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  01/09/2006 - 06h33
Grécia derrota os EUA no Mundial do Japão e pega a Espanha

Da Redação
Em São Paulo

O sonho de retomada do poder dos Estados Unidos ficou para a Pequim-2008. Nesta sexta-feira, o time perdeu para a Grécia por 101 a 95 na semifinal do Mundial do Japão, em Saitama, e vai ter de se contentar em disputar o bronze.

VITÓRIA GREGA
AFP
Gregos comemoram nas ruas de Atenas
AFP
Americanos não acreditam na derrota
AFP
Spanoulis foi o destaque grego em Saitama
ÁLBUM DAS SEMIFINAIS
PÁGINA DO MUNDIAL
POR QUE OS EUA PERDERAM?
Cestinha da partida com 27 pontos, o ala Carmelo Anthony não conseguiu segurar as lágrimas. "Todas as vezes que perdemos um jogo é um choque. Nossa mentalidade era vir e ganhar a medalha de ouro", lamentou.

Os norte-americanos chegaram a liderar a partida por 33 a 21 no segundo período, mas pecaram no final do primeiro tempo, permitiram a virada dos atuais campeões europeus e perderam o controle das ações em quadra.

A Grécia vai enfrentar, na decisão de domingo, a Espanha, que derrotou a Argentina por 75 a 74 na semifinal.

"Eu já tenho uma medalha, mas eu quero a de ouro", afirmou o armador grego Theodoros Papaloukas. "Mostramos que basquete não é apenas driblar e chutar. Neste momento, estamos muito, muito bem", comemorou o técnico Panagiotis Yannakis.

Ciente da força do elenco norte-americano, Yannakis mudou sua equipe e segurou os armadores Theodoros Papaloukas e Vasileios Spanoulis na reserva no primeiro quarto, para ter sempre algum homem de decisão descansado em quadra. A primeira unidade foi liderada pelo armador Dimitris Diamantidis e pelo pivô Lazaros Papadopoulos.

E quando saiu do banco, Spanoulis, que jogará no Houston Rockets na próxima temporada da NBA, mostrou seu cartão de visitas para o público norte-americano.

Marcou nove pontos no primeiro tempo, manteve o ritmo após o intervalo e saiu de quadra como o destaque, com 22 pontos. De quebra, ainda conciliou a marcação em cima do armador Chris Paul em pressão já na saída de bola.

Isso permitiu ao time grego a redução na velocidade da partida, bem ao seu gosto. Controlou o cronômetro e botou o rival no bolso. Na defesa, forçou os norte-americanos a converter seus chutes de três pontos - o que não ocorreu: apenas nove acertos em 28 tentativas, em aproveitamento de 32%.

Os Estados Unidos acumulam agora três grandes torneios de decepções. Caíram nas quartas-de-final do Mundial de Indianápolis-2002 e na semifinal das Olimpíadas de Atenas-2004.

CAMPEÕES OLÍMPICOS CAEM
Reuters
Sergio Hernández, técnico da Argentina, lamenta derrota nos segundos finais para a Espanha na semifinal do Mundial masculino. Comandados por Pau Gasol (19 pontos), os espanhóis passaram à final pela primeira vez na história.
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"É decepcionante, mas eu não ousaria dizer que estamos envergonhados. Estamos orgulhosos dos nossos caras, orgulhosos da maneira como competimos", disse o ala Shane Battier, um dos menos conhecidos do grupo.

Os seguidos fracassos levaram a USA Basketball a traçar um plano de três anos, de olho nos próximos Jogos Olímpicos. Elaborou uma relação de 23 atletas, com astros e coadjuvantes, com o intuito de formar um conjunto - em vez de apenas apresentar um time estrelado, mas desmembrado em quadra. Para comandar a tropa, chamou o aclamado técnico Mike Krzyzewski, mestre do basquete universitário no país.

"Quando começamos isso, sabíamos que seria uma longa jornada, não uma curta viagem", disse o treinador norte-americano, lembrando que o objetivo final é o ouro olímpico em Pequim-2008. "Temos que aprender o jogo internacional melhor", completou.

Na primeira fase, a equipe penou para derrotar a Itália, mas passou por cima dos outros adversários, assim como nas oitavas-de-final contra a Austrália. Nas quartas, a Alemanha brigou pelos dois primeiros quartos, mas seu plantel reduzido permitiu que os Estados Unidos dominassem a segunda metade do confronto. Mas a Grécia tem um elenco mais vasto.

O jogo
Os Estados Unidos começaram com uma defesa individual intensa, forçando estouros de cronômetro e erros dos adversários. Já no primeiro quarto a equipe realizou cinco trocas de jogadores para que a marcação não caísse. A tática deu certo. No meio do segundo quarto, sustentava vantagem de 33 a 21 no placar.

Mostramos que basquete não é apenas driblar e chutar. Neste momento, estamos muito, muito bem
Panagiotis Yannakis

Mas uma série de erros do armador Kirk Hinrich, do Chicago Bulls, acabou custando muito caro. O jogador pulou com a bola sem arremessar, errou um passe e ainda cometeu uma falta na linha de três pontos em cima de Spanoulis: uma seqüência que permitiu que os rivais cortassem a diferença para 33 a 30.

De volta ao jogo e com ânimo elevado, a Grécia passou à frente com oito pontos sem respota e terminou o segundo quarto com 43 a 38 a seu favor. Papaloukas, organizando a equipe no ataque, e o jovem e imenso pivô Sofoklis Schortsanitis, com nove pontos em ataques furiosos à cesta, tiveram grande participação nesta virada.

O intervalo não esfriou a seleção grega, que soube cadenciar o jogo com paciência e eficiência, frustrando qualquer tentativa norte-americana de acelerar a bola.

Os Estados Unidos lutaram até o fim, mas não tiveram poder suficiente para desestabilizar a experiente e confiante Grécia. Nos últimos dois minutos de partida, o time norte-americano forçou o adversário a matar o jogo na linha de lance livre. Os primeiros chutes não caíram, o ala Fotsis chegou a perder uma reposição de bola com a violação de cinco segundos, e o placar chegou a ficar em 97 a 93.

Mas o ala Carmelo Anthony forçou um arremesso de três pontos, os gregos pegaram o rebote e, aí sim, mataram a partida. Os últimos seis lances livres foram convertidos para adiar mais uma vez o sonho norte-americano.

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