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31/08/2006 - 10h22
"Varejão é um animal, nunca vou perdoá-lo", diz Zisis
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Saitama (Japão)
O hematoma abaixo do olho direito é a seqüela mais aparente da cotovelada que Nikolaos Zisis, 23, recebeu de Anderson Varejão na derrota do Brasil para a Grécia, na semana passada. Mas não é a mais grave: as três fraturas sofridas na pancada tiraram o ala grego de 1,95 m do Mundial, mantiveram-no no hospital por seis dias, farão com que não jogue basquete nos próximos dois meses e alimente um rancor enorme do brasileiro.
"Varejão não é um ser humano, é um animal. Nunca vou perdoá-lo", diz Zisis, que atua no Benneton Treviso italiano e foi o autor do chute de três pontos que deu a vitória à Grécia sobre a Austrália na primeira fase. O ala afirmou agradecer "a Deus" o fato de que a lesão não terá conseqüências permanentes.
Efetivamente, poderia ter sido pior: a força da pancada foi tamanha que provocou não só duas fraturas na face como também quebrou um osso da base do crânio de Zisis, permitindo que entrasse ar na cavidade cerebral, evento que pode até provocar a morte da vítima.
O ala sofreu de diplopia (visão dupla), teve de permanecer por seis dias no hospital e só poderá voltar à Grécia na quarta-feira, três dias após o fim do Mundial, prazo para que viagens de avião sejam liberadas sem riscos. Somente então, se submeterá a uma cirurgia para corrigir o posicionamento dos ossos faciais fraturados.
Antes da partida contra a França, vencida pelos gregos, que enfrentam os EUA na semifinal, o jogador do Benneton Treviso italiano deu a seguinte entrevista ao UOL Esporte:
Você está conseguindo enxergar bem? Minha visão agora está boa. Sem qualquer problema.
Uma semana depois, o que você pensa sobre o incidente? A única coisa que posso pensar desse cara é que ele não é um ser humano, é um animal. Eu só estava jogando basquete e ele me agrediu. Fez de propósito. Agradeço a Deus por só ter de ficar fora de quadra por no máximo dois meses. Não terei nenhum prejuízo permanente, poderei me curar. Agora, não sei o que Anderson Varejão estava pensando naquele momento. Eu nunca vou perdoá-lo.
Ele chegou a te pedir desculpas mais tarde? Me falaram muito que ele é bom-caráter. Estou vendo... Até agora, nem desculpas me pediu. Cadê a alma, o coração dele? O único cara do time brasileiro que eu gostaria de agradecer é o Barbosa (Leandrinho), que perguntou aos meus companheiros de time, aos jornalistas gregos, como eu estava. Mostrou preocupação, quis saber se eu ficaria bem.
E a Confederação Brasileira de Basquete, se manifestou? Alguém foi visitá-lo no hospital ou te procurou depois? Ninguém foi ao hospital, não houve uma palavra, nem mesmo um comunicado oficial, nada. Tudo bem, não me importo. Só espero que no futuro Varejão não fale nada sobre o assunto, que sente muito e isso e aquilo, porque para mim será tudo inútil. Durante o jogo vocês trocaram provocações? O que você disse a ele? Quando ele se atirou ao chão para tentar cavar uma falta de ataque minha, a única coisa que disse, com toda honestidade, foi: "por que você fica se jogando todo o tempo? Você é um jogador da NBA, não precisa disso". E ele me disse, como o próprio Barbosa já declarou: "tente entrar de novo aqui (no garrafão) e você verá quem é o chefe". No basquete, há muitas coisas como estas em todas as partidas. São jogadores muito grandes, fortes e todos querem vencer. Mas o que ele fez é inaceitável, sob qualquer ponto de vista.
A imprensa grega publicou declarações que Leandrinho teria dado, após a partida, confessando que Varejão queria "mostrar ao grego quem era o chefe". À imprensa brasileira, minutos antes de conversar com os gregos, o armador disse que o pivô não teve intenção de machucar o rival.
Você já viu o lance em vídeo? Eu assisti mais de 200 vezes e cada vez que vejo fico com mais raiva. Como ele pôde querer fazer tão mal a mim? Nem mesmo meu pior inimigo faria um negócio desses. Foi muito brutal. Nunca o perdoarei no meu coração.
O que vai acontecer quando vocês se enfrentarem de novo? Com certeza não farei nada. Não sou estúpido. Só sei que nunca vou perdoá-lo. Nunca.
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