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13/09/2006 - 21h03
Lituânia supera "saga" e vence na estréia
Giancarlo Giampietro Em São Paulo
Vôo pela madrugada. Apenas três horas de sono. Dois dias sem ver uma bola de basquete. Desencontro de informação e a ameaça de uma doença. Nada em uma verdadeira saga impediu que a Lituânia estreasse com vitória no Mundial de basquete feminino, nesta quarta-feira, ao bater o Canadá por 84 a 66, em São Paulo, pela segunda rodada do grupo B.
 Devido à confusão, lituanas ficaram presas em aeroporto na Guiana e perderam jogo |  Mas chegaram a tempo de disputar o segundo jogo da primeira fase do Mundial |  E comemoraram a sua volta por cima na vitória sobre as rivais do Canadá | A partida de estréia elas perderam por W.O. para a Austrália, após falharem em chegar ao Brasil em tempo.
"Passamos por muitas dificuldades. Apesar da viagem à noite toda, as jogadoras conseguiram entrar em quadra muito motivadas", disse o técnico Algirdas Paulauskas.
Para evitar qualquer problema de cansaço no final da partida, a equipe já a definiu praticamente no primeiro tempo, vencido por 46 a 22. "Elas jogaram muito bem coletivamente, entusiasmadas", disse a treiandora canadense, Allison McNeill.
Antes de rumarem para a sede do Mundial, vindas de Martinica, no Caribe, onde enfrentaram a França em amistosos, as lituanas fizeram uma escala no sábado na Guiana Francesa, sem saber da exigência de uma vacina contra a febre amarela para entrar no país. Com isso, ficaram impedidas de seguir para Belém.
Aturdidos, os representantes da delegação lituana entraram em contato com o presidente da CBB (Confederação Brasileira de Basquete), Gerasime Bozikis, no domingo para comunicar o problema, quando foram impedidos de sair do aeroporto paraense. "A partir daí, não parei com o telefone. Desesperado era pouco para o ânimo deles, ficaram preocupadíssimos com a situação no campeonato".
O cartola procurou o ministro dos Esportes, Orlando Silva, que acionou o ministro da Saúde, Saraiva Felipe. Apenas a intervenção do ministério conseguiu autorizar a entrada da delegação lituana em solo brasileiro.
"Conseguimos enviar uma carta do ministro na segunda-feira, mas da Guiana para cá só tem um vôo, então elas só puderam viajar para Belém na terça-feira", disse Grego. "Elas estavam em uma área de risco, não é fácil liberar. O pessoal de Belém estava certo, não quis assumir a responsabilidade e esperaram a ordem."
O time, porém, só conseguiu deixar o Pará na madrugada desta quarta-feira, depois de perderem o vôo da tarde de terça devido a um outro incidente. À caça de duas mulheres, que supostamente carregavam cocaína, a Polícia Federal acabou interditando o embarque no avião, e as lituanas foram barradas pela confusão.
Apenas em dois vôos, à 1h30 e às 2h30 desta quarta-feira, que a seleção da Lituânia, enfim, se direcionou a São Paulo. Naturalmente, só depois de uma escala em Brasília. "Elas chegaram ao hotel apenas às 9h. Aí puderam fazer uma boa refeição, depois de dois dias sem comerem direito. Após o café da manhã, dormiram por três horas", disse a assessora do consulado lituano em São Paulo, Silvia Minconi.
Segundo Minconi, que será a intérprete do elenco durante a competição, as lituanas sofreram na Guiana Francesa. "Elas ficaram horrorizadas pela pobreza do local - mudaram de hotel duas vezes. E ficaram assustadas. Em princípio, não estavam preocupadas com a febre amarela. Mas, depois de muitos alarmes, ficaram desconfiadas e preocupadas."
Depois de breve entrevista coletiva, a delegação lituana arrumou suas malas rapidamente e deixou o ginásio.
"Agora o principal é que se recuperem dessa aventura e do esforço que fizeram em quadra", disse o técnico Paulauskas.
Nesta quinta-feira, ainda no ginásio do Ibirapuera, o time joga com Senegal pelo complemento do grupo B. A sexta-feira, enfim, é de folga.
Austrália avança
Após o W.O. contra a Lituânia, que lhe rendeu um magro placar de 2 a 0, a Austrália estreou nesta quinta-feira no Mundial, contra Senegal. E aplicou a segunda maior "lavada" do torneio, com 95 a 55. Os 40 pontos de diferença só são superados pelos 47 que os Estados Unidos colocaram na China, na primeira rodada.
A musa australiana Lauren Jackson foi a cestinha, com 31 pontos anotados. Ela converteu todos os seus dez arremessos de dois pontos, mas acertou apenas um chute de cinco de três pontos. Aya Traore fez 17 pontos para as africanas, que perderam do Canadá na terça.
Com duas vitórias, a equipe da Oceania, que é candidata ao título e pega o Canadá nesta quinta, está classificada para a segunda fase.
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