

Famoso com a vitória, Iser Bem chegou a ser ignorado minutos antes do início da prova. Chegou ao vão livre do Masp, onde os corredores de elite se concentram, 30 minutos antes da largada. Naquele exato momento, o corredor queniano Paul Tergat, bicampeão da São Silvestre, com quem o brasileiro travaria o maior duelo da prova, já havia dado entrevistas para emissoras de rádio e TVs, posado para fotos junto a outros corredores e iniciado seu aquecimento.

Na hora do "vamos ver", Iser Bem ultrapassou Tergat, grande favorito, no final da prova, para delírio das pessoas que acompanhavam a prova nas calçadas.

O corredor "se vingou" comemorando a vitória e o Reveillon no apartamento onde morava, no Jardim Elite, bairro classe média de Piracicaba, interior de São Paulo. No dia 1º, já às 6h, estava treinando, fazendo uma corrida leve, de 3.000 metros. Iser Bem não foi à festa armada ao vencedor

Na prova feminina a vitória ficou com a equatoriana Martha Tenório, que conquistou o bicampeonato da São Silvestre dez anos depois de ter vencido a prova pela primeira vez, em 1987.
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