
Sem cortar a barba há 20 anos, Sekla é o líder da torcida lituana que, apesar de pequena, é bastante barulhenta. Tambores, batuques e devoção marcam a presença do grupo nos ginásios do Mundial da Turquia.
Não são mais do que 100 torcedores e cinco grandes tambores, mas é o suficiente para fazer muito barulho. Vestidos de camisas verdes, entoam uma série de batuques ritmados. Um deles deixa evidente para quem é a torcida. Três batidas pesadas, “Lie-tu-va”, ou “Lituânia”, em lituano.
Desde 2003, os jogadores da seleção do esporte mais amado da Lituânia acostumaram-se a jogar com uma trilha sonora particular. Os compassos ritmados e pesados, que lembram rock pesado, estão lá durante todo o jogo. Desde que Sekla, 38, irritou-se com uma derrota no Campeonato Europeu de 2001 e decidiu que, dali em diante, estaria no ginásio em todas as partidas da Lituânia.
“Reuni alguns amigos e resolvemos que precisávamos fazer alguma coisa para ajudar o time. Para nós, basquete é como futebol para os brasileiros”, diz Sekla em conversa com o UOL Esporte.
Os jogadores da seleção conhecem seu torcedor mais famoso. “Eu o assistia na TV antes de entrar para a seleção. É incrível ter alguém que acompanha a seleção em qualquer lugar”, diz Martynas Gecevicius, 22. “Eu não o conheço pessoalmente, mas todos sabem quem ele é na Lituânia”.
Sekla conta que toca “negócios de família” na Lituânia, não tem patrocinador nem recebe ajuda de ninguém para ser uma espécie de líder de torcida. “Viajo porque gosto. Porque quero. Não dependo de ninguém. Vou com meu dinheiro”.
Fã de metal, Sekla, 38, tem como característica principal uma enorme barba. Cultivada desde os 18 anos. “Não corto há 20 anos”. Nem apara? “A última vez que tirei um pedacinho acho que já faz uns 12 anos”, conta, com bafo de cerveja, em ótimo inglês.
Para a Turquia, 38 lituanos viajaram com ele. Como em todas as competições, mandaram fazer um novo modelo de camisa para a viagem. E sempre trazem mais. “Há muitas pessoas que viajam por conta própria e, quando chegam no ginásio, se juntam a nós, querem camisetas. Se é para ajudar o time, por que não?”.
Prognóstico para a Lituânia no torneio? Claro, ele é otimista: “esse time é bom. Eles podem ganhar de qualquer um”. Nesta quinta-feira, o rival nas quartas de final será a Argentina. E Sekla, claro, estará para torcer.
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