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  05/11/2003 - 19h44
Em crise, salto com vara vê "geração perdida" pós saída de Sergei Bubka

Da Redação
Em São Paulo

Dezenove centímetros. Esta é a distância que separa o recorde mundial do salto com vara (6,14 m), conquistado pelo ucraniano Sergei Bubka em 1994, da melhor marca obtida na temporada (5,95 m), pelo francês Romain Mesnil, em agosto. Se a diferença pode parecer pequena na altura (é menor do que uma régua escolar), ela é gigantesca em termos de nível técnico.

Desde que Bubka se aposentou, depois dos Jogos Olímpicos de Sydney-2000, o salto com vara masculino viu performances cada vez piores. Nas últimas quatro temporadas (incluindo a de 2003), apenas dois atletas conseguiram ultrapassar a barreira dos seis metros, sendo que a marca não é obtida há dois anos. Em 1997, foram sete competidores que superaram o sarrafo acima desta altura.

Uma das justificativas utilizadas por atletas ou técnicos é a mudança em algumas regras do salto com vara, como a diminuição do tamanho da vara e a mudança do formato da base de sustentação do sarrafo. Entretanto, as mudanças só foram colocadas em prática no começo do ano e a queda de rendimento dos atletas acontece desde 2000.

AFP 
Sergei Bubka derruba o sarrafo e se despede da Olimpíada de Sydney-2000; começava aí o declínio do salto com vara
Assim, uma das explicações deste fenômeno é que a safra de saltadores é mesmo muito ruim. Em 2003, apenas 35 atletas superaram a marca de 5,80 m. Em 1998, o número de competidores que conseguiu saltar mais do que isso foi muito maior: 96.

A aposentadoria de muitos atletas de elite (caso de Bubka e do russo Maksim Tarasov) e a queda de rendimento de alguns outros (como Jeff Hartwig, Jean Galfione e Tim Lobinger), fizeram com que a nova geração não tivesse parâmetros nas competições. Assim, o nível técnico das competições caiu, uma vez que para ganhar os torneios não precisa mais conquistar grandes marcas.

Entra-se então num ciclo vicioso: os novos atletas não conseguem se desenvolver plenamente porque não competem contra grandes estrelas, e as grandes estrelas estão cada vez mais apagadas porque enfrentam jovens de nível técnico muito baixo. Por isso, a média de idade da "elite" do esporte está aumentando. Os 25 melhores atletas da atualidade têm, em média, 27 anos. Em 1998, a média era de 25 anos.

Para piorar o quadro, os dois maiores celeiros de saltadores, a Rússia e os Estados Unidos, passam por uma crise. Depois de 15 anos seguidos revelando talentos, os russos começam a viver o problema da falta de renovação, graças principalmente à diminuição do investimento do esporte com os problemas financeiros vividos pelo país a partir da década de 90.

Já nos Estados Unidos a situação é outra: falta de talento. Os métodos de revelar atletas continuam os mesmos (tradição, know-how, equipamentos e investimento em universitários), mas os resultados simplesmente não estão aparecendo.

Assim, a expectativa é que o quadro permaneça inalterado pelo menos nos próximos dois anos. Mas se a competição masculina do salto com vara entrou em decadência, a boa notícia é que a feminina pegou fogo. O recorde mundial foi quebrado várias vezes nos últimos anos. A atual marca, de 4,82 m, foi conseguida pela russa Yelena Isinbayeva há quatro meses.

A diferença entre a marca de Isinbayeva e a de Mesnil ainda é muito grande. Mas o nível técnico da disputa hoje é muito maior entre as mulheres do que entre os homens. Se pudesse ser medido em altura, seria maior do que os 14 centímetros que separam a melhor marca do ano do recorde mundial de Bubka.


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