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28/08/2006 - 08h27
Antíteses, Nigéria e Angola se destacam no Mundial
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Saitama (Japão)
Duas seleções africanas que caíram nas oitavas-de-final do Mundial, mas ganharam jogos, deram trabalho para os algozes e deixam o Japão sob elogios do mundo do basquete, com boas perspectivas para os próximos torneios. As semelhanças entre Angola e Nigéria param por aí.
| CAMPANHAS E ELOGIOS |
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Crédito  Angolanos tentam conter Mickael Pietrus, da França, no confronto das oitavas-de-final | Se são diferentes, as duas seleções têm em comum a boa campanha no Mundial. A Nigéria derrotou a atual campeã, Sérvia e Montenegro, logo na estréia, e ganhou também do Líbano, classificando-se na terceira posição do Grupo A, atrás apenas de Argentina e França. Nas oitavas, perdeu por um ponto da Alemanha, e Udoka errou uma bandeja no segundo final.
Já Angola derrotou Panamá, Japão e Nova Zelândia antes de perder por dez pontos da Espanha e obrigar a Alemanha a jogar três prorrogações -recorde histórico do Mundial- e Dirk Nowitzki a fazer 47 pontos antes de ceder a derrota. Nas oitavas, perdia da França por apenas três pontos a 35 segundos do final. Acabou sendo derrotada por seis pontos.
"Para mim a atuação das duas seleções não é surpresa. O clichê de que os times africanos só pensam em chutes de três e não têm sistema tático não pode continuar. Só diz isso quem não assiste aos jogos", diz o técnico da Alemanha, Dirk Bauermann. "Vimos aqui times bem treinados, com boa estrutura tática e fazendo uma defesa impressionante". |
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| Só dois dos 12 angolanos atuam no exterior -os outros dez se dividem entre dois clubes da capital, Luanda. O técnico, Alberto de Carvalho, dirigia um desses clubes. Já a Nigéria recrutou todos os jogadores de sua equipe em outros países. Mais, nove deles nasceram nos EUA, assim como o técnico Sam Vincent.
Enquanto a Nigéria começa a construir uma tradição de bons pivôs -de Hakeem Olajuwon, duas vezes campeão da NBA, a Ekene Ibekwe, sensação do time no Mundial-, Angola sofre com a falta de estatura. Time mais baixo do Mundial ao lado do Japão -ambos com 1,94 m de altura, em média-, Angola tem como único nascido fora do país justamente o jogador mais alto do time, Abdel Moussa, 2,04 m, proveniente do Chade.
Para os próximos campeonatos, a principal carência a suprir, para o técnico Sam Vincent, que não sabe se continua na Nigéria, é um armador. Ime Udoka, que faz parte do elenco do New York Knicks e exerceu essa função no Mundial é, na realidade, um ala. "A confederação tem de pesquisar e encontrar um bom armador que organize melhor o time e proporcione algumas cestas mais fáceis à equipe. Esse é o desafio", disse.
Já Angola, de acordo com o jornalista Pedro da Ressureição, da agência "Angola News", procura pivôs. "Naturalizamos este gajo do Chade, o Moussa, mas ele é só um bocadinho maior do que os outros. É difícil encontrar homens tão altos em nosso país. Para os próximos campeonatos, acho que não teremos solução. Não se faz um pivô de uma hora para outra".
Há ainda mais diferenças. Na preparação, a preocupação principal do técnico Vincent foi dar conjunto a um time formado por jogadores que mal se conheciam, mas possuem ampla experiência internacional.
Além de Udoka, da NBA, o time tem três jogadores de diferentes universidades americanas e outros atuam na Bélgica, em Portugal, França, Síria, Israel, Coréia do Sul e Espanha. "Acho que deixamos uma boa base para os próximos campeonatos. Há jogadores jovens nesse time e vejo um futuro brilhante para a Nigéria", disse Vincent.
Já os angolanos buscaram proporcionar mais rodagem internacional a atletas acostumados a enfrentar apenas times locais e adversários africanos. A equipe passou quase três meses se preparando para o Mundial, e jogou na Sérvia, no Qatar, na Espanha e em Cingapura.
O entrosamento nunca foi uma preocupação: cinco jogadores atuam no Petros, outros cinco, no Primeiro de Agosto, clubes que freqüentemente decidem o campeonato local. Os únicos dois estrangeiros, Joaquim Gomes, que atuou na Holanda na última temporada, e Emanuel Neto, que joga em uma universidade nos EUA, se reúnem aos outros jogadores cerca de duas ou três vezes todos os anos.
No próximo ano, as duas seleções prometem travar um duelo feroz, que pode ter como "intrusa" a seleção senegalesa, que neste Mundial acumulou apenas derrotas, mas tem bons jogadores, pela única vaga do continente na Olimpíada de 2008. A Angola terá a ligeira vantagem: organizará o Pré-Olímpico.
"Precisamos continuar a trabalhar duro, porque a Nigéria evoluiu muito. Está com uma defesa tremenda, tem um time mais alto do que o nosso e vai nos dar muito trabalho", diz Gomes.
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