Brasileiro cria CTs no Quênia para manter tradição de bicho-papão das corridas de rua

Bruno Doro
Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação/Fila

    Moacir Marconi, o Coquinho, com um de seus atletas quenianos: trabalho desde 1996

    Moacir Marconi, o Coquinho, com um de seus atletas quenianos: trabalho desde 1996

Brasileiro, Moacir Marconi vibra sempre que um queniano vence uma corrida de rua no país. E não é por falta de patriotismo. Coquinho, como é chamado, é um ex-atleta que virou empresário e hoje sua principal área de atuação é cuidar da carreira de corredores quenianos. O sucesso na carreira é tão grande que ele já comprou dois terrenos no Quênia para montar CTs.

"Algumas pessoas olham esse trabalho que eu faço com preconceito. Afinal, o nível dos quenianos é alto e, quando eles entram em uma prova, correm para ganhar. Acham que estou tirando a vitória de um brasileiro. Mas sei que muita gente vê isso de outra maneira, olha para os africanos como rivais que estão competindo para melhorar o nível do atletismo brasileiro. E tenho certeza que é exatamente isso que estão fazendo", diz Coquinho.

IDIOMA É DIFICULDADE: INGLÊS DE QUENIANOS É QUASE INCOMPREENSÍVEL

  • Sergio Shibya/ZDL

    Os quenianos que vem ao Brasil não tem muitos problemas para se adaptar. A cidade de Nova Santa Bárbara, no Paraná, tem um clima ameno, parecido com sua terra natal, um país montanhoso, cheio de planícies de altitude considerável. O grande problema é a língua.

    O inglês é o idioma oficial do país, mas os atletas só se comunicam por línguas africanas, como o swahili, ou o kikuyu. Quanto o desafio é falar inglês, as respostas são dadas em frases que só quem os conhece entende. "No começo é difícil, mas a gente se entende. Hoje, não tenho problemas. Mas, também, meu inglês não é nenhuma maravilha", brinca Coquinho, que costuma ser o intérprete dos atletas durante as entrevistas.

     

COQUINHO JÁ TEVE CASAL CAMPEÃO

  • Sergio Shibya/ZDL

    Eunice Jepkirui Kirwa é tricampeã da Meia-Maratona do Rio de Janeiro. E tem uma história diferente: em um de seus títulos, em 2010, venceu ao lado de seu marido, Joshua Kiprugut Kemei. Eunice ainda trabalha com Coquinho, cuidando de um dos imóveis do empresário no Quênia.

O intercâmbio com os corredores africanos começou em 1996, quando sua carreira de corredor estava terminando. Morando na Itália, ele conheceu um empresário de maratonistas africanos. Fez o meio-campo para trazer um atleta para o Brasil. A coisa deu certo e, em 2002, ele montou um centro de treinamentos em Nova Santa Bárbara, no Paraná.

 

A casa recebe quenianos para períodos de treinamentos. Eles ficam por lá entre três e quatro meses. No período, disputam – e vencem a maioria – provas pelo país. Para aumentar o intercâmbio com os quenianos, Coquinho já comprou dois terrenos em Iten, cidade de 4000 habitantes no interior do Quênia. Ele já tinha casas no local, para abrigar seus atletas. "O objetivo é criar a mesma estrutura para treinamento que temos no Paraná", explica.

Com o CT na África, Coquinho pretende aumentar o número de atletas com que trabalha. Atualmente, é ligado a cerca de 40 atletas. "No Quênia, todo mundo é corredor. E vir para o Brasil é um bom negócio, já que paga bem para os corredores. Acredito que isso é bom para eles, que ganham dinheiro, e para os brasileiros, que ganham concorrência de alto nível".

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