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31/12/2003 - 17h52
Marílson dos Santos conduz Brasil à vitória na São Silvestre pela 1ª vez em seis anos
Da Redação Em São Paulo
O atleta brasileiro Marílson Gomes dos Santos, vice-campeão dos 10.000 m rasos e bronze nos 5.000 m no Pan-Americano de Santo Domingo-2003, venceu nesta quarta-feira a corrida de São Silvestre. Um corredor do Brasil não vencia a prova desde 1997, quando Émerson Iser Bem realizou o feito. De lá para cá, apenas atletas africanos haviam ganhado.
 | | | Marílson levanta bandeira do Brasil ao vencer a São Silvestre, em São Paulo | Marílson venceu com o tempo de 43s48. Rômulo Wagner conquistou o segundo lugar, levando o Brasil a obter uma dobradinha no pódio. Ele fechou a prova em 43s57. Do terceiro ao quinto lugares, apenas quenianos: Martin Lel, Robert Cheruiyot e Yusuf Songoka.
"Sabia que era possível ganhar dos quenianos. São extraordinários corredores e ainda tínhamos que prestar atenção ao jogo de equipe. Mas tive confiança em minha preparação física e, graças a Deus, deu tudo certo", disse Marílson, com lágrimas nos olhos.
 | | | Pódio da São Silvestre, comandado pelos brasileiros Marílson e Rômulo | "Procurei definir na Brigadeiro, mesmo. Foi onde eu perdi no ano passado, sabia que lá iria ser a decisão", disse Marílson. "Meu segredo foi ter muita garra, muita determinação. Sempre lutei para vencer essa prova, consegui dois quartos lugares e um segundo e pensei: uma vez vai ter de ser a minha vez. Quando abri vantagem na Brigadeiro, pensei: 'é agora'".
Rômulo também não escondia a felicidade pelo segundo lugar. "Me preparei na Colômbia, vi desde o começo que poderia chegar em boas condições. E taí: é uma resposta aos que me criticaram no ano passado, quando tive de abandonar".
Marílson, um dos mais prestigiados velocistas brasileiros, conseguiu se desgarrar da perseguição dos quenianos a partir da subida da avenida Brigadeiro Luís Antônio, considerado o ponto mais difícil da prova.
Até então, o brasileiro vinha em um pelotão formado por quenianos, que dividiu a liderança pelos 12 quilômetros iniciais.
 | | | Marílson posa para foto com a bandeira do Brasil após ganhar a prata nos 10.000 m no Pan-Americano de Santo Domingo | Aos 26 anos, casado com a também atleta Juliana Azevedo, medalha de bronze no Campeonato Mundial Juvenil e treinado pelo bicampeão pan-americano Adauto Domingues, o atleta da equipe Pão de Açúcar/BM&F contou ter feito uma boa preparação na altitude de Campos do Jordão, cidade serrana de São Paulo e que por isso estava confiante. "Estava melhor preparado do que em 2002 e resolvi arriscar. A estratégia foi ficar sempre no pelotão da frente e buscar a vitória na Brigadeiro", revelou o atleta, que além dos R$ 17 mil ganhos pela vitória irá receber outros R$ 17 mil como bônus do Pão de Açúcar e mais R$ 10 mil da Mizuno, fornecedora de material esportivo de sua equipe. A BM&F ficou de fazer uma homenagem especial para o atleta em janeiro, quando definirá um bônus.
O próximo objetivo do campeão é tentar garantir uma vaga na equipe brasileira que irá aos Jogos Olímpicos de Atenas, em agosto. Ele está treinando para buscar o índice na maratona, prova que nunca disputou. A estréia deve ser em fevereiro ou março. "Acho que tenho condições de correr a prova em 2h08, tempo suficiente para me dar uma vaga na Olimpíada", comentou o fundista, que ainda não havia assimilado a vitória na entrevista coletiva. "Acho que o meu novo treinamento me ajudou muito agora na São Silvestre."
Martin Lel e Robert Cheruiyot acabaram confirmando a desconfiança do brasileiro. "Tinha certeza de que a vitória seria queniana", comentou Martin Lel, que apontava Cheruiyot como favorito. "Os brasileiros surpreenderam porque adotaram uma estratégia vencedora", emendou Cheruiyot, que jogava o favoritismo para Martin Lel. "Na subida da Brigadeiro, os brasileiros forçaram o ritmo e não conseguimos acompanhar."
Clique aqui para saber quem foram todos os campeões da história da São Silvestre e aqui para ver o percurso da prova e suas peculiaridades.
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