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  13/09/2006 - 14h49
Argentina volta a surpreender e supera a Espanha no Mundial

Giancarlo Giampietro
Em São Paulo

Considerada a mais fraca equipe do grupo A antes da competição, a seleção da Argentina comprovou nesta quarta-feira que o sufoco aplicado diante do Brasil na estréia não foi por acaso, mesmo com sete jogadoras amadoras em seu elenco.

FRANÇA SE CLASSIFICA
AFP
Jogadoras francesas festejam vitória diante das taiwanesas
Depois de surpreender a República Tcheca, atual campeã européia, a seleção da França confirmou nesta quarta-feira o favoritismo diante de Taiwan, em Barueri.

A vitória por 100 a 68 manteve as francesas na liderança do grupo D com quatro pontos e garantiu a sua classificação para a segunda fase do Mundial.

"Jogamos com muito cuidado, usando os nossos pontos fortes. Procuramos não entrar no esquema de jogo delas, baseado na velocidade. Estou muito feliz, mas temos que dar um passo de cada vez, estou pensando no jogo contra Cuba", comentou Alain Jardel, técnico da França.

O grande nome francês diante das taiwanesas foi a ala Sandrine Gruda, que conseguiu 22 pontos, cinco rebotes e duas bolas roubadas. Outra que teve boa atuação foi a pivô Sandra Dijon. Ela dominou o garrafão, apanhando 14 rebotes, seis deles ofensivos.
BRASIL VENCE ARGENTINA
Repetindo a boa atuação defensiva e a disciplina tática do primeiro jogo, as argentinas derrotaram a Espanha por 77 a 64, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.

A equipe espanhola, que vinha de vitória por 30 pontos de diferença sobre a Coréia do Sul (87 a 57), não contou com a força da ala Amaya Valdemoro, sua principal jogadora e cestinha na estréia com 17 pontos. Ela voltou a sentir uma contusão na panturrilha e, com pouca mobilidade, atuou por apenas alguns minutos.

"Acho que foi contraproducente a participação dela. Queríamos poupá-la hoje, mas ela insistiu em jogar", afirmou o treinador espanhol Domingo Diaz.

Sem sua maior referência ofensiva, a Espanha teve dificuldades para escapar da agressiva marcação individual argentina, principalmente nos dois últimos quartos, quando as sul-americanas assumiram o controle do marcador e abriram vantagem.

A cestinha espanhola, Laia Palau, com 20 pontos, reclamou que a defesa adversária estava abusiva. "Foi até suja em alguns lances", afirmou. O técnico argentino retrucou. "Para enfrentar um adversário forte, é necessário jogar com uma defesa forte", disse Eduardo Pinto.

Esta foi a primeira vitória argentina sobre o adversário - terceiro colocado no último Europeu - na história da competição. Antes, Espanha e Argentina haviam se enfrentado duas vezes, ambas com vitória das européias (64 x 45 em 1998 e 97 x 55 em 2002).

O grande nome do triunfo da Argentina foi a pivô Gisella Vega, que conseguiu um "double-double" com 24 pontos e 12 rebotes, além de três assistências. Completando o bom trabalho do garrafão sul-americano, Erica Sanchez fez 15 pontos, pegou três rebotes e deu três tocos.

Atleta do Mallorca, Vega é uma das cinco argentinas que atuam na segunda divisão do basquete espanhol. As outras sete jogam no país, que não possui nem mesmo uma liga nacional.

51%Dois pontos45%
58%Três pontos25%
70%Lances livres74%
30Rebotes29
15Assistências11
19Erros24
30Pontos do banco20
ARGENTINA 77 X 64 ESPANHA
"Espero que nossa campanha aqui sirva para dar incentivo ao basquete feminino na Argentina. A federação nacional tem sempre os rapazes como prioridade, desde a escolha de uniforme até incentivos", disse Vega. "Depois do jogo de ontem, ganhamos confiança e agora vamos lutar até o fim", completou.

O resultado embolou a classificação do grupo A do Mundial. Espanha e Argentina dividem o primeiro lugar com três pontos em dois jogos (uma vitória e uma derrota). O o Brasil vem em segundo lugar com dois pontos e pode assumir a liderança isolada se derrotar a lanterna Coréia do Sul nesta quarta-feira.

Na próxima rodada, que define as três vagas para a segunda fase, a seleção argentina encara a equipe sul-coreana, enquanto espanholas e brasileiras fazem o outro duelo.

O jogo
Empolgadas pela boa vitória sobre a Coréia do Sul, a Espanha começou bem a partida e parecia nem sentir a ausência da ala Amaya Valdemoro. Depois de dominar os primeiros minutos, entretanto, a equipe européia passou a ter dificuldades com a variação defensiva do adversário, que conseguiu equilibrar a disputa e fechar o primeiro quarto em 20 a 20.

As duas equipes continuaram trocando cestas durante a maior parte do segundo período, mas ainda com ligueira vantagem para as espanholas, que praticavam um jogo mais cadenciado e coletivo. Com isso, conseguiram chegar ao intervalo à frente, por 36 a 35.

A reação das sul-americanas começou no terceiro período. Imprimindo uma marcação agressiva e puxando contra-ataques rápidos, o time argentino conseguiu melhorar o seu aproveitamento nos arremessos de quadra e passou à frente no placar.

Espero que nossa campanha aqui sirva para dar incentivo ao basquete feminino na Argentina. A federação nacional tem sempre os rapazes como prioridade, desde a escolha de uniforme até incentivos
Gisella Vega

Quando a estratégia do técnico Eduardo Pinto não funcionava, as jogadoras conseguiam compensar com uma boa pontaria nos arremessos de três pontos (7/12 ou 58%), principalmente com a ala Verônica Soberon, que converteu duas de três tentativas.

A Espanha ainda tentou retomar a frente no final do quarto, quando chegou a estar vencendo por 53 a 50. Nesse momento, uma confusão entre o trio de arbitragem e a mesa que controla o placar quase tomou dois pontos da Argentina.

A árbitra chinesa Ling Peng marcou uma falta fora do lance ao mesmo tempo em que outra jogadora argentina convertia o arremesso. Ela validou os dois pontos, mas mesa não os computou no placar, para desespero de Pinto. Após muita conversa, o erro foi corrigido.

A paralisação esfriou os ânimos das espanholas, que não conseguiram mais se encontrar em quadra no quarto período. Valdemoro até entrou em quadra na base do sacrifício, mas não conseguiu superar a contusão e voltou para o banco quatro minutos depois.

Com isso, a Argentina foi aos poucos abrindo vantagem no marcador e assegurando sua primeira vitória na competição. Ao final da partida, jogadoras e comissão técnica argentinas comemoraram o surpreendente resultado como se fosse um título.

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