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  27/08/2006 - 09h45
Grécia, de novo, pena no começo, mas elimina a China

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Saitama (Japão)

Parece um roteiro pré-programado. Em cinco de seus seis jogos no Mundial de basquete, a Grécia fez um primeiro quarto ruim e tornou os jogos mais difíceis do que poderiam ser. E, sempre, consegue melhorar já no segundo quarto e, ao fim do jogo, sair como vencedora. Foi o que ocorreu neste domingo, nos 95 a 64 sobre a China.

O resultado mantém a Grécia, campeã européia no ano passado, invicta na competição: são seis vitórias, uma delas, contra o Brasil -a única em que o time grego fez um primeiro quarto bom. Nas quartas-de-final, a equipe enfrentará a França, que hoje venceu Angola por 68 a 62.

Com uma defesa forte, os gregos obtêm muitas roubadas de bola e saem em velocidade para o contra-ataque. Se não conseguem a cesta fácil, rodam a bola por todos os jogadores e, quase sempre, arremessam perto do fim dos 24 segundos de posse de bola. E, em geral, têm cinco jogadores capazes de converter pontos, o que dificulta bastante a marcação rival.

A vitória da Grécia sobre a China marca o fim das oitavas-de-final. EUA (contra a Alemanha), Argentina (contra a Turquia), Espanha (contra a Lituânia) e Grécia (contra a França), que estão invictas no torneio com quatro vitórias, são favoritos a passarem às semifinais.

O jogo
A China começou o jogo buscando evitar o trabalho grego dentro de seu garrafão. E, com uma marcação forte, obrigou o rival a arremessos longos. A Grécia falhou em todos os seus chutes nos primeiros quatro minutos e não conseguiu acompanhar o ritmo do contra-ataque chinês. Assim, o time asiático abriu 8 a 0 a 6min do fim do primeiro quarto.

Então, o técnico grego colocou em quadra a formação com que tem terminados todas as partidas, com o armador Papaloukas e o ala que vai jogar ao lado de Yao Ming no Houston Rockets, Spanoulis, que sempre iniciam o jogo no banco. A equipe melhorou, e a China manteve seu ritmo. Assim, o primeiro quarto acabou com viória asiática por 18 a 11.

E o time do técnico lituano Jonas Kazlauskas acertou dois arremessos consecutivos no início do terceiro quarto elevando sua vantagem para 12 pontos (23 a 12).

Entretanto, a consistência grega, aos poucos, foi vencendo a empolgação e a velocidade chinesa. Seis penetrações consecutivas de Spanoulis (3) e Papaloukas (2), e uma enterrada de Schortnianidis, o "Baby Shaq", aliadas a uma marcação sob pressão, que permitiu só três pontos em quatro minutos, fizeram a Grécia empatar o jogo em 30 a 30.

Os gregos mantiveram a pressão, e continuaram melhorando: no intervalo, lideravam por cinco pontos (41 a 36).

No segundo tempo, a China começou a jogar mais com Yao Ming. Nos primeiros cinco minutos, o pivô acertou dois lances em quatro, mas levou um toco e foi desarmado nos outros dois. No contra-ataque, e em um belo gancho do do pivô Papadopoulos, que tem um estilo clássico de jogar de costas para a cesta, a Grécia abriu 12 pontos (52 a 40) a pouco mais de seis minutos do fim do terceiro quarto. Três minutos depois, o placar já estava em 59 a 42.

Daí em diante, aos gregos bastou segurar as tentativas de recuperação chinesa. A vantagem superou os 25 pontos, e o confronto tornou-se monótono.

Desta forma, a Grécia "esqueceu" o sufoco no primeiro quarto e garantiu a passagem para as quartas-de-final do Mundial.

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