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19/08/2006 - 03h33
Brasil abusa dos erros e perde da Austrália na estréia no Mundial
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Hamamatsu (Japão)
A seleção brasileira masculina de basquete estreou com uma derrota por 83 a 77 para a Austrália no Mundial, que está sendo realizado no Japão. Com 25 erros no jogo, ou seja, 25 lances em que nem sequer conseguiu realizar um arremesso, o Brasil sofreu uma derrota que pode complicar sua seqüência na competição.
AFP  Bem marcado, Leandrinho marcou a maioria de seus pontos no fim da partida | PÁGINA DO MUNDIAL | Além de Brasil e Austrália, fazem parte do grupo C a Grécia, a atual campeã européia, a Lituânia, uma das mais tradicionais forças do basquete mundial, a Turquia e o Qatar. Quatro times passam à segunda fase, mas terminando a primeira fase com o quarto e último lugar na zona de classificação, o Brasil provavelmente enfrentará a forte seleção dos EUA nas oitavas.
A seleção brasileira, que à 1h30 deste domingo enfrenta o Qatar, mostrou bastante disposição, mas tropeçou em uma série de erros. No segundo quarto, quando tinha oito pontos de frente e um rival que não se encontrava em quadra, a seleção cometeu cinco falhas em menos de três minutos e desperdiçou a chance de abrir uma vantagem que tornasse o jogo confortável.
"Não soubemos aproveitar as chances, os bons momentos que tivemos na partida, deixamos eles tirarem nossa vantagem em dois ou três minutos", resumiu o ala Guilherme, um dos dois únicos que conversaram com a imprensa -após a partida, a maior parte dos jogadores brasileiros retirou-se rapidamente para os vestiários. A irritação e o abatimento eram visíveis.
Após três quartos equilibrados, no último período, o Brasil não resistiu à intensidade australiana. Os rivais fecharam o garrafão e, no ataque, foram mais efetivos e abriram uma vantagem de dez pontos a 3min56s do fim. Daí em diante, apenas controlaram o jogo para chegar à vitória.
| Números do Brasil no jogo |
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| 25 erros |
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| 11 de 28 lances livres errados |
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| 16 assistências |
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| "A gente jogou mal no segundo tempo, tanto no ataque quanto na defesa, e deu muitas chances a eles. Depois, ficou difícil buscar. Agora temos de levantar a cabeça e jogar bem amanhã para buscar a vitória", disse Anderson Varejão, um dos poucos que fez boa partida, com 15 pontos, 13 rebotes e dois tocos.
O ala Marcelinho, melhor jogador da Copa América-2005, decepcionou: acertou apenas 1 de 10 arremessos, cometeu cinco erros e terminou o jogo com apenas três pontos. Leandrinho, estrela do Phoenix Suns, foi o cestinha brasileiro com 18 pontos -12 deles nos minutos finais da partida, quando os brasileiros tentavam reduzir a desvantagem australiana.
Para o técnico Lula Ferreira, os 25 erros foram os responsáveis pela derrota. "Erramos demais, fomos perdendo a confiança e depois não conseguimos voltar ao jogo", disse. "Quando você erra e o adversário acerta, a conta fica cara".
Primeiro tempo O Brasil não começou bem no jogo. Sem conseguir penetrar no garrafão australiano, o time cometeu erros e forçou arremessos, permitindo que a Austrália abrisse 4 a 0. O time comandado por Lula Ferreira ficou sem pontuar nos primeiros 3min28s do jogo, até que Varejão acertou uma bola de três pontos, deixando o placar em 3 a 4. A partida seguiu equilibrada, com as duas equipes alternando bons e maus momentos, e o primeiro quarto acabou em 21 a 21.
| DERROTA PODE CUSTAR CARO |
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| O técnico Lula Ferreira lamentou a derrota brasileira na estréia ainda mair porque a Austrália era um adversário direto na luta pela classificação. Por isso, acredita que o Brasil encontrará mais dificuldade do que se esperava na primeira fase. "É um campeonato muito duro, e sair com uma derrota pode custar muito caro ao time nesta caminhada", afirmou o treinador |
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| No segundo quarto, com o ala Alex em quadra, o Brasil melhorou a marcação e conseguiu imprimir maior velocidade no ataque. Nos quatro primeiros minutos, permitiu à Austrália apenas um ponto e abriu sete pontos de vantagem (29 a 22).
