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20/09/2006 - 14h42
Rússia supera Espanha e goteiras para disputar 3ª semi seguida
Giancarlo Giampietro e Vicente Toledo Jr. Em São Paulo (SP)
Recuperando-se do desempenho irregular mostrado nas duas primeiras fases do Mundial feminino, a Rússia derrotou a Espanha por 60 a 56 na abertura das quartas-de-final da competição, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.
 Goteiras no ginásio do Ibirapuera prejudicam duelo entre Rússia e Espanha | Vice-campeãs nas duas últimas edições do evento, as russas disputarão as semifinais pela terceira vez consecutiva. E o próximo adversário deverá ser justamente os Estados Unidos, para quem perderam os títulos em 1998 e 2002.
As norte-americanas fazem o último jogo desta quarta-feira diante da Lituânia. As vencedoras se enfrentam já nesta quinta, em duelo marcado para as 19h45. Já a Espanha pega o perdedor às 17h30 para continuar sonhando em repetir o quinto lugar obtido em 1998 e 2002.
A cestinha do jogo foi a espanhola Amaya Valdemoro, com 21 pontos, só que o talento individual da ala não foi páreo para o melhor conjunto da Rússia, que teve quatro jogadoras anotando mais de dez pontos - Ilona Korstin (14 pontos e oito rebotes), Maria Stepanova (14 pontos e 10 rebotes), Natalia Vodopyanova (14 pontos e sete rebotes) e Tatiana Shchegoleva (12 pontos).
Mas Amaya Valdemoro e suas companheiras não foram as únicas adversárias das russas no ginásio do Ibirapuera. Com a chuva forte que caiu em São Paulo no início da tarde, pelo menos quatro goteiras molharam a quadra a partir do terceiro quarto, causando escorregões das jogadoras, irritação de técnicos e vaias da torcida.
"Estava muito perigoso, mas tivemos de jogar. Estávamos assustadas", afirmou a armadora Nuria Martínez. "Foi terrível. A sorte é que ninguém se machucou. Mas muitas jogadoras caíram", disse a ala Natalia Vovopynova.
A principal vítima foi a armadora espanhola Laia Palau, que sofreu uma queda feia no início do quarto período e por muito pouco não se machucou seriamente. As goteiras, que também atingiram a tribuna de imprensa, têm sido uma das maiores dores de cabeça para a criticada organização do evento.
"Basquete não é que nem futebol, em que se pode jogar com chuva. Um Campeonato Mundial não pode ser realizado nessas condições. Foi muito perigoso", disse o técnico russo, Igor Grudin. "Além disso, em um lance, uma das minhas jogadoras escorregou, a arbitragem não viu, e a Espanha conseguiu a cesta no contra-ataque. Não podemos jogar assim."
Grudin, no entanto, afirmou que não vai fazer uma reclamação oficial com a organização do torneio. "Vamos procurar esquecer isso."
Já o treinador espanhol, Domingo Diaz, preferiu usar um pouco de humor para avaliar a situação. "Talvez tenha chovido porque São Pedro chorou por nossa derrota. É uma lástima, mas é um caso de má sorte."
Segundo reportagem publicada nesta quarta pelo jornal Folha de S.Paulo, a Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer gastou R$ 174 mil para realizar obras de impermeabilização em quatro pontos de vazamento encontrados na cobertura do ginásio. Mesmo assim, o problema continua.
O jogo Marcando bem as principais jogadoras da Rússia, especialmente dentro do garrafão, a Espanha começou melhor a partida e dominou os primeiros minutos, abrindo 9 a 4 no placar.
| 46,3% | Dois pontos | 31,7% |
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| 0% | Três pontos | 40% |
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| 83,3% | Lances livres | 60% |
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| 39 | Rebotes | 25 |
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| 9 | Assistências | 14 |
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| 20 | Erros | 14 |
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| 0 | Pontos do banco | 2 |
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| RÚSSIA 60 X 56 ESPANHA |
| As russas ainda diminuíram para 9 a 8 em um rebote ofensivo da armadora Ilona Korstin, mas não conseguiram reverter o bom momento das rivais, que voltaram a se distanciar e fecharam o primeiro período em 21 a 11.
A partir do segundo período, a Rússia também acertou a defesa, o que deixou o jogo truncado. Durante quatro minutos, somente as russas fizeram cestas, e o marcador foi para 21 a 15.
"Começamos o jogo muito devagar. Mas mudamos nosso comportamento, passamos a marcar com mais força e voltamos para o jogo. Nosos adversários atuaram com muita emoção em quadra, o que compensou suas fraquezas", disse Grudin.
A Espanha só anotou seu primeiro ponto no quarto depois de seis minutos, facilitando a reação russa. Em um contra-ataque completado pela pivô Maria Stepanova, a Rússia passou à frente (23 a 22).
Valdemoro ainda tentou manter sua equipe na liderança com uma bola de três pontos (27 a 25), mas Korstin e Stepanova fizeram a seleção russa ir para o intervalo com uma vantagem de quatro pontos (31 a 27).
O roteiro do terceiro quarto foi idêntico ao do período anterior. Apenas os papéis se inverteram. A defesa espanhola voltou a funcionar melhor, limitando o ataque russo a somente seis pontos durante dez minutos.
Com uma cesta da armadora Palau, a Espanha voltou a comandar o marcador em 35 a 33. E um arremesso de três pontos perfeito de Aguilera no último segundo deu às espanholas uma vantagem de cinco pontos no fim do quarto (46 a 41).
A maior experiência das russas, entretanto, fez a diferença no momento decisivo. A pivô Natalia Vodopyanova desequilibrou dentro do garrafão, fazendo justamente o que a Espanha vinha conseguindo evitar durante toda a partida.
"Foi um final de jogo muito nervoso, mas conseguimos nos equilibrar mais. Demos o máximo", disse Grudin.
Faltando cerca de dois minutos para o final, ela converteu uma cesta e sofreu falta, virando o placar para 54 a 53. Nervosas, as espanholas desperdiçaram o ataque seguinte após uma penetração precipitada da armadora Palau.
A Rússia aproveitou a chance e converteu dois contra-ataques consecutivos, abrindo cinco pontos de frente (58 a 53). Valdemoro ainda descontou com uma cesta de três pontos, mas dois lances livres de Vodopyanova nos segundos finais definiram o placar em 60 a 56.
"Parabenizo minhas atletas pela dedicação durante toda a partida. Enfrentamos jogadoras muito altas. Infelizmente não conseguimos avançar", afirmou Diaz. "Temos de evoluir", completou Martínez.
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