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  14/09/2006 - 16h55
Brasil perde para Espanha, e Argentina fecha fase na liderança

Giancarlo Giampietro
Em São Paulo

Em seu primeiro jogo contra um adversário de ponta, a seleção brasileira feminina sofreu sua primeira derrota. Perdeu para a Espanha por 67 a 66, nesta quinta-feira, em São Paulo, e viu a desacreditada Argentina, dona do melhor saldo de cestas, avançar para a segunda fase como a líder do grupo A.

CENAS DA PARTIDA
AFP
Adrianinha marca a espanhola Aguilar no começo da partida no Ibirapuera, em SP
AFP
Duas jogadoras da Espanha tentam tirar a bola de Adrianinha na derrota brasileira
Flávio Florido/Folha Imagem
Janeth comemora ponto na partida que acabou com a invencibilidade brasileira
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Na segunda fase, Argentina, Brasil e Espanha enfrentarão os três primeiros colocados do grupo C, com a Austrália já classificada.

As equipes carregam para a segunda fase os resultados dos jogos disputados entre elas, ou seja, Argentina, Brasil e Espanha entram no grupo com duas vitórias e uma derrota. Os quatro primeiros colocados ao fim da segunda fase passam às quartas-de-final, em fase de mata-matas.

Nesta quinta, uma cesta de três pontos da armadora Helen a pouco mais de um minuto para o fim cortou pela metade a vantagem de seis pontos das européia e incendiou o ginásio do Ibirapuera. A 37s, a ala Janeth sofreu falta na linha de três pontos. Converteu os três e empatou a partida em 66 a 66. Mas um lance livre de Palau na seqüência deu a vitória às espanholas.

O Brasil teve ainda uma última posse de bola. E em três tentativas a seleção reclamou de falta da pivô Eva Montesdecoa. Como a arbitragem nada marcou, as espanholas saíram vencedoras.

Sentindo o equilíbrio e a importância do jogo, Antonio Carlos Barbosa diminuiu suas rotações e deixou em quadra apenas três reservas no pimeiro tempo - Adrianinha, Kelly e Micaela, que teve papel de destaque na defesa, usando sua capacide atlética e força física.

Mas, no quarto período, justamente nos momentos de decisão, ele colocou Cíntia Tuiu pela primeira vez em jogo, no lugar de Êga. Deixou Alessandra e Iziane fora por muito tempo e Janeth, em má tarde (errou dez de 11 arremessos), em ação. A Espanha, que havia perdido do Brasil no último sábado por 18 pontos - sem contar com sua estrela Amaya Valdemoro -, aproveitou as incoerências e assegurou-se na liderança.

"Acho que as trocas foram boas, bem feitas. A Alessandra estava com três faltas. Não perdemos por causa disso", afirmou o treinador, que não soube explicar, no entanto, a razão da derrota. "Se tudo tivesse explicação, seria fácil. Mas temos de ser uma equpe melhor."

O revés da seleção veio justamente diante de seu melhor público. A CBB (Confederação Brasileira de Basquete) cumpriu a promessa e levou mais escolares para o ginásio. Dessa vez, enfim, todos os setores receberam público. O anel inferior ficou praticamente tomado.

O jogo
A Espanha, recomposta da derrota para a Argentina, colocou a ala Valdemoro em quadra, no sacrifício, com uma lesão na panturrilha direita. A jogadora usou uma proteção no lugar, mas se mostrou sem total modalidade. Ainda assim, terminou como a cestinha da partida, com 19 pontos - acertou apenas um de oito arremessos de três pontos.

38,3%Dois pontos40%
37,5%Três pontos37,5%
63,2%Lances livres66,7%
47Rebotes27
13Assistências12
22Erros13
BRASIL 66 X 67 ESPANHA
A mera presença da ala, no entanto, acabou abrindo espaço para Elisa Aguilar (15 pontos em cinco chutes de longa distância) e Laia Palau (13 pontos)punirem a defesa brasileira com arremessos de três pontos.

O Brasil falhou em tirar da equipe adversária esses arremessos no primeiro tempo e, ao mesmo tempo, também permitiu um festival de cestas debaixo de sua tabela. A pivô Eva Montesdeoca recebeu diversas bolas limpas - fez quatro em cinco.

"Tomamos 40 pontos no primeiro tempo, isso não pode acontecer", disse a pivô Êga.

Isso permitiu um controle de jogo à seleção espanhola nos primeiros 20 minutos. O Brasil apenas corria atrás. E só conseguiu se manter em jogo graças a uma forte atuação no rebote ofensivo - foram 11 capturados, seis pela pivô Alessandra. Com um baixo aproveitamento de dois pontos (apenas 40% convertidos), o time foi salvo pelas segundas chances.

O primeiro tempo, no entanto, terminou zerado para o Brasil, com empate de 40 a 40, quando a ala Micaela desarmou Valdemoro nos segundos finais. Adrianinha ficou com a bola e lançou em contra-ataque para a ala, que conseguiu fazer a bandeja antes do estouro do cronômetro.

A boa marcação no primeiro tempo deu a Micaela a vaga de "titular" no segundo tempo, no lugar da desajustada Janeth.

Assim como na partida da véspera, a seleção acabou voltando para quadra do intervalo mais ligada. Dessa vez, defendendo por zona e atacando com mais precisão - acertou seis de seus primeiros nove arremessos de dois pontos. A defesa por setor impediu que as espanholas voltassem a pontuar no garrafão brasileiro.

No fim do terceiro período, Barbosa tirou Iziane e Alessandra de quadra para descansá-las. O Brasil tinha apenas dois pontos de vantagem: 57 a 55. Mas demorou para recolocá-las em jogo. Iziane só voltou com 6min no cronômetro, com placar em 60 a 60.

A Espanha assumiu o comando na posse de bola seguinte, após erro de Janeth que permitiu contra-ataque. A veterana foi tirada de quadra na seqüência, para entrar Adrianinha. Alessandra seguiu no banco.

A pivô só retornou com 4min40s para o fim, após pedido de tempo brasileiro. A Espanha disparava no placar, com 66 a 60.

Os dois times, entretanto, passaram a errar bastante no ataque. A reação do Brasil só aconteceu nos minutos finais, mas foi insuficiente para manter a invencibilidade na competição.

"Acho que o público presente pode presenciar um espetáculo magnífico. Quem estava no banco, sofreu. Mas quem estava de fora viu um grande espetáculo. Mostramos a melhor Espanha, para um ginásio cheio", avaliou o treinador espanhol, Domingo Diaz.

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