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Argentinos brilham no Palmeiras, mas não é no futebol...

Maxi Stanic (à esq.) e Gianella são destaques do Palmeiras na disputa do NBB - Luiz Pires/LNB
Maxi Stanic (à esq.) e Gianella são destaques do Palmeiras na disputa do NBB Imagem: Luiz Pires/LNB

Fábio Aleixo

Do UOL, em São Paulo

22/12/2014 06h00

O ano de 2014 está chegando ao fim e os argentinos estão em alta no Palmeiras. Não, você não leu errado. Os hermanos realmente estão fazendo sucesso com a camisa alviverde, mas não nos gramados, e sim da quadra de basquete.

Se no futebol Tobio, Allione, Cristaldo e Mouche deixaram a desejar e ainda não conseguiram cair nas graças da torcida e o técnico Ricardo Gareca teve uma passagem relâmpago no segundo semestre, no esporte da bola laranja dois argentinos se destacam do Palmeiras na disputa do NBB, o campeonato nacional de basquete.

Armador titular do Alviverde há duas temporadas, Maxi Stanic não só é o principal "garçom" da equipe, mas também quem mais dá assistências em todo o torneio. Ele tem uma média de 6,64 passes certeiros e também se destaca anotando. São 9,6 pontos por partida. O outro argentino do time é o ala Nicolás Gianella. Contratado neste ano, ele só disputou 12 partidas do NBB e tem média de 7,1 pontos.

Ambos são peças fundamentais da equipe que ainda não conseguiu engrenar no torneio nacional. São apenas cinco vitórias em 12 partidas e a 10ª colocação entre os 16 times que estão na disputa.

Em que pese a campanha irregular neste ano, nada consegue diminuir a idolatria dos torcedores por Stanic, de 36 anos. Com ascendência italiana, ele rapidamente se identificou com o clube. Tanto que após o término do último NBB, no qual ajudou o Palmeras chegou às oitavas de final, uma campanha foi criada nas redes sociais para que ele renovasse seu contrato. Os torcedores postaram diversas mensagens com os dizeres #FicaMaxi.

"Quando eu cheguei ao Brasil, não conhecia nada, apenas o Palmeiras pela sua história gloriosa no futebol. Mas não conhecia o NBB, não conhecia o time de basquete, não conhecia os jogadores, nem o técnico. Mas foram três meses muito intensos. Estava chegando numa situação muita delicada, pois o Caleb Brown havia saído e ele deu muito pelo Palmeiras. Sua saída deixou o torcedor triste. Mas foi tudo muito rápido, como o carinho dessa torcida. Assim que terminou o NBB e retornei à Argentina, não pensava em voltar ao Brasil, e sim em ficar lá para aproveitar um tempo com minha família. Mas a campanha "Fica Maxi" mexeu comigo. No Brasil, só voltaria para vestir novamente a camisa do Palmeiras. O carinho que tenho, por tudo o que fizeram nesse período, é imenso", afirmou o jogador que nunca teve chances de defender a seleção argentina principal.

A rápida identificação criada com o clube fez Stanic indicar a contratação de Gianella para esta temporada. Eles são amigos de infância, mas nunca tiveram muitas oportunidades de atuarem juntos.

"O que me motivou a vir é porque o Maxi estava aqui e tudo aquilo que ele me falou do clube. Nós nos conhecemos desde crianças e também tínhamos muita vontade de jogar juntos, defendendo uma mesma equipe", disse Gianella, que também tem 36 anos.

"A paixão que se vê nas ruas com a quantidade de gente usando camisas do Palmeiras e o que se vive no clube acabaram me contagiando, essa paixão que todos sentem pelo Palmeiras. E a relação que tenho com a torcida é muito boa, já que, desde o primeiro momento, me receberam muito bem", afirmou o jogador.

Apesar dos treinos e do calendário puxado de jogos, Stanic e Gianella se esforçam para seguir o Palmeiras no futebol. No último Brasileirão, acompanharam no Pacaembu o emapte em 1 a 1 contra o Corinthians no segundo turno, e estiveram na inauguração do Allianz Parque, em novembro, quando o Alviverde acabou superado pelo Sport por 2 a 0.

"Sempre que possível vou ao estádio. Quando os jogos são em dias diferentes das partidas de basquete, não tenha dúvidas de que estarei apoiando a equipe de futebol. Fui ao Allianz Parque na estreia do estádio. É, sem dúvida, um dos mais belos do mundo e a torcida é linda, apaixonada", afirmou Stanic, que assim como Gianella não teve muito contato com os compatriotas do futebol.

"Tive um pequeno contato apenas com o Cristaldo na Olimpíada da Crianças, que teve no clube. Nós conversamos um pouco. Sei que todos são grandes jogadores e buscam um bom trabalho no Palmeiras", afirmou Nico.

Em que pese o momento no NBB não ser dos melhores e o Palmeiras não ter conseguido engrenar uma boa sequência de vitórias, os argentinos acreditam que a equipe ainda pode evoluir bastante e chegar com força na disputa dos playoffs. Lembrando que os 12 primeiros avançam à fase decisiva.

"Jogamos oito jogos fora de casa, de 12 disputados. Mas a equipe está lutando, jogando bem e melhorando a cada jogo, o que é fundamental. Ainda tem muito campeonato e ao final da competição creio que o time ficará entre os melhores", disse Maxi, que volta à quadra às 19h30 desta terça-feira com o Palmeiras para enfrentar o Pinheiros, novamente fora de casa.