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15/09/2006 - 07h37
Novata dos EUA é esperança de enterradas no Mundial feminino
Giancarlo Giampietro e Vicente Toledo Jr. Em São Paulo
Jogada mais plástica do basquete, a enterrada foi vista pouquíssimas vezes em jogos femininos. Mas isso está prestes a mudar, e a responsável por isso é a norte-americana Candace Parker, 20 anos de idade, jogadora mais jovem da seleção dos EUA que disputa o Mundial no Brasil.
| A RAINHA DAS ENTERRADAS |
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 UOL Esporte - Acho que você já deve ter ouvido essa pergunta várias vezes, mas é verdade que você consegue enterrar? Candace Parker - (Risos). Sim, eu consigo.
UOL Esporte - Você faria isso em um jogo aqui? Você tentaria uma enterrada se tivesse oportunidade? CP - Eu não sei. Essa é uma decisão que eu teria que tomar na hora. Vai depender muito da situação da partida.
UOL Esporte - Se você ficasse livre em um contra-ataque, por exemplo? Eu não sei, não tenho certeza. Depende muito da situação do jogo. Eu não quero colocar o meu time em risco por causa disso.
UOL Esporte - A torcida gosta muito de enterradas. Você não acha que seria bom para o basquete feminino ter mais jogadas como essa? Ou será que as outras jogadoras não ficariam tão contentes assim? CP - Eu espero que sim. Seria muito legal ver mais enterradas, mas estou contente com o basquete que nós mulheres estamos jogando agora. Acho que já é bastante legal do jeito que está.
UOL Esporte - Como foi esse campeonato de enterradas que você venceu? Foi divertido, foi uma ótima experiência. Foi em um evento do "All American Games" de 2004, quando eu ainda estava no basquete colegial. Passei momentos muito bons naquele torneio.
UOL Esporte - E você estava competindo contra homens. Como eles se sentiram ao serem derrotados por uma garota? Eu não sei, acho que não gostaram muito (risos). Mas todos eles me cumprimentaram pela vitória e ficaram felizes por mim.
| Única das 12 atletas que não atua na WNBA - a liga profissional norte-americana -, Candace, de 1,93 m de altura, ficou famosa em seu país ao se tornar a primeira mulher a vencer um campeonato de enterradas, em 2004, durante evento que reuniu os melhores jogadores colegiais do país.
Para ficar com o troféu, ela derrotou cinco homens, entre eles Rudy Gay, ala que vai estrear na NBA na próxima temporada pelo Memphis Grizzlies e com passagem pela seleção sub-21, e JR Smith, que se disputou sua segunda temporada pelo New Orleans Hornets e foi recentemente contratado pelo Denver Nuggets do brasileiro Nenê.
Mas ela não parou por aí e continuou fazendo história no basquete universitário. Jogando pela Universidade do Tennessee, Candace enterrou duas vezes na partida de abertura da equipe na temporada 2006 da NCAA.
A partir daí, sua história atravessou o planeta e a transformou no pesadelo das outras jogadoras. "Ela costuma tentar enterrar nos jogos. Mas em cima de mim eu não deixaria", disse em tom bem-humorado a estrela australiana Lauren Jackson, que atua no Seattle Storm da WNBA.
Estreando na seleção dos EUA em competições internacionais, porém, a novata é cautelosa. Ela diz não ter conversado com a técnica Anne Donovan sobre o assunto, mas evita prometer uma enterrada para esse Mundial, pois teme colocar em risco o bem de sua equipe (veja o quadro).
Donovan, entretanto, não a levou para a seleção por causa das enterradas. Candace Parker é uma jogadora versátil. Atuando principalmente como ala e pivô, ela tem uma habilidade impressionante para marcar pontos e vem mostrando ser capaz de defender algumas das jogadoras mais fortes do planeta.
"Ela é uma jogadora que pontua bastante no ataque, sabe jogar dentro do garrafão e foi muito bem na defesa marcando as pivôs russas, que são muito altas. Mesmo sendo muito jovem, já é uma peça importante em nossa equipe e vai se tornar ainda mais importante à medida que for ganhando experiência", comentou a treinadora dos EUA.
A carreira de Candace no basquete colegial lembra a de outro fenômeno norte-americano, embora homem, que hoje é uma estrela internacional - LeBron James. Defendendo a Naperville Central High School, ela foi eleita duas vezes a melhor jogadora colegial dos EUA pelo jornal "USA Today" (2003 e 2004). Em 121 jogos na escola (119 como titular), teve médias de 22,9 pontos e 13,2 rebotes.
Após passar por duas cirurgias no joelho no final de 2004, a jogadora estreou na Universidade do Tenesssee na temporada 2005-2006, levando sua equipe a uma campanha de 31 vitórias e cinco derrotas, ao título da conferência sudeste e ao grupo das oito melhores da NCAA. Com médias de 17,3 pontos, 8,3 rebotes e 2,9 assistências, Candace foi eleita a melhor caloura da conferência.
Enfim, ela é uma das grandes promessas do basquete feminino norte-americano para o futuro e está sendo preparada desde já para assumir o lugar de estrelas como Sheryl Swoopes, Lisa Leslie e Tina Thompson, que estão próximas da aposentadoria.
"Elas realmente me puseram embaixo de suas asas, estão me mostrando tudo o que aprenderam durante seu tempo na seleção. Está sendo uma experiência ótima", contou Candace, revelando que ser fã de muitas de suas atuais companheiras.
"Eu sempre gostei muito de assistir aos jogos de Tina Thompson e Sheryl Swoopes ganhando títulos da WNBA pelo Houston Comets. E gosto muito de Tamika Catchings e Michelle Snow, que jogaram na mesma universidade em que estou agora (Tenessee)", disse a jogadora, que estreou na seleção principal dos EUA em abril deste ano, sendo a maior cestinha do time em um torneio amistoso na Austrália (18 pontos por jogo).
Seu objetivo agora é segurar a chance de se firmar na equipe, começando por ajudar os EUA a conquistarem o tricampeonato mundial no Brasil. Depois, completar mais um ano na universidade e entrar na WNBA.
"Isso é tudo o que eu sempre sonhei. Eu me lembro da equipe que ganhou o Mundial em 1990, acho que é a minha primeira recordação de um jogo de basquete. Então eu me sinto muito honrada por poder estar aqui hoje", completou.
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