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23/08/2006 - 16h56
Brasil enfrenta altura lituana, desconfiança própria e tabu
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Hamamatsu (Japão)
A seleção brasileira masculina precisa de uma vitória para ir às oitavas-de-final do Mundial de basquete. Parece tarefa simples, mas o contexto faz com que um eventual triunfo sobre a Lituânia, às 4h30 desta quinta-feira, não ocorra sem um certo ar de grande feito.
| A GRANDE ESTRELA LITUANA |
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Reprodução  Cartaz promocional do Mundial destaca os principais jogadores da seleção da Lituânia | Se é forte no garrafão, é no perímetro que se encontra a maior estrela lituana : o ala Arvydas Macijauskas (no meio, na foto de promoção do Mundial, acima), cestinha lituano no Mundial, com 16,8 pontos por jogo. Dono de um excelente arremesso e velocidade e habilidade para penetrar, Macijauskas busca reencontrar seu melhor ritmo após uma temporada frustrante.
Em 2005, o jogador, que atuou no TAU Ceramica, onde Tiago Splitter joga hoje, estava no auge. Em um amistoso preparatório para o Europeu de seleções, sofreu uma ruptura muscular e não pôde disputar o torneio. Recuperado, apresentou-se ao New Orleans Hornets, da NBA.
Nos EUA, não conseguiu se firmar. O técnico Byron Scott reclamou publicamente da falta de comprometimento defensivo de Macijauskas, que acabou não tendo reais chances de se firmar no time. Contrariado, acertou com o Olimpiakos, onde receberá 2,2 milhões de euros na próxima temporada. |
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| O Brasil nunca ganhou da Lituânia. Desde a independência em relação à URSS, em 1990, foram três confrontos e três vitórias do já tradicional basquete do país báltico, detentor de três bronzes olímpicos em quatro Olimpíadas disputadas em um título europeu. O estilo de jogo dos lituanos, baseado nos pivôs, em defesas fortes e rotações ofensivas organizadas e cadenciadas, cria muitas dificuldades para o veloz basquete nacional.
Outro fator de preocupação: o time comandado por Lula Ferreira perdeu os últimos sete jogos em que contou com seus principais atletas, e a partida foi decidida por uma margem igual ou menor a quatro pontos para um dos dois times.
Neste Mundial, o time chegou a estar na frente dos adversários no quarto período dos três jogos em que foi derrotado. Contra a Turquia, teve lances livres na mão de seu melhor jogador, Leandrinho, que os desperdiçou. No duelo com a Grécia, perdeu após recuperar uma desvantagem enorme, fazer 20 pontos seguidos e ter três pontos à frente a quatro minutos do fim da partida, acabou derrotado.
O principal jogador brasileiro, Leandrinho, desequilibrou para o Brasil em apenas um dos quatro jogos -e, justamente neste, falhou no fim. Anderson Varejão, o outro atleta de NBA no elenco brasileiro, nesta quarta fez um desabafo dizendo que suas pernas estão "pesadas". "Nunca me senti assim fisicamente. Quando dou a primeira passada, parece que minha perna fica mole. Não sei o que está acontecendo, não sei mais o que fazer", afirmou.
Se não fossem motivos suficientes, a Lituânia, no Mundial, está em ascendência. Após perder da Turquia na última posse de bola em sua estréia, e da Grécia na prorrogação em seu segundo jogo, os lituanos impuseram o maior massacre ao Qatar e, hoje, venceram a Austrália por 21 pontos. "Estamos entrando em um ritmo muito bom. Hoje, pela primeira vez, conseguimos jogar bem. Espero que possamos continuar assim", diz o armador Mantas Kalnietis.
| OS CONFRONTOS ANTERIORES |
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| Olimpíadas-1992 | 114 x 96 | Lituânia |
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| Mundial-1998 | 66 x 62 | Lituânia |
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| Amistoso-2004 | 110 x 93 | Lituânia |
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| Local | Placar | Vencedor |
| "A Lituânia foi nosso rival mais difícil até aqui neste Mundial. Acho que eles estão crescendo, criando um momento bom. Se continuarem assim, gosto das chances deles contra o Brasil", diz o técnico americano Brian Goorjian, que comanda a Austrália e torce por um tropeço brasileiro para ir às oitavas-de-final.
A maior força demonstrada pela Lituânia no Mundial até aqui tem sido o trabalho de seus pivôs. Robertas Javtokas, de 2,10 m, os irmãos gêmeos Lavrinovic (Ksystof, de 2,11 m, e Darius, de 2,10 m) e Darius Songaila, de 2,04 m, garantiram uma supremacia por larga margem dos lituanos nos rebotes nos quatro jogos do time.
Contra a Turquia, o time pegou 16 rebotes a mais do que o rival. Na derrota para a Grécia, 17 rebotes a mais. Na vitória sobre o Qatar, a vantagem foi de nove sobras. E, contra a Austrália, hoje, a margem de vantagem foi de 14 rebotes. Já o Brasil se equiparou aos oponentes: pegou cinco a mais do que a Austrália, um a menos do que o Qatar e empatou com os turcos (31 rebotes para cada um).
| UM LEANDRINHO "DIFERENTE" |
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AFP  Jogador mais badalado do Brasil, Leandrinho está devendo no torneio | | "Não vou prometer nada, velho", diz o jogador do Phoenix Suns. "Só garanto que vai ser um Leandrinho diferente do de hoje. Não esperava jogar desse jeito, não. Fui mal, assim como alguns outros jogadores também foram. Vamos ver seu amanhã estou melhor". |
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| LEIA MAIS | "Vão ser dois os pontos-chave nesse jogo: precisamos lutar muito pelos rebotes para superar essa desvantagem e acertar mais arremessos. Sobre o primeiro item, podemos agir. Vamos reforçar para os jogadores a necessidade de posicionamento e disposição para pular em todas as bolas. Agora, arremesso, é uma questão de estarmos em um dia bom", diz o técnico brasileiro Lula Ferreira.
O técnico lituano Antanas Sireikas diz respeitar o Brasil. "Como sempre, pensamos no nosso próximo rival como o mais poderoso e perigoso do Mundial. Nosso time jogou muito bem hoje, mas não sei se serve como parâmetro, porque a Austrália certamente sentiu, fisicamente e emocionalmente, a derrota para a Grécia", afirma, em referência à vitória grega na terça com duas roubadas de bola e dois arremessos de três pontos a 27 segundos do final.
"O Brasil joga de forma parecida à da Austrália, mas tem mais pivôs bons. A Austrália só tem o Bogut. O Brasil tem Splitter e Varejão. E tem bons arremessadores também", afirma Sireilas. Já o pivô Robertas Javtokas, que obteve 16 pontos e 12 rebotes no jogo de hoje, não pestaneja: "A Lituânia é favorita, claro".
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