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  12/09/2006 - 19h00
"Não tem mais bobo no Mundial", diz Janeth

Giancarlo Giampietro
Em São Paulo

Passado o susto, a seleção brasileira procurou clichês para tentar justificar o jogo apertado contra a Argentina, na estréia no Mundial, nesta terça-feira. O time não perde da adversária sul-americana há 50 anos.

EFE
No final da partida, Janeth entra no garrafão argentino e arremessa marcada.
AFP
Ala foi a cestinha do time, com 14 pontos
"Não tem mais seleção boba no Mundial", afirmou a ala Janeth, 37, com experiência de 20 anos na equipe. A atleta, porém, deixou escapar certa incredulidade. "A Argentina tem que estar muito feliz mesmo. Isso nunca mais vai se repetir."

O técnico Antonio Barbosa assinou embaixo. "Era jogo para ganhar fácil, mas não tem mais bobo. Esperem para ver os jogos das seleções africanas, não há mais jogo fácil", afirmou, em referência a Nigéria e Senegal, consideradas zebras nos grupos C e B, respectivamente.

O treinador considerou a partida uma "aberração", mas, depois, procurou amenizar, afirmando que a seleção argentina "está crescendo". "Não é mais o time que estávamos acostumados a ver. Na preparação, ganhou um amistoso de três contra Cuba, coisa que nunca havia acontecido", disse. "Às vezes a imprensa não dá valor a nossas conquistas no Sul-Americano, achando que tudo é fácil, mas hoje vimos que não é assim."

Já a pivô Alessandra procurou ser mais enfática, mas não deixou de se mostrar atônita ao final da partida. "Isso aqui não é Sul-Americano. Mundial é Mundial, isso vai acontecer em todos jogos. Abrir diferença de dez pontos não vai garantir nada", disse.

Mas a experiente pivô voltou ao terreno comum depois. "Elas mostraram que sabem jogar basquete, que estavam vivas até o final, que isso é uma grande lição para nós", disse.

A jogadora se recordou da estréia da seleção brasileira na Copa América de 1993, também no Ginásio do Ibirapuera, contra a Argentina. "Com Paula e Hortência em quadra, foi um sufoco. Estréia em casa é assim."

Quem também falou em aprendizado foi a armadora Helen, autora da cesta decisiva. "Serve de lição para todo mundo", disse. "Não fomos bem no ataque, principalmente, e também na defesa. Já a Argentina teve muito controle. Eles nos estudaram e vieram como franco-atiradores".

Para Barbosa, o time brasileiro estava "perturbado". "Por muitos momentos, nós não nos achamos em quadra. Jogamos tudo o que podíamos pra baixo", completou.

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