| |
27/08/2006 - 07h18
França bate "baixinhos" de Angola e vai às quartas
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Saitama (Japão)
A seleção francesa venceu neste domingo Angola por 68 a 62 e, com o resultado, garantiu uma vaga nas quartas-de-finais do Mundial. A França, que joga sem seu principal jogador, o armador Tony Parker, do San Antonio Spurs, terá como próximo rival a Grécia.
Reuters  Jogadores da França comemoram vitória sobre Angola no Mundial no Japão | O cestinha da partida foi o armador francês Aymeric Jeanneau, incumbido de substituir Parker, que anotou 16 pontos -acertou os oito lances livres que tentou. O ala Boris Diaw, companheiro de Leandrinho no Phoenix Suns, fez 14, assim como Mickael Gelabale, que estreará pelo Seattle Supersonics na próxima temporada.
Único país de língua portuguesa que ainda sobrevivia no Mundial, Angola tem o time mais baixo da competição, com média de altura de 1,94 m. O jogador mais alto da equipe, Moussa, tem 2,04 m de altura. E não é natural do país: nasceu no Chade e é naturalizado angolano.
O esforço para superar a desvantagem na altura ao longo do torneio acabou deixando o time desgastado. É a opinião Carlos Almeida, 29, um dos mais experientes do renovado time e um dos cinco remanescentes do grupo que disputou as Olimpíadas de Atenas-2004. "Foram seis jogos em oito ou nove dias. Como nosso time é mais baixo que os outros, nos desgastamos mais. Sentimos hoje", disse o ala, que hoje anotou 13 pontos.
Para Eduardo Mingas, ala que fez sete pontos e deu quatro assistências na partida, o mau primeiro quarto, em que a França abriu 17 a 6, foi crucial para a derrota. "Começamos o jogo muito mal. Depois melhoramos, mas a diferença era muito grande para conseguirmos tirar. A França é muito boa, tem jogadores da NBA. O nível desta competição é muito alto", disse. "Mas acho que fizemos um belo campeonato".
Na primeira fase, Angola venceu três jogos, perdeu da invicta Espanha por apenas dez pontos e obrigou a Alemanha, de Dirk Nowitzki, a jogar três prorrogações -recorde em Mundiais.
O jogo A equipe de Angola começou o jogo nervosa e viu a França abrir 17 a 6 no primeiro quarto. No ataque, o time não conseguia superar a marcação francesa e não tinha alternativa a forçar as infiltrações e, várias vezes, arremessos desequilibrados. Por isso, na primeira etapa, os angolanos converteram só nove de 30 chutes.
| TREINOS DEMAIS |
|---|
 Normalmente, seleções eliminadas reclamam do tempo exíguo que tiveram para "formar um time". Não é o caso de Angola no Mundial de basquete. Como dez dos 12 jogadores da seleção atuam em clubes do país, a comissão técnica optou por um período prolongado de preparação. Com dois meses no exterior. Leia mais. | Eles começaram com um jogo muito físico. Estudaram-nos direitinho e entraram prontinhos para nos criar dificuldade. Não conseguíamos desenvolver nossas jogadas", explicou Almeida após o fim da partida.
Já a França, liderada por Boris Diaw, tinha uma boa rotação ofensiva, distribuía bem a bola e alternava chutes de três pontos com infiltrações. Na primeira etapa, o time acertou 54% de suas tentativas.
No segundo quarto, com uma defesa agressiva que conseguiu cinco roubadas de bola no primeiro tempo, e três contra-ataques, os africanos chegaram a estar seis pontos atrás.
Entretanto, apenas o armador Morais e o pivô Gomes estavam bem na partida. Com falhas seguidas de Mingas, que só acertou dois de oito arremessos na etapa, Cipriano e Lutonda (dois erros cada), a França retomou o controle e voltou a se distanciar no placar: 34 a 17.
Após um pedido de tempo do técnico angolano, Alberto de Carvalho, o Ginguba, o time voltou bem, e com uma seqüência de 7-0, foi ao intervalo dez pontos atrás (24 a 34).
No terceiro quarto, a tônica do jogo continuou a mesma: Angola penando para fazer suas cestas, e a França, mais consistente, controlando a partida.
Ao início do quarto período, a vantagem francesa era de 14 pontos. Então, os africanos começaram a mostrar o jogo que os levou a três vitórias na primeira fase e a três prorrogações contra a Alemanha. Almeida, Gomes e Cipriano, com infiltrações e tiros de três pontos, colocarma o time a seis pontos da França (49 a 55) apesar de dois acertos detrás da linha dos 6,25 m do francês Mamadou Diarra.
A cinco minutos do fim do jogo, o técnico francês pediu tempo, e a manobra surtiu efeito. Os franceses brecaram a reação angolana com uma bola de três pontos de Gelabale e uma enterrada de Mikael Pietrus. Apesar de novas tentativas angolanas -que voltou a colocar a diferença em três pontos, a 36 segundos do fim, a França converteu uma série de lances livres cruciais e conseguiu sair com a vitória.
UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
|