Nem a chuva atrapalhou o favoritismo de Franck Caldeira na corrida de São Silvestre. O mineiro de 23 anos, com extrema tranqüilidade, conquistou neste domingo o título da prova com o tempo de 44min06. Assim, pela primeira vez na história, o Brasil se tornou campeão tanto no masculino quanto no feminino, uma vez que no começo da tarde Lucélia Peres
ganhou entre as mulheres.
Apontado como o principal nome na corrida, Caldeira assumiu a liderança da prova no início do Minhocão, no quinto quilômetro da corrida. Ele foi marcado de perto pelo também brasileiro Ubiratan José dos Santos nos dois quilômetros seguintes. A partir daí, disparou.
A briga então ficou pela segunda colocação. A medalha de prata ficou com o também brasileiro Clodoaldo Gomes da Silva, que conseguiu uma arrancada na Av. Brigadeiro Luis Antônio. Em terceiro outro atleta do país, Paulo Alves dos Santos. Completaram o pódio o colombiano Javier Guarin, em quarto, e o angolano João Ntyamba, em quinto.
Desde que a prova admitiu a presença de atletas estrangeiros, em 1945, Caldeira se tornou o sétimo brasileiro a ganhar a corrida. Antes dele já haviam vencido Sebastião Monteiro (1945 e 1946), José João da Silva (1980 e 1985), João da Mata (1983), Ronaldo da Costa (1994), Émerson Iser Bem (1997) e Marilson Gomes dos Santos (2003 e 2005).
Com a ausência de Marilson e de Vanderlei Cordeiro de Lima, os dois principais maratonistas do Brasil, e dos quenianos Robert Cheruyiot e Paul Tergat, atletas estrangeiros com maior sucesso nos últimos anos da prova, Caldeira largou com um amplo favoritismo.
A temperatura amena, de cerca de 21ºC, ajudou ainda mais o brasileiro, que manteve o ritmo durante toda a prova, apesar da chuva, que não deu trégua em nenhum momento.
"Eu sempre valorizo os atletas brasileiros. Na falta do Marilson e do Vanderlei eu tinha que carregar o Brasil nas costas. E consegui", comemorou Caldeira em entrevista à
Rede Globo.
A vitória fecha uma temporada perfeita para Caldeira. Em 2006 ele também ganhou a Meia-Maratona do Rio e a Volta da Pampulha. Assim, ele acaba a temporada em terceiro lugar no ranking brasileiro da maratona (atrás de Marilson e Vanderlei) e em segundo nos 10 mil metros (novamente atrás de Marilson).
O título apaga também a decepção do ano passado. Caldeira estava no pelotão da frente quando tropeçou em um queniano que havia agachado para amarrar o tênis.