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  20/09/2006 - 16h51
Torcida joga junto, e Brasil elimina campeãs européias do Mundial

Giancarlo Giampietro e Vicente Toledo Jr.
Em São Paulo (SP)

Contando com o apoio da torcida que havia pedido, a seleção brasileira passou bem pela República Tcheca e garantiu sua presença na semifinal do Mundial feminino, ficando a uma vitória da medalha. Jogando com raça, sobretudo na defesa, o Brasil derrotou as atuais campeãs européias por 75 a 51 no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.

A VITÓRIA BRASILEIRA
Caio Guatelli/FI
Alessandra briga pela posse de bola no 1º quarto, que foi equilibrado
Caio Guatelli/FI
Helen foi bem na armação, mas
não jogou na disparada do Brasil
Caio Guatelli/FI
Êga vibra após atuação destacada no segundo quarto contra as tchecas
EFE
Janeth, mesmo contundida, segurou a dor em seu 150º jogo na seleção
PÁGINA DO MUNDIAL FEMININO
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QUAL O FUTURO DO BRASIL?
ÊGA: "TRABALHO SUJO"
DE NOVO BRASIL X AUSTRÁLIA
"Estivemos alertas desde o começo. Sabíamos que precisávamos jogar bem o tempo todo para diminuir as chances da República Tcheca. A pressão da nossa defesa sobre elas funcionou bem e nos deu uma vantagem tranqüila no placar", comemorou a ala Iziane, principal cestinha da partida com 23 pontos.

A veterana Janeth, que era dúvida por causa de uma lesão no tornozelo, teve uma atuação de gala com 15 pontos, dez rebotes, quatro roubadas e três assistências. Pela República Tcheca, o destaque foi a armadora Hana Machova, com 10 pontos.

Fora da quadra, quem fez a diferença a favor do Brasil foi o público, que não chegou a lotar totalmente o Ibirapuera, mas fez barulho suficiente para assustar as visitantes. "Foi uma coisa bonita de ver e, em alguns momentos, até um pouco assustadora", comentou a armadora Marketa Mokrosova.

"Acho que subestimamos um pouco a atmosfera do jogo e o fato de o Brasil jogar em casa. Você se sente mal quando comete um erro e a torcida comemora. Isso afeta o moral da equipe, e o Brasil soube tirar proveito", opinou Lubor Blazek, auxiliar técnico da seleção tcheca.

"A torcida brasileira é entusiasmada, mas você tem que fazer ela se empolgar com a equipe e estamos conseguindo fazer isso porque estamos fazendo uma campanha maravilhosa no torneio, com exceção da estréia contra a Argentina", opinou o técnico Antônio Carlos Barbosa.

Este foi o primeiro encontro entre Brasil e República Tcheca em Mundiais. Antes, as brasileiras haviam enfrentado a antiga Tchecoslováquia três vezes (em 1957, 1964 e 1971) e perdido todas. Mais recentemente, a seleção jogou duas vezes contra a Eslováquia, o outro país originado do desmembramento, perdendo uma (1994) e ganhando outra (1998).

O próximo adversário das brasileiras na competição será a Austrália, medalha de prata nas últimas Olimpíadas, que eliminou a França com uma vitória por 79 a 66. Brasil e Austrália já se enfrentaram na segunda fase, e as visitantes levaram a melhor por 82 a 73.

Mesmo que não vença mais nenhuma partida, a seleção brasileira já igualou o seu melhor desempenho desde 1994, quando foi campeã. Em 1998, o Brasil caiu na semifinal diante dos EUA e perdeu o bronze para a Austrália, terminando em quarto lugar. Há quatro anos, a equipe não passou da sétima colocação.

As brasileiras voltam à quadra do ginásio do Ibirapuera nesta quinta-feira, novamente às 15h15, por uma vaga na decisão da medalha de ouro. Na outra semifinal, a Rússia enfrentará o ganhador da partida entre EUA e Lituânia.

"Sou carioca e todo carioca gosta de uma boa festa, por isso adorei o que a torcida fez aqui hoje. Espero que a gente possa entrar bem de novo amanhã e, com o apoio da nossa torcida, vencer outra vez", afirmou Érika.

O jogo
O time brasileiro havia pedido a ajuda da torcida, e ela atendeu. Mesmo não lotando o ginásio do Ibirapuera, o público empurrou as jogadoras, que começaram a partida em ritmo alucinante.

44,4% Dois pontos34,8%%
33,3%Três pontos20%
54,5%Lances livres44,4%
45Rebotes34
11Assistências6
14Erros16
17Pontos do banco21
BRASIL 75 X 51 REPÚBLICA TCHECA
As tchecas fizeram os primeiros dois pontos, mas o Brasil respondeu com duas cestas de três (Helen e Iziane) e um contra-ataque rápido, abrindo seis de frente (8 a 2). A defesa individual criou problemas para a cadenciada ofensiva européia, que demorou a engrenar.

Quando a República Tcheca finalmente entrou no jogo, após uma cesta de três de Eva Vitecková que cortou a diferença para dois pontos (13 a 11), a equipe brasileira passou a explorar as pivôs Alessandra e Êga dentro do garrafão.

Com duas jogadas consecutivas de Êga, uma delas apanhando o rebote ofensivo no meio das gigantes tchecas, o Brasil voltou a se distanciar (19 a 13). Nos segundos finais, entretanto, o time bobeu, permitiu três rebotes ofensivos das adversárias, que empataram no final do primeiro quarto (19 a 19).

Para alívio da torcida, o vacilo foi apenas momentâneo. As brasileiras voltaram para o segundo período ainda mais dedicadas na defesa e impediram as tchecas de passarem à frente no marcador.

Agora jogando ao lado de Érika, que substituiu Alessandra, Êga deu três assistências para a companheira converter embaixo da cesta. Roubando bolas na defesa, Iziane usou os contra-ataques para colocar o Brasil 16 pontos à frente (35 a 19).

Atordoada, a seleção tcheca teve que enfrentar também as goteiras, que derrubaram a ala Jana Vesela na metade do quarto. O jogo foi paralisado para a secagem da quadra, mas foi retomado minutos depois.

Janeth, até então sumida na partida, anotou seus dois primeiros pontos para fazer 37 a 20. Nos segundos finais do primeiro tempo, ela voltou a sofrer falta, desta vez em tentativa de três pontos, e definiu o placar de 46 a 28 no intervalo.

Duas torções de tornozelo preocupavam a seleção brasileira. Mas o desempenho da ala Janeth e da pivô Érika contra a República Tcheca, fez parecer que os jogadoras não tinham nenhum tipo de problema no pé.

"A Janeth é uma garota muito forte, com uma condição física privilegiada. Ela nunca me preocupou porque foi uma torção leve e eu sabia que ela jogaria de qualquer jeito. Quem preocupava mais era a Érika, mas as duas jogaram bem e provaram que estão recuperadas", afirmou o técnico Barbosa.
JANETH RECUPERADA
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"O segundo quarto foi o que decidiu o resultado a favor do Brasil. Nós entramos concentradas, não acho que vacilamos, mas o Brasil conseguiu voltar ainda melhor, com muita vontade em quadra", explicou o auxiliar técnico tcheco.

Se esteve discreta durante os dois primeiros períodos, Janeth