
| 23h10 - 04/09/2002 |
Argentina acaba com o "sonho americano" e impõe primeira derrota ao "Dream Tream" dos EUA |
Da Redação Em São Paulo
O "dia de São Nunca" chegou. A equipe que ostentou durante dez anos a maior supremacia num esporte coletivo em todo o mundo conheceu, nesta quarta-feira, após 58 vitórias, a primeira derrota de sua existência. E em casa, diante de sua torcida.
Com uma atuação impecável, a Argentina, que se consolida como força de primeiro escalão no basquete, venceu o "Dream Team" dos Estados Unidos - formado somente por atletas da NBA -, por 87 a 80, no encerramento do grupo F do Mundial masculino, que está sendo realizado em Indianápolis.
E a primeira derrota do pelotão de elite norte-americano ocorre na cidade onde surgiu a primeira evidência que já se faziam necessárias mudanças na seleção do país, há 15 anos.
No Pan-87, na mesma Indianápolis, os então universitários que formavam o time titular dos EUA, liderados por David Robinson, perderam o jogo e o ouro para Brasil, que faturou por 120 a 115.
O bronze nos Jogos de Seul, em 1988, serviu para ratificar as mudanças que estariam por vir: o ingresso dos profissionais da NBA na seleção norte-americana.
Dos Jogos de Barcelona, em 1992, quando Michael Jordan, "Magic" Johnson, Larry Bird e cia passearam em quadra, até esta noite, os EUA, sempre que representados pela sua equipe principal, não conheceram nada que não fosse o lugar mais alto do pódio.
Passou perto, é verdade, como nas semifinais dos Jogos de Sydney, quando a Lituânia esteve a um lance livre da façanha. Mas a derrota, mesmo que fora de uma fase eliminatória, estava reservada para Indianápolis, no primeiro mundial da modalidade realizada no país do basquete.
Os argentinos, que agora figuram mais que nunca como grandes favoritos ao título, chegaram a abrir 20 pontos de vantagem no segundo quarto. E, de quebra, tirou o arqui-rival Brasil do "pesadelo" de encarar os EUA nas quartas-de-final. Ela mesmo fará "o serviço".
Já os EUA farão um inesperado confronto com a Iugoslávia, atual campeã mundial, e que já sofreu duas derrotas na competição.
O principal pontuador do jogo foi "Manu" Ginobili, contratado do San Antonio Spurs para a próxima temporada da NBA. Autor de 15 pontos, ele foi seguido de perto pelos compatriotas Andres Noccioni, com 14, e Luis Scola, com 13.
Logo no primeiro quarto ficou clara a disposição sul-americana em atingir a façanha. Invicta na competição - assim como os EUA -, eles venceram a primeira parcial por 34 a 21, e já começaram a atiçar os nervos dos anfitriões.
Mas no segundo quarto ficou evidente que o jogo entraria para a história. Com uma grande variação de jogadas entre Ginobili, Noccioni e Scola, os argentinos mantiveram uma vantagem de 18 pontos durante boa parte do período, e abriram vinte pontos por alguns segundos (52 a 32), o maior revés já imposto ao "Dream Team".
A vitória por 53 a 37 dos argentinos no primeiro tempo provocou mudanças na atitude da equipe norte-americana, que reagiu no terceiro quarto. Ao vencer a parcial por 23 a 15, os donos da casa diminuíram a diferença para oito pontos, e partiram para cima no quarto final.
Esforço em vão. A Argentina soube manter a vantagem e tomar para si a autoria de uma das maiores façanhas da história do basquete: derrotar, em casa, do "Dream Team" dos Estados Unidos.
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