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21/08/2006 - 11h56
Colônia brasileira em Hamamatsu ignora o Mundial
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Hamamatsu (Japão)
Em julho de 2006, Hamamatsu, sede do Grupo C do Mundial de basquete, contava entre seus habitantes 18.457 brasileiros registrados. Há lojas, bares e restaurantes brasileiros; dois jornais em língua portuguesa; até o site oficial da cidade na internet tem três versões: japonês, inglês e português. A seleção masculina portanto, joga "em casa", com apoio maciço da torcida? Até aqui, não.
Murilo Garavello/UOL  Isaura Fuzinaga, 50, e Aiabe Massamitsu, 58, em armazém de produtos brasileiros | No sábado, o Brasil estreou contra a Austrália às 13h30 (horário local). Menos da metade do ginásio em que cabem 5.500 pessoas estava ocupado. Poucos torcedores portavam a bandeira nacional. Turcos, gregos e lituanos, que jogaram na seqüência, fizeram o público no ginásio aumentar -registraram-se, ao fim do dia, 3800 torcedores. Além disso, estavam em número maior do que os brasileiros e, mais importante, mostraram uma torcida muito mais barulhenta.
No domingo, em que os comandados de Lula Ferreira bateram o Qatar, também às 13h30, havia menos gente ainda. Até que começassem os jogos dos outros países.
"O basquete não é muito conhecido aqui", diz Alice Yoko Toriy, 41, que mora há 15 anos no Japão e é empregada de uma loja de presentes chamada Kawai, que tem caracteres em português. "Vieram uns jogadores altões aqui, me falaram que jogam basquete. Por isso que eu sei que há jogo."
"Está tendo Mundial? Meu irmão que mora no Brasil que gosta de basquete, eu não ligo, não", diz Taís Kimura, 24, que está no Japão há dez anos.
Residente de Hamamatsu há 11 anos, Carlos Ahagon, 22, é uma das exceções. Ao saber da realização da competição, aproximou-se de jornalistas e de membros da seleção, oferecendo-se como intérprete -função ainda mais valiosa pelo fato de que pouquíssimas pessoas na cidade falam inglês.
Assim, acabou conseguindo que uma equipe enviada por uma rede de TV brasileira o credenciasse no Mundial. E está assistindo a todas as partidas. "Aqui todo mundo gosta de vôlei. Nunca passa basquete na TV", diz ele.
| CONTRAPONTO CORINTIANO |
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Murilo Garavello/UOL  | Entre os poucos brasileiros na Hamamatsu Arena no sábado, havia um grupo de cerca de 15 pessoas com uniforme da torcida organizada corintiana "Gaviões da Fiel".
Batucando e alternando cânticos de apoio ao Brasil e odes ao Corinthians, o grupo destoou da tímida e silenciosa maioria japonesa no estádio.
"Estamos querendo fundar a Gaviões da Fiel aqui em Hama", diz Maurício Okabayahi, que está há oito anos no Japão. |
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| Em 2003, a seleção masculina de vôlei jogou em Hamamatsu pela Copa do Mundo de vôlei. Isaura Fuzinaga, 50, que é caixa do armazém "Servitu", que só vende produtos brasileiros e está no Japão há oito anos, estava na arquibancada. "Fui ao jogo que tinha o Bernardinho. É vôlei, né? Não vi ninguém falar nada em ir a um jogo desse campeonato de basquete, não. Acho que o basquete não tá com nada", decreta.
Aiabe Massamitsu, 58, concorda. "Não gosto muito de basquete e não tenho tempo para ir em jogo", diz o dekassegui, que está no Japão há 15 anos, e desde que chegou, é empregado em uma plantação de chá. "Agora, estamos na época de fazer adubação, preparando a colheita em setembro, tenho de acordar às 5h30."
Problemas e preferências pessoais parecem, realmente, ser os indutores da baixa presença de brasileiros nas arquibancadas. Afinal, a divulgação, ainda que não seja enorme, existe. No "Servitu", havia um pôster do Mundial, com uma montagem de fotos de vários jogadores, com o ala Alex em primeiro plano.
O periódico "International Press", semanal escrito em português e dono da maior circulação na comunidade dekassegui, trazia uma matéria da Agência Estado sobre as jovens revelações brasileiras no Mundial. Já o Tudo Bem, cujo slogan é "o jornal que fala a sua língua", não trazia nenhuma matéria sobre o Mundial em sua edição de 19 a 25 de agosto, apesar de veicular um caderno de esportes de oito páginas, em que os destaques principais são o título do Inter na Libertadores e o empate entre Brasil e Noruega.
Talvez o preço, ainda que relativamente baixo para os padrões japoneses -cerca de R$ 120 reais para assistir a três jogos, afugente alguns outros. "Tá caro demais. Ainda mais que brasileiro acha tudo caro. Tem um massagista aqui do lado que só atende japonês. Porque brasileiro pechincha muito", diz Masatoshi Yuraki, 34, no "Servitu".
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