UOL Esporte Aventura
 
24/04/2008 - 08h17

Após aventura de padre, confederação de balonismo teme 'mancha'

Roberta Nomura
Em São Paulo
Sem regras e com medidas de segurança improvisadas, a prática de voar com balões de festa não tem qualquer relação com o esporte. Mas o desaparecimento do padre Adelir de Carli, que tentava quebrar o recorde mundial de permanência no ar, pode trazer prejuízos à imagem do balonismo. É o que acredita o vice-presidente da Confederação Brasileira de Balonismo, Leonel Brites.

OPINIÕES DIFERENTES SOBRE VÔO LIVRE VIRAR PRÁTICA ESPORTIVA
Gazeta do Povo/AE
Foto divulgada pela PM de Santa Catarina mostra momento, nesta terça-feira, em que foram encontrados alguns dos balões que teriam sido usados pelo padre Adelir De Carli, desaparecido desde domingo
Presidente da Associação Brasileira de Vôo Livre, Luiz Carlos Laghi Filho acredita que o vôo com balões de festa, experiência realizada pelo padre Adelir de Carli no último domingo, pode virar uma prática esportiva. "Agora, vai ter um monte de maluco querendo fazer. As pessoas vão inventando, inovando e é capaz de virar esporte", disse.

A opinião não é compartilhada pelo presidente da Confederação Brasileira de Balonismo, Leonel Brites. "Isso é uma aventura, não tem condições de ser esporte. Não acredito por ser algo muito irregular", opinou.

Divididos na questão do esporte, os dirigentes concordam que a aventura do padre pode atrair novos praticantes, embora envolva muitos riscos. "A nossa preocupação hoje é que no rastro de toda a publicidade, novos indivíduos queiram tentar. É de fácil acesso e, mesmo com o resultado negativo, o risco atrai", finaliza Brites.
PADRE NÃO CONCLUIU CURSO DE VÔO
Com destino a Ponta Grossa (113 km de Curitiba), De Carli desapareceu no último domingo ao tentar ficar 20 horas no ar, suspenso por balões cheios de gás hélio. Para quebrar o recorde de 19 horas de dois norte-americanos, o padre partiu de Paranaguá (PR), a cerca de 90 km de São Francisco do Sul, mas seu percurso foi desviado para o mar, em decorrência do mau tempo. As buscas continuam.

"Este tipo de divulgação fica associada ao esporte. Muitos podem achar que o padre era balonista, o que não é verdade. Todos os pilotos do balonismo passaram por exames teóricos e práticos e possuem licença da aeronáutica para voar", esclarece Brites, que também é o delegado brasileiro na FAI (Federação Internacional de Aerodesporto).

Em defesa de sua modalidade, o vice-presidente da confederação conta que pratica o esporte desde 1971 e nunca teve qualquer problema. "Vamos realizar a 21ª edição do Campeonato Brasileiro e nunca teve nenhum acidente. Mas isso porque respeitamos as condições climáticas e realizamos as coisas sempre com muita tranqüilidade."

A competição nacional de balonismo será realizada entre os dias 19 e 29 de junho, com a participação de 38 pilotos, todos com licença para voar. Entre os inscritos estarão os dez primeiros atletas do ranking japonês. Segundo Brites, existem três categorias no balonismo: ar quente, gás hélio e hidrogênio, mas no Brasil a prática se restringe ao ar quente.

O fato de não possuir regras e não ter federações que regulamentem a prática afastam a idéia de voar com balões de festa de qualquer esporte aéreo. "Não tem nada a ver com modalidade nenhuma. Isso é coisa de maluco. No esporte, há determinações de tipo de material, planejamento, medidas de segurança", afirma o presidente da Associação Brasileira de Vôo Livre, Luiz Carlos Laghi Filho.

Algumas características do vôo livre afastam a comparação da aventura com balões de festa com o esporte. "Tanto na asa delta como no parapente, as pessoas utilizam as pernas para decolar e as correntes de ar para se manter em elevação. O balão decola do chão, mas o que mantém ele no ar é o gás. Não tem nada a ver com vôo livre", assegura Laghi Filho.

"Cada esporte tem seus equipamentos adequados. Fazer um vôo com bexigas de látex é imprudência. O fabricante dos balões faz o material para a festa, sem imaginar que uma pessoa vai voar, não tem o compromisso de fazer algo resistente para o vôo", completa Brites.

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