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  24/08/2006 - 06h30
Brasil encerra sua pior campanha em Mundiais com outra derrota

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Hamamatsu (Japão)

Com jogadores da NBA, jovens de grande potencial e em ascensão, o Brasil chegou ao Mundial sonhando alto, falando em título. Nesta quinta-feira, a quarta derrota em cinco jogos, desta vez para a Lituânia, por 79 a 74, decretou o fim da pior campanha da história do país na competição.

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O revés deixa o país na quinta colocação em um grupo de seis participantes e em que os quatro primeiros se classificavam. Em outras palavras, o Brasil não conseguiu se colocar entre as 16 melhores seleções do mundo, que estão nas oitavas-de-final do torneio, e ficou em 19º. Anteriormente, o título de pior participação brasileira pertencia à equipe de 1994, que acabou na 11ª posição.

"Nunca houve um Mundial com 24 países", defendeu-se o técnico Lula Ferreira, questionado sobre a campanha. Para Marcelinho, o time não é o pior representante brasileiro na história. "Caímos em uma chave muito complicada, havia outras muito mais tranqüilas. É uma geração muito talentosa que ainda vai dar muitas alegrias", disse o jogador, que aos 31 anos é o mais velho do time.

Campeão da Copa América em 2005, o Brasil viu, no último ano, Leandro Barbosa, 23, ganhar destaque no Phoenix Suns; Anderson Varejão, 23, conquistar espaço no Cleveland Cavaliers; Tiago Splitter, 21, virar titular do TAU Ceramica, 3º na Euroliga de clubes; Marcelinho Huertas, 23, se adaptar ao Juventut Badalona, da primeira divisão espanhola, e ter bastante tempo de quadra.

Daí a expectativa, agora frustrada, de uma boa participação que redimisse o basquete masculino, dono de dois títulos mundiais, da ausência nas últimas duas Olimpíadas.

Nesta quinta, Leandrinho fez 11 pontos. E se disse decepcionado. "Não fiz uma boa participação neste Mundial. Não era o que eu queria. Estou muito triste", disse o ala-armador. O destaque brasileiro nesta quinta voltou a ser o pivô Tiago Splitter, cestinha brasileiro no Mundial: 17 pontos, sete rebotes, três roubadas e um toco.

Nesta quinta-feira, o time viu sua situação complicada logo no primeiro quarto, quando sofreu 35 pontos e foi superado em 18. O time melhorou nos três quartos seguintes, chegando a reduzir o "buraco" para um ponto (75 a 74) a 30 segundos do fim, mas não teve forças para virar o jogo.

Contra a Lituânia, o Brasil voltou a pecar nos lances livres: foram 11 erros, três deles nos três últimos minutos do jogo. E, mais do que em qualquer jogo anterior, nesta quinta-feira o aproveitamento de arremessos brasileiro foi muito ruim: converteu só 26 dos 73 que tentou. Da linha dos três, o aproveitamento foi ainda pior: quatro acertos em 25 chutes, ou 16% de eficiência.

O jogo
HISTÓRICO BRASILEIRO
1950
1954
1959Campeão
1963Campeão
1967
1970
1974
1978
1982
1986
1990
199411º
199810º
2002
200619º
AnoPosição
A Lituânia acertou quatro arremessos de três pontos no início do jogo -dois deles, realizados por pivôs. Após três minutos, os europeus venciam por 14 a 8.

Apesar de estar bem no ataque, na defesa o Brasil não conseguia parar o ataque lituano. Em quatro minutos, o time sofreu 25 pontos, e a vantagem do rival já era de 13 pontos.

Na segunda parte do primeiro quarto, com a entrada de Marcelinho Huertas, o Brasil melhorou a defesa. Mas o ataque não funcionou: fez só cinco pontos em cinco minutos. Assim, ao fim do primeiro quarto, a Lituânia já estava à frente por 18 pontos.

Logo no início do segundo quarto, a seleção tentou exercer a mesma marcação que fez o time tirar uma desvantagem de 19 pontos no jogo contra a Grécia, no dia anterior. Não deu certo, e os lituanos conseguiram uma série de cestas fáceis.

A quatro minutos do fim, com o armador Nezinho em quadra, o time enfim conseguiu eficiência na defesa. Assim, esboçou uma reação e tornou o jogo mais equilibrado.

Pela primeira vez, a Lituânia mostrava-se desequilibrada, cometendo uma série de erros. Entretanto, o Brasil não tinha um percentual bom nos arremessos de quadra (só 31% de acerto) e, mais uma vez, errava muitos lances livres (sete, só na primeira etapa). Mesmo assim, baseando-se na raça, diminuiu a diferença para 11 pontos, mas desperdiçou a chance de se aproximar ainda mais.

Para o segundo tempo, o Brasil voltou com a formação que havia terminado bem a primeira etapa, com apenas Tiago Splitter como pivô, Alex, Guilherme, Nezinho e Marcelinho. Ou seja, com os dois maiores nomes do time, Varejão e Leandrinho, ambos da NBA, no banco.

E, ao menos na defesa, a tática deu certo: a Lituânia demorou 4min10s para fazer seus primeiros pontos. Entretanto, o ataque brasileiro não estava eficiente. A única jogada que dava certo era a ação de Tiago Splitter, ótimo no jogo.

Reuters
Reuters
Leandrinho tenta animar Nezinho, que foi bem no 4 quarto, após queda no Mundial
A 4min20s do fim da terceira etapa, a vantagem lituana era de cinco pontos. Aos poucos, entretanto, a Lituânia voltou ao jogo. A vantagem voltou a ser de nove pontos e, para agravar a situação, Alex cometeu uma falta técnica ao reclamar ostensivamente da arbitragem. Acertando os lances livres e aproveitando os dois ataques seguintes, a Lituânia abriu 15 pontos e manteve essa margem até o fim do terceiro quarto.

Nos últimos dez minutos, o Brasil, com Nezinho, Leandrinho, Marcelinho Machado, Splitter e Varejão, voltou a reagir. Diminuiu a diferença lituana para dois pontos a menos de cinco minutos do fim, com desvantagem de 67 a 65.

A partir daí, o jogo foi parelho até o fim. A Lituânia vencia por 75 a 73 com 38 segundos restando no cronômetro e a seleção brasileira com a posse de bola. O ala-armador Alex sofreu falta, converteu o primeiro, mas errou o segundo lance livre.

O técnico Lula Ferreira orientou sua equipe para segurar o cronômetro com faltas em cima do ataque europeu. Giedrius Gustas também errou seu segundo lance livre, o Brasil puxou contra-ataque, e Splitter não conseguiu converter dentro do garrafão para empatar a partida. A Lituânia converteu seus lances livres na seqüência e fechou a participação brasileira com o placar de 79 a 74.

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