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28/08/2006 - 08h18
Craque diz que "olheiros" não reconhecem talento angolano
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Saitama (Japão)
Joaquim Gomes, 25, foi o craque de Angola no Mundial. Liderou o time em pontos (15,2 por jogo, em média), rebotes (8,3), tocos (1) e percentual no acerto de arremessos (51,4%) e impressionou pela impulsão e talento ofensivo. Não à toa, é um dos dois únicos do time que atuam no exterior: na temporada passada, jogou no Eiffel Towers, equipe do pouco expressivo basquete holandês.
Em entrevista ao UOL Esporte, o jogador, que se define como um "pivô falso", afirmou que a equipe não tem mais jogadores atuando em equipes européias ou americanas porque os 'olheiros' "não vão para Angola, mas estão sempre com olhos voltados para Nigéria e Senegal". Para ele, o basquete do país sofre com a falta de intercâmbio internacional. Leia trechos da entrevista:
Você é um dos dois únicos que joga no exterior. Não se sente um corpo estranho em meio a jogadores tão entrosados? Até poderia, né? Mas, no fundo, não. Apesar de jogar no exterior, jogo muitos campeonatos pela seleção, todos os anos. E sempre há períodos de preparação. Então, acabo passando dois ou três meses com eles todos os anos. Já conheço bem o time.
O time sentiu a falta de experiência internacional neste Mundial? Acho que sim. Precisávamos ter uns cinco jogadores a evoluírem na Europa. O basquete europeu em mais contato físico, jogadores com mais estatura, mais fortes. Isso faz com que você cresça como jogador. Mas por outro lado, neste campeonato, conseguimos enfrentar todos os times porque temos jogadores muito talentosos.
Por que esses jogadores "muito talentosos" não atraem atenção de outros países? Esse é um grande problema. Os agentes, os "scouts" (olheiros) da Europa, dos EUA, não vão para Angola, mas estão sempre com olhos voltados para Nigéria e Senegal. Vários deles jogam na Europa. É uma coisa que não entendo bem porque acontece, porque temos muitos jovens de talento e nosso basquete teria muito a crescer com isso.
Será que não é porque Angola não tem pivôs altos? Pode ser. É uma boa hipótese.
Atuar no exterior melhorou seu jogo? Sim, estou muito mais firme no rebote. Acho que essa também é uma das virtudes européias: eles fazem um trabalho individualizado e detectam em que o jogador precisa trabalhar mais. Agora, ando treinando bastante meu jogo exterior (como os angolanos chamam os arremessos de três pontos).
Onde pretende jogar a próxima temporada? Ainda não sei. Mas vou voltar para a Holanda. Foi uma temporada muito boa, o time é organizado, bem estruturado, mas quero jogar em uma equipe maior, disputar campeonatos melhores.
E, na Europa, com 2,02 m, você atua como pivô? Eu sou aquele pivô "falso" (risos). Depende de quem tá do outro lado. Eu posso marcar jogadores mais altos, mas também sei jogar de frente para a cesta. Faço o que me pedem para fazer.
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