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  20/08/2006 - 03h13
Brasil cumpre obrigação, bate Qatar e respira no Mundial

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Hamamatsu (Japão)

LULA NÃO ANTECIPA TIME
AFP
AFP
Lula evita definir escalação de titulares para jogo contra a Turquia
Em apenas duas rodadas, o técnico Lula Ferreira já alterou o quinteto titular do Brasil. Marcelinho Huertas e Alex ganharam vaga na equipe, mas ainda não estão garantidos para o duelo contra a Turquia, na terça-feira. E a garantia não é dada por Lula, que não quer antecipar a escalação. "Amanhã vamos treinar, há uma série de análises que tenho de fazer", afirmou o treinador. "Mas, no fundo, isso não é importante, porque no basquete você pode começar com um time e trocá-lo inteirinho cinco segundos depois", despistou em seguida.
A seleção masculina de basquete precisava de uma vitória sobre o Qatar, equipe mais fraca do grupo C, para manter boas chances de passar à segunda fase do Mundial, que está sendo disputado no Japão. E, com um time titular alterado e uma postura agressiva, o Brasil conseguiu: bateu a equipe asiática por 97 a 66 e, agora, soma uma vitória e uma derrota na competição.

O técnico Lula Ferreira colocou em quadra no início da partida Alex e Marcelinho Huertas nos lugares de Guilherme e Marcelinho para que, desde o início, o time pressionasse o Qatar e partisse com velocidade para o contra-ataque. A estratégia surtiu efeito e ao fim do primeiro quarto, o Brasil já vencia por 14 pontos (27 a 13). No intervalo, por 22 (51 a 29).

Com a forte defesa, o Brasil obteve 17 roubadas de bola e provocou 29 erros do rival. Além disso, fez 16 pontos de contra-ataque e não permitiu que o time asiático liderasse o placar nenhuma vez na partida.

"Assistimos o jogo do Qatar ontem e sabíamos que se deixássemos que eles jogassem, sofreríamos. Por isso, entramos marcando pressão quadra-toda e o jogo foi ficando fácil", resumiu Alex.

"Gostei do time. Só ganhamos por 31 pontos porque respeitamos o adversário. A Grécia teve de jogar muito bem para derrotá-los", disse Lula.

O cestinha da vitória brasileira foi o pivô Tiago Splitter, 21, que anotou 18 pontos. Guilherme fez 14, e Anderson Varejão e Marcelinho, 13 cada.

BRASIL X QATAR
Rebotes3231
Erros1529
Roubadas177
Arremessos39/69 - 57%24/57 - 42%
EstatísticaBrasilQatar
Nesta segunda-feira, não haverá jogos no grupo C, e os brasileiros, assim como seus rivais, poderão treinar e se prepararem para o duelo contra a Turquia, crucial para as pretensões do time no Mundial.

O jogo
Apesar de evitar que o adversário conseguisse produzir jogadas dentro do garrafão e atacar com velocidade, o Brasil mostrou afobação no início do jogo, errando cestas fáceis. Assim, apesar de roubadas de bola de Leandrinho e Alex e de um toco de Tiago Splitter, os brasileiros abriram apenas 11 a 9 nos cinco primeiros minutos de jogo.

Após um pedido de tempo do técnico Lula Ferreira, o time passou a atuar com mais consciência no ataque e manteve a pressão defensiva. Como conseqüência, abriu nove pontos: 20 a 11. Com a entrada de Marcelinho, que ao contrário do jogo contra a Austrália estava bem nos arremessos -acertou dois seguidos de três pontos-, ao fim do primeiro quarto, a diferença era ainda maior: 27 a 13.

MARCELINHO MELHORA
Reuters
Reuters
Marcelinho teve evolução em seu desempenho dentro do Mundial
Destaque negativo do Brasil contra a Austrália, o ala Marcelinho começou o jogo contra o Qatar no banco. Mas, quando entrou, mostrou um desempenho muito melhor. Ontem, acertou apenas 1 de 10 arremessos e acabou o jogo com três pontos em 31 minutos em quadra. Hoje, acertou 4 de 10 -três deles da linha dos três pontos- e acabou com 13 em 20 minutos jogados.

O desempenho dele mereceu elogios de Leandrinho. "Hoje, o Marcelinho foi muito bem. Ontem o Marcelinho não tinha jogado muito bem, mas hoje ele veio do banco e foi o melhor do jogo, para mim. Mostrou um poder de reação muito grande e isso é muito importante".

Já Marcelinho preferiu não analisar individualmente suas atuações. "O time inteiro não foi bem contra a Austrália. Ontem não fomos bem na defesa, e o ataque acabou não fluindo. Hoje foi diferente", disse.
No segundo quarto, Lula revezou os jogadores, mas a equipe manteve o mesmo ritmo, e aumentou a vantagem para 22 pontos (51 a 29).

Na primeira etapa, os destaques brasileiros foram Marcelinho, com 13 pontos e duas assistências, e Tiago Splitter com 12 pontos e quatro rebotes.

Perdendo por 22 pontos, o Qatar retornou ao segundo tempo apostando em arremessos de três pontos. Com bom aproveitamento, conseguiu diminuir a vantagem brasileira para 15 pontos (58 a 43) a pouco menos de cinco minutos do fim do período.

O Brasil reagiu bem, e o antídoto foi a defesa. Após uma cesta de Splitter, o time, primeiro, fez com que o Qatar estourasse o tempo de posse de bola (24 segundos) sem arremessar, e Guilherme acertou um belo arremesso. Logo em seguida, Splitter obteve uma roubada de bola e enterrou para aumentar a vantagem para 21 pontos (64 a 43).

Após um pedido de tempo do técnico do Qatar, o Brasil voltou com uma volúpia ainda maior. Nova enterrada de Splitter, um tiro de três pontos de Guilherme e uma bandeja de Leandrinho levaram a vantagem brasileira a 28 pontos.

No último quarto, os brasileiros apenas administraram o jogo, e o técnico Lula inclusive colocou em quadra André Bambu e Caio, dois atletas que não haviam atuado na partida contra a Austrália e, durante os amistosos, também pouco jogaram. Mesmo assim, a vantagem cresceu, e o time venceu por 31 pontos.

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