Após o pedido de tempo australiano, o Brasil seguia melhor em quadra, mas não aproveitou a má seqüência do rival, que forçava arremessos e não conseguia realizar suas jogadas. Alex errou uma bandeja sem marcação; Marcelinho e Marcelinho Huertas (2), juntos, erraram três passes; Guilherme foi desarmado.
Assim, a vantagem que era de oito pontos e poderia ter subido, acabou caindo para dois (32 a 30). E, após equilíbrio nos minutos finais do primeiro tempo, a Austrália foi para o intervalo com dois pontos à frente (40 a 38).
"Jogamos melhor. Era para estar 15 pontos para a gente agora", disse Guerrinha no intervalo. O assistente-técnico, entretanto, não atribuiu os erros ao nervosismo. "Estréia é sempre mais complicado, mas não estamos mal no jogo, não".
Segundo tempo No terceiro quarto, o jogo ficou mais truncado. Com as duas equipes apertando as defesas e, no ataque, buscando o jogo dentro do garrafão, uma seqüência de erros e faltas deixou o placar em 47 a 47 a 5min47s do fim.
| LEANDRINHO BEM MARCADO |
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| O técnico da seleção australiana, Brian Goorjian, esbanjou sorrisos, após a vitória de seu time sobre o Brasil, por um motivo especial. A marcação em cima do armador Leandrinho, um dos destaques da equipe de Lula Ferreira, funcionou. E o maior responsável por isso foi o armador CJ Burton, que foi bastante elogiado por seu comandante. "Ele anulou o Leandrinho, não permitiu que ele fizesse muito e nos comandou ofensivamente", comentou. |
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| Após oito minutos em que nenhum dos times abriu mais do que dois pontos de vantagem, o Brasil fez 57 a 53, aproveitando-se de três chutes errados seguidos de três pontos da Austrália. Mas, a 15 segundos do fim do terceiro período, os australianos, enfim, acertaram um chute de três pontos, diminuindo sua desvantagem para 56 a 57.
O quarto período começou equilibrado, mas logo a força defensiva da Austrália apareceu. Segurando os brasileiros sem pontuação por quase quatro minutos e conseguindo alternar com eficiência bolas de três pontos e jogadas dentro do garrafão, os australianos abriram a maior vantagem de um dos times em toda a partida a 3min56 segundos do fim: 10 pontos (75 a 65).
Depois do pedido de tempo do técnico Lula, o Brasil esboçou uma reação. A 3min40s, Mackinnon, destaque da Austrália até então com 15 pontos, deixou o jogo com cinco faltas. Leandrinho acertou uma infiltração e, na seqüência, Alex conseguiu levar o armador rival, CJ Bruton, a andar. Leandrinho, então, cavou uma falta, mas acertou só um dos dois lances livres, reduzindo a desvantagem brasileira para sete pontos.
Entretanto, no ataque seguinte, a Austrália conseguiu um ataque de três pontos, em um arremesso de CJ Bruton. Após mais um ataque errado (Marcelinho falhou no arremesso de três) e mais uma cesta sofrida, o Brasil passou a perder por 12 pontos de diferença a pouco mais de dois minutos e meio do fim do jogo.
Como última tentativa, a seleção passou a marcar pressão-quadra-inteira. E, novamente, esboçou uma reação. Uma jogada de três pontos (falta e lance livre convertido) de Tiago Splitter, uma roubada de bola e bandeja de Leandrinho, e mais um roubo, desta vez de Marcelinho, para nova bandeja do armador do Phoenix Suns, o Brasil reduziu a vantagem australiana para cinco pontos, a 1min25s do fim.
A 23s do fim, o Brasil perdia por apenas quatro pontos quando Marcelinho Huertas errou uma bandeja, e Guilherme, o tapinha. No desespero, os brasileiros cometeram falta no armador Bruton, que acertou um dos dois lances livres e levou a vantagem australiana para cinco pontos, tornando a virada brasileira impossível.
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