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  30/08/2006 - 06h18
Grécia bate a França e é 3ª invicta nas semifinais

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Saitama (Japão)

A Grécia tornou-se nesta quarta-feira a terceira classificada para as semifinais ao derrotar a França por 73 a 56. Assim como Argentina e Espanha, que tiveram vitórias ontem e se enfrentam em uma das semifinais, os gregos ganharam seus sete jogos no Mundial.

Reuters
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Sofoklis "Baby Shaq" Schortsanitis parte para a cesta no garrafão francês
ÁLBUM DA RODADA
QUEM LEVA O TÍTULO?
Na semifinal, a Grécia, que no ano passado sagrou-se campeã européia, vai enfrentar o vencedor da partida entre outra seleção invicta, a dos EUA, contra a Alemanha. O duelo acontece ainda nesta quinta.

Dona de uma das defesas mais fortes do campeonato, a Grécia atravessa uma excelente fase desde o Campeonato Europeu do ano passado. Neste ano, a equipe venceu o Torneio de Acrópolis e a Copa Stankovic, competições preparatórias para o Mundial. Na decisão da Stankovic, jogada na China, os gregos derrotaram a Alemanha por 37 pontos de diferença, permitindo ao astro alemão Dirk Nowitzki apenas nove pontos.

E foi o setor defensivo grego o grande destaque da vitória sobre os franceses, que só ultrapassaram a barreira dos 50 pontos a dois minutos do fim, quando o jogo estava decidido.

"Foi mais fácil do que eu imaginava porque não deixamos a França impor seu ritmo. Nossa defesa funcionou bem demais. E no ataque, acertamos alguns bons arremessos", disse o ala Dimitrios Diamantidis, destaque do jogo, com 13 pontos, oito rebotes, cinco assistências, duas roubadas de bola e um toco.

No jogo, a França não conseguiu jogar dentro do garrafão grego e teve de apostar demais nos arremessos de longa distância. Por isso, seu índice de aproveitamento foi baixo, 35%, com apenas 21 conversões em 60 arremessos. Com poucas penetrações, a equipe cobrou apenas 14 lances livres.

"Não conseguimos jogar dentro do garrafão", admitiu o técnico francês, Claude Bergeaud, após o jogo. "Eles têm pivôs melhores que os nossos, é simples. Papadopoulos não é comentado só porque não joga na NBA, mas ele é um dos melhores do mundo. E o reserva dele? Simplesmente não temos ninguém para segurá-lo", disse, sobre Sofoklis Schortsianitis, o "Baby Shaq".

Papadopoulos anotou 14 pontos em pouco menos de 29 minutos. Já Schortsianitis fez 10 em 11 minutos, e sofreu cinco faltas no período.

A França disputa o Mundial sem sua maior estrela, o armador Tony Parker, titular do San Antonio Spurs, que fraturou um dedo em amistoso contra o Brasil, dias antes do início da competição. "A Grécia é um time excelente. Mostrou hoje que é o melhor que o nosso. Talvez Tony fizesse diferença porque teríamos mais consciência, mas não acredito que mudasse tudo, não".

O jogo
O primeiro quarto foi amarrado pela força das duas defesas. A primeira cesta, de Gelabale, para a França, demorou 2min54s para sair. Um pouco mais sólidos, os gregos só permitiram 8 pontos em dez minutos aos franceses, que sofreram 12 no mesmo período.

No segundo quarto, a Grécia mostrou um número maior de alternativas ofensivas eficazes: o pivô titular, Papadopoulos, anotou quatro pontos em "ganchos"; seu reserva, Schortsianitis, só foi parado com falta pelos franceses, e acertou cinco de seis lances livres; Spanoulis fez duas cestas após infiltrações; Diamantidis converteu dois arremessos de três pontos.

Do outro lado, a França sobrevivia dos tiros de três pontos do reserva promovido a titular Jeanneau e das infiltrações de Gelabale. O ala Boris Diaw, do Phoenix Suns, capitão e melhor jogador do time, estava muito marcado, e anotou só quatro pontos na primeira etapa.

A defesa grega fez com que, no primeiro tempo, os franceses só acertassem 11 dos 35 arremessos (31% de aproveitamento). E os atuais campeões europeus não concediam lances livres aos rivais: foram só três tentativas francesas, todas erradas. Já os gregos conseguiram cavar mais faltas quando iam em direção à cesta: 15. E tiveram bom aproveitamento ao cobrar os lances livres, convertendo 12.

Assim, no intervalo, a Grécia vencia a partida por dez pontos, com 34 a 24 no placar.

No terceiro quarto, a França continuou precisando parar Schortsianitis com faltas. Seu pivô principal, Frédéric Weis, teve de ser substituído, pendurado com a quarta falta, na metade do terceiro quarto. No ataque, vivia de arremessos longos por não ter uma tática efetiva para furar o bloqueio grego. Nesse panorama, a vantagem era de 15 pontos a 2min25s do fim do terceiro quarto.

O técnico francês começou a procurar alternativas em seu banco, e colocou em quadra dois jogadores mais atléticos, que pouco vinham atuando no Mundial: o pivô Johan Petro e o armador Joseph Gomis, que entrou buscando as infiltrações. As mudanças fizeram a França jogar mais dentro do garrafão grego e se recuperar na partida.

De 15 pontos, os franceses cortaram a vantagem do rival para oito a dez segundos do fim do terceiro quarto. A Grécia só terminou o período com a mesma vantagem com a qual entrou (dez pontos) porque Antonis Fotsis acertou um arremesso no estouro do cronômetro.

E Fotsis começou o quarto quarto com um chute de três pontos que levou a Grécia a uma vantagem de 13 pontos. Após mais um ataque francês desperdiçado, Spanoulis colocou de novo a diferença em 15 pontos. Minutos depois, Mickael Pietrus diminuiu com uma bola de três pontos, mas Papadopoulos, em mais um "gancho", fez Grécia 60 a 46. E outra conversão de três pontos, desta vez de Spanoulis, fez os gregos abrirem a maior diferença da noite, 17 pontos, a 5min40s do fim da partida.

Precisando da reação, a França começou a marcar pressão-quadra-inteira, mas não conseguiu evitar que os gregos segurassem todas suas posses de bola por mais de 20 segundos e, por vezes, acertassem seus arremessos no último segundo -como foi o caso de Papadopoulos a 4min27s do fim.

A três minutos do fim do jogo, quando a França vencia por 17 pontos, a torcida grega começou a gritar: "France, bon voyage" (França, boa viagem). Os franceses não viajarão tão cedo -disputarão do quinto ao oitavo lugar, a partir desta quinta-feira-, mas a vaga grega na semifinal estava selada.

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