Colecionando vitórias em 2006, a brasileira Fabiana Murer é o novo nome do atletismo brasileiro. O grande diferencial da recordista sul-americana no salto com vara é a assistência do russo Vitaly Petrov, técnico da supercampeã Yelena Isinbayeva, e os conselhos da melhor do mundo.
AFP
Fabiana Murer (esq) observa de perto os passos da campeã russa Isinbayeva (dir)
A brasileira foi campeã do Super GP de Mônaco e levou medalha de prata na Liga de Ouro em Bruxelas. Em sua última competição, a Copa do Mundo de seleções continentais, Fabiana saltou 4,66 m e só ficou atrás de Isinbayeva, recordista mundial (marca de 5,01 m) da modalidade.
E é justamente a técnica da supercampeã russa que também é responsável pelo êxito internacional da brasileira.
Em 2001, o técnico Elson Miranda teve a grande idéia de entrar em contato com Petrov, que vive na Itália. O russo aceitou o convite de vir ao Brasil e deu início a uma revolução na modalidade.
"Ele (Petrov) ficou abismado. Chegou aqui e disse "está tudo errado". Ele me fez mudar tudo, desde o jeito de pegar na vara até a corrida. Foi como começar do zero", lembrou Fabiana.
Na época, a brasileira saltava 3,91 m e a readaptação não foi fácil. No ano seguinte, Fabiana baixou a marca para 3,70 m, para desespero de seu técnico. "Eu ligava pra ele e dizia: 'Vitaly, eu fiz tudo o que você falou e nada, ela não salta!'", contou Miranda. Até que em 2003, Fabiana saltou 4,06 m, o recorde brasileiro.
Da primeira visita, se seguiram viagens à Itália para clínicas com Petrov e Isinbayeva. "Descobri que a Yelena é uma pessoa normal, que também tem medos, é insegura. E ela não é perfeita todos os dias, tem seus dias ruins", brincou Fabiana.
| O PREÇO DO SALTO |
 Para o técnico Elson Miranda, antes da bagagem russa, o patrocínio para a atleta é a condição inicial para a sobrevida no esporte.
"O salto com vara é uma modalidade cara, cada vada custa entre US$ 450 e US$ 500, e um atleta usa cerca de 6 em cada competição", afirma Miranda.
Hoje, Fabiana Murer tem um patrocínio só para varas, mas muitos dependem do material disponível no Ibirapuera.
"Já usei todas as que tem lá. Com o tempo, elas envergam, e conforme você vai evoluindo, você aumenta o tamanho da vara que utiliza", explica a atleta. |
"Ela se tornou uma pupila do Vitaly (Petrov). Eles vêem a dedicação da Fabiana e acho que se sensibilizam. Sabem que ela vem do Brasil, que é um país sem tradição em salto com vara e que, se o potencial dela for explorado direito, pode crescer muito mais", afirmou Miranda.
Fabiana reconhece que o contato foi essencial para sua evolução e que ainda falta muito para ameaçar a soberania russa. A ascensão no ranking da IAAF não é garantia de vitória, já que muitas saltadoras já atingiram as marcas da brasileira. Todas as marcas de Isinbayeva no ano, por exemplo, são acima dos 4,66 m melhores da brasileira.
"Estou melhorando, mas não tem nem como me comparar a Isinbayeva. Não tem como. Estou aprendendo a fazer o que ela faz há tempos. Ela está lá na frente", diz Fabiana. "Quem sabe um dia a gente dispute um recorde olímpico."
Favoritismo no PanA recordista sul-americana também já se anima para os Jogos Pan-Americanos. Fabiana, que disputou o Pan pela primeira vez em Winnipeg e terminou em 8º, não participou de Santo Domingo e terá, em casa, a chance de mais uma medalha.
"Em 2003 a marca estipulada era muito alta e não consegui ir, então agora tenho a chance de mostrar o que posso fazer", afirma.
Grande candidata ao ouro, Fabiana contém o favoritismo. "Tem uma americana que salta a mesma coisa e será uma disputa boa. Mas tenho a vantagem de competir em casa", afirma Fabiana.