A situação de Rashid Ramzi se complicou ainda mais nesta quarta-feira. Campeão olímpico dos 1.500m em Pequim, o barenita havia sido flagrado no exame antidoping por uso de substâncias ilícitas, conforme anunciado no fim de abril. Agora, segundo uma autoridade olímpica informou à agência de notícias
Associated Press, as análises da segunda amostra de sangue do corredor também deram positivo.
Segundo a fonte, que pediu anonimato, os exames apontaram traços de CERA, (sigla em inglês para Ativador Contínuo do Receptor de Eritropoietina). Considerada como uma evolução da EPO (eritropoietina), a substância provoca efeitos semelhantes: estimular a produção de glóbulos vermelhos, o que facilita a oxigenação sanguínea.
Além de Ramzi, outros quatro atletas também foram pegos nos novos testes antidoping, todos pelo uso de CERA: os ciclistas Davide Rebellin (Itália, medalha de prata em Pequim-08) e Stefan Schumacher (Alemanha), a corredora dos 800m rasos Vanja Perisic (Croácia) e Athanasia Tsoumeleka (Grécia, marcha atlética). Assim como Ramzi, eles também haviam sido flagrados nos primeiros exames.
Com os resultados das novas amostras, o Comitê Olímpico Internacional (COI) tem o caminho livre para abrir processos disciplinares contra os cinco atletas. Todos eles correm o risco de ter suas marcas e medalhas anuladas. Além disso, eles seriam banidos da disputa dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. As audições disciplinares devem começar no fim deste mês. A próxima reunião do comitê executivo do COI será em Berlim nos dias 13 e 14 de agosto.
Ramzi, que completará 29 anos no próximo dia 17, nasceu no Marrocos, mas ganhou a cidadania barenita em 2002. Ele se tornou o primeiro medalhista de ouro do país do Oriente Médio na história das Olimpíadas. Em Pequim, o corredor completou os 1.500 metros em 3min32s94.
Caso Ramzi seja mesmo punido, o queniano Asbel Kipruto Kiprop ficará com o ouro, Nicolas Willis, da Nova Zelândia, com a prata e Mehdi Baala, da França, com o bronze. No caso de Rebellin, o suíço Fabian Cancellera seria o segundo colocado e o russo Alexander Kolobnev herdaria a terceira posição.
Um sexto atleta também faria parte deste grupo, mas seu exame da segunda amostra deu negativo. No mês passado, a levantadora de peso Yudelquis Contreras, da República Dominicana, livrou-se das suspeitas.
Após os Jogos de Pequim, o COI decidiu analisar novamente 948 amostras depois que novos testes laboratoriais para CERA e insulina foram colocados à disposição. A agência antidopagem francesa foi a primeira a criar exames para detectar o uso de CERA. Quatro ciclistas foram flagrados pelo uso da substância mais de dois meses depois do fim da Volta da França em 2008.