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  18/09/2006 - 19h18
França perde da China e sai do caminho do Brasil no Mundial

Vicente Toledo Jr.
Em Barueri (SP)

Em uma partida decidida nos segundos finais, a China derrotou a França por 66 a 64, nesta segunda-feira, no ginásio José Corrêa, em Barueri. O resultado não foi suficiente para classificar as asiáticas para as quartas-de-final - elas precisavam de uma diferença superior a 14 pontos -, mas acabou rebaixando as francesas para a quarta colocação no grupo F e tirando-as do caminho do Brasil.

Reuters
Celine Dumerc, da seleção francesa, reage após a derrota para a China no Mundial
Rússia, França e China terminaram em um trílice no terceiro lugar com nove pontos (três vitórias e três derrotas). Por isso, a decisão das colocações foi para o saldo de pontos nas partidas disputadas entre as equipes. As russas levaram vantagem por terem vencido as chinesas por 20 (86 a 66) e perdido para as francesas por 10 (74 a 64). Com a derrota desta segunda, a França somou oito de saldo, enquanto a China terminou com 18 negativos.

Na próxima fase da competição, a equipe francesa enfrentará a invicta Austrália, que foi a vencedora do grupo E com 12 pontos (seis vitórias em seis jogos). Já o time chinês disputará o torneio de consolação, que define do 9º ao 12º lugares. Apesar disso, o técnico da China, o australiano Tom Maher, ficou satisfeito com o desempenho de suas jogadoras.

"Tentamos buscar a diferença que nos daria a classificação, mas fizemos algumas más jogadas no terceiro quarto e não conseguimos escapar no placar. Cometemos muitos erros porque ainda não sabemos como enfrentar equipes tão físicas. Elas correram mais do que a gente", comentou Maher, lembrando que esse grupo está sendo preparado para s Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.

"Melhoramos muito durante o torneio. Na China, essas jogadoras nunca haviam jogado sob tanta pressão como enfrentaram hoje. Foi uma grande experiência para o time. Elas estão de parabéns porque mostraram uma maturidade que eu não sabia que elas tinham", completou. "Tenho que estar feliz porque mostramos que podemos jogar no mesmo nível de equipes como França, Espanha e Cuba".

Depois de surpreenderem rivais poderosos como República Tcheca e Rússia, os franceses caíram de produção e sofreram sua segunda derrota consecutiva. Para o técnico Alain Jardel, a equipe entrou em quadra relaxada por já ter sua classificação garantida e se preocupou mais em evitar uma vitória chinesa por mais de 14 pontos.

"Estávamos muito preocupados com a pontuação. Foi a China quem buscou a vitória o tempo todo e mereceu a vitória. Eles têm uma boa equipe, que joga um basquete de estilo próprio e vai dar muito trabalho em 2008", comentou Jardel.

"Entramos em quadra achando que ia ser fácil, mas não encontramos a liberdade para jogar que esperávamos. Não tivemos a mesma confiança de jogos anteriores, e elas fizeram uma grande partida", disse a armadora Audrey Gillespie, um dos destaques da França com 11 pontos, três rebotes e uma assistência.

O grande nome da partida foi a armadora chinesa Miao Lijie, com 23 pontos, três rebotes e três assistências. Outra que teve boa atuação no time asiático foi a pivô Chen Nan, com 10 pontos e sete rebotes. Pela equipe francesa, a cestinha foi Emilie Gomis, com 14 pontos.

O jogo
A seleção francesa entrou em quadra classificada, enquanto a equipe chinesa precisava vencer por uma boa diferença de pontos para sobreviver no torneio. E isso se refletiu no desempenho das duas seleções desde o início da partida.

Mostrando mais interesse, a China começou melhor e assumiu o controle do marcador. A França se manteve próxima e passou à frente no final do primeiro quarto (20 a 18).

O panorama do jogo continuou favorável às asiáticas no segundo período, mas o excesso de erros da equipe, principalmente da armadora Miao Lijie (um total de oito na partida), permitiu nova reação das européias. Com uma cesta de três pontos no último segundo, a França voltou a virar o placar e foi para o intervalo dois pontos à frente (32 a 30).

No retorno dos vestiários, a China conseguiu impor o seu ritmo de jogo e retomou a liderança. E com uma seqüência de nove pontos contra nenhum do rival, abriu vantagem de dez pontos na metade do terceiro período, a maior de todo o jogo.

"Tivemos uma boa margem de pontos no placar, mas a perdemos por nossas próprias falhas técnicas. A necessidade de fazer uma diferença não foi pressão ou distração para a gente", lamentou a chinesa Bian Lan.

O risco de uma eliminação precoce acordou a equipe da França, que iniciou uma reação ainda no terceiro quarto e entrou no último período perdendo por seis pontos (49 a 43). Aos poucos, as francesas foram encostando no marcador até que cortaram a desvantagem para apenas dois pontos (66 a 64) quando faltavam apenas cinco segundos para o final da partida.

No momento decisivo, porém, as européias só pensavam em evitar a prorrogação. "Não queríamos levar o jogo para a prorrogação porque elas teriam outra chance de abrir os 15 pontos de vantagem de que precisavam. Por isso, tentamos a bola de três pontos. Mesmo que elas nos passassem a bola de graça embaixo da cesta nós arremessaríamos de três pontos", contou a armadora Gillespie.

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