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01/09/2006 - 09h00
"Tiago Splitter não escapa da NBA no próximo ano", diz 'olheiro'
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Saitama (Japão)
Jogador mais regular do Brasil no Mundial, o pivô Tiago Splitter, 21, vai jogar na NBA a partir da metade do ano que vem. É o que afirmam um "olheiro" a serviço de um time da liga durante o torneio no Japão, o jogador e Larry Harris, gerente-geral do Milwaukee Bucks, que acompanhou o Mundial e, por força de seu cargo, é bem-informado sobre os bastidores da Liga.
 Destaque no Mundial, Splitter é dado como certo na NBA na temporada 2007-2008 | Sob condição de que seu nome e a equipe para a qual observava atletas no Mundial não fossem revelados, o espião conversou com o UOL Esporte em Hamamatsu, no Japão, no dia em que o Brasil perdeu de Grécia, na penúltima rodada da fraca campanha da seleção na competição -o 19º lugar foi o pior do país em 15 edições do torneio.
"Tiago Splitter não vai escapar da NBA no próximo draft (processo pelo qual os jovens jogadores ingressam na Liga)", diz o espião. "Há muitas equipes que o acompanham há três, quatro anos. E ele está sempre melhorando. Vai estar entre os principais selecionados em 2007, pode escrever".
No Mundial, o especialista em observação de jogadores, que esteve na Copa América-2005, vencida por um Brasil que tinha Splitter como titular, estava encarregado de analisar especificamente o brasileiro, o pivô lituano Robertas Javtokas e outros dois jogadores que preferiu não revelar. "Javtokas já é do San Antonio, mas eles não o aproveitarão, então podemos pensar em uma troca. Os outros dois atletas não são tão conhecidos quanto Splitter, não quero chamar atenção para eles, não. Mas não são brasileiros."
Para ele, o pivô brasileiro é muito ágil e tem um bom arremesso. "Gosto do jeito como ele corre e, para um homem do seu tamanho, cobra bem os lances livres. Ele ainda não é forte o suficiente, mas pode chegar lá. A única coisa que falta, mesmo, em seu jogo para brilhar na NBA, é habilidade ofensiva. Hoje, ele é mais um cara para jogar na defesa", avalia.
 | "Gosto do jeito como ele corre e, para um homem do seu tamanho, cobra bem os lances livres. Ele ainda não é forte o suficiente, mas pode chegar lá. | | |  | Larry Harris, gerente-geral do Milwaukee Bucks
| O brasileiro, que hoje atua na TAU Ceramica espanhola, terceira colocada na Euroliga, iria para o draft neste ano. Entretanto, retirou seu nome pouco antes do prazo final para desistências porque provavelmente não estaria entre os dez primeiros selecionados. Assim, a proposta financeira que receberia não seria suficiente para cobrir o valor do contrato que tem a cumprir com o time espanhol.
"Neste ano, não valia a pena tentar. Além do que será importante mais um ano de TAU. Sou titular, tenho meu espaço, o time é bom. Acho que posso chegar à NBA ainda melhor", afirmou o brasileiro.
Na próxima temporada, o cenário será diferente. Primeiro porque Splitter completará 22 anos, data limite para ingressantes no draft, em 2007. "O ano que vem é o ano em que vou para a NBA, já está decidido. Não poderei tirar meu nome, terei 22 anos. Vamos ver se consigo uma posição boa".
E, segundo, porque o brasileiro provavelmente será um dos nomes mais cobiçados, de acordo também com Larry Harris, gerente-geral do Milwaukee Bucks, que acompanhou em Hamamatsu e em Saitama seus jogadores, o australiano Andrew Bogut, que vai para o segundo ano de NBA, e o turco Ersan Ilyasova, que tem 19 anos e é a nova aposta da equipe.
| CADÊ O MARQUINHOS? |
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O espião que conversou com o UOL Esporte surpreendeu-se com a ausência de três jogadores na seleção brasileira: o ala Marquinhos, do New Orleans Hornets, o pivô JP Baptista, destaque do campeonato universitário americano, e Morro, que chegou a se inscrever para o draft da NBA. "Por que o Marquinhos não foi convocado?", perguntou. "Ele é um jogador que poderia ajudar demais esse time, gosto muito dele.
E JP Baptista? E Morro? Não tinham lugar nesse time?". Para a posição de Marquinhos, a número 3, ou seja, ala, o Brasil viajou ao Japão apenas com Guilherme Giovannoni. O técnico Lula Ferreira optou por levar seis pivôs em vez de um reserva para Guilherme.
Em 2004, Lula e Marquinhos se desentenderam. Alegando uma contusão, o jogador pediu dispensa da seleção. O técnico não gostou e, desde então, nunca mais o convocou. "Enquanto tiver gente como Lula, Guerrinha e Flávio Davis (assistentes-técnicos), não penso em jogar na seleção", declarou Marquinhos em entrevista ao jornal "Lance" em julho. |
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| "Splitter é um excelente jogador e, com quase toda certeza, estará na NBA em 2007", disse Harris ao UOL Esporte. "Tudo o que ele precisa é de tempo para se desenvolver. Jogar mais, adquirir a experiência que só se ganha com o passar dos anos. Não há nenhuma grande falha ou ausência em seu jogo. Não há nada que não possa ser trabalhado".
Alex: difícil Se Splitter está em alta, o ala-armador Alex, também da seleção, que tem 26 anos e chegou a atuar em 2003 no San Antonio Spurs, e em 2004 no New Orleans Hornets, não goza do mesmo prestígio, apesar das dez partidas de NBA que tem no currículo.
Com o fechamento da equipe de Ribeirão Preto, Alex disputou o Mundial sem contrato com nenhum clube, apesar de ter recebido uma proposta do Brasília, na expectativa de que um bom desempenho pudesse lhe garantir uma transferência para a NBA ou para a Europa.
Dois obstáculos foram apontados pelo "olheiro" e por Larry Harris para Alex: a posição de armador, na NBA, é muito concorrida, e o brasileiro não tem um arremesso tão consistente quanto pede a posição.
"Ele é muito atlético, marca muito bem. Mas na posição dele, se não arremessa bem, é complicado. E não é sua característica ser um chutador, o cara que pode resolver partidas com seu chute", diz o espião.
Para ele, o fato de Alex não ter se inscrito em nenhuma "Liga de Verão" (torneios organizados para que as equipes da NBA observem jogadores) neste ano é surpreendente. "A pergunta que tem de ser feita é: ele ainda quer jogar na NBA? Se quer, porque não participou das Ligas? Talvez esteja em uma fase que precisa de dinheiro. E hoje ninguém na NBA vai dar muito dinheiro para ele, não", afirmou.
Já o gerente-geral dos Bucks é mais diplomático. "Gosto dele. É muito forte, tem disposição, e isso é importante. Mas é muito difícil ser um armador na NBA. Há muita disputa e uma porção de bons jogadores para as vagas".
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