
| 11h14 - 14/07/2002 |
Brasileiros vencem a Maratona Internacional de São Paulo |
Da Redação Em São Paulo
O brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima venceu a Maratona Internacional de São Paulo, neste domingo, com o tempo de 2h11min19, novo recorde da prova. A vitória quebrou a hegemonia dos atletas quenianos, que nos últimos três anos venceram a prova.
Lima assumiu a liderança da prova em sua metade e manteve uma média de 20km/h até o fim, abrindo uma vantagem de quase 1km para o segundo colocado, Elijah Korir, do Quênia.
O terceiro lugar ficou com o também brasileiro Diamantino Silveira. O quarto com o queniano Joseph Kamau. José Teles Souza, outro brasileiro, ficou com o quinto lugar.
A prova feminina também foi vencida pelo Brasil. O primeiro lugar ficou com Maria Zeferina Baldaia, com o tempo de 2h36min07, novo recorde feminino da prova.
O segundo lugar ficou com a também brasileira Márcia Narlock. Erika de la Fuente, do Chile, foi a terceira colocada.
A temperatura baixa, o sol e o ar livre de poluição ajudaram os cerca de 8.400 corredores inscritos na prova de difícil percurso e de 42.195 metros. Vanderlei, que disputou a sua primeira maratona no Brasil, surpreendeu a todos ao completar a corrida em 2h11min19.
Com o resultado, o atleta quebrou em 3min11 o recorde da prova (2h14min30), que pertencia desde o ano passado ao queniano Stephen Rugut. Ele estabeleceu ainda a melhor marca já alcançada no Brasil. A anterior era do queniano William Mizuichi, com 2h12min39, obtida em Blumenau, em 1999.
"Meu objetivo era completar a prova em torno das 2h12 e estou muito feliz por ter conseguido superar até a minha expectativa", comentou emocionado o corredor, logo após ter cruzado a linha de chegada com a bandeira do Brasil nas mãos e de ter beijado o chão do Parque do Ibirapuera. "Tive um ano muito difícil, cheio de contusões, mas esta alegria agora compensa todas as dificuldades."
Para conseguir o brilhante resultado, Vanderlei manteve um ritmo forte da largada no Pacaembu até a chegada, sem se importar com os adversários. Só isso, segundo ele, justifica a vantagem de mais de 4 minutos sobre o queniano Elijah Korir, segundo colocado com 2h15min26.
"Por causa das lesões, tive de encurtar o período de treinamento para nove semanas e tirar maior qualidade da preparação", lembrou o atleta de 33 anos, que tem 2h08min31 como recorde pessoal na maratona (em Tóquio, em 1998). "Esta foi uma espécie de revanche da São Silvestre. Afinal, sempre disputo a prova e não consigo vencê-la. Agora, ganhei a Maratona de São Paulo, outra corrida muito difícil."
Campeão pan-americano em Winnipeg, em 1999, Vanderlei, que quebrou uma hegemonia queniana de três anos na prova (o brasileiro Diamantino dos Santos venceu em 1998 e depois disso o domínio foi dos atletas do Quênia), diz que sua prioridade a partir de agora é o Pan-Americano da República Dominicana, em 2003, quando pretende defender o seu título. Antes, porém, vai correr uma maratona em outubro (Chicago ou Amsterdã) e buscar a tão sonhada vitória na São Silvestre.
Vanderlei, que teve o apoio de Daniel Lopes Ferreira, que ditou o seu ritmo até o quilômetro 25, agradeceu também a ajuda de seus patrocinadores, que confiaram em sua recuperação, depois das lesões que o tiraram do Mundial do Canadá no ano passado e da Maratona BR de Revezamento, este ano.
Já o queniano Elijah Korir diz ter sentido as dificuldades do percurso, com muitas subidas e descidas, além de túneis. "É uma prova, sem dúvida, bastante desgastante. Tive problemas na sola de pé no final. É um grande desafio, que espero superar no ano que vem."
O veterano Diamantino dos Santos, de 41 anos, terminou em terceiro lugar na classificação geral e em primeiro na sua categoria. Representante brasileiro em três olimpíadas, o atleta gaúcho fez questão de lembrar o apoio que recebe da cidade de Araraquara.
"É muito difícil manter a motivação para continuar correndo depois dos 40 anos. Só consigo porque tenho esse apoio." O pódio da competição masculina foi completado com o queniano Joseph Kamau, quarto colocado, seguido do brasileiro José Teles de Souza.
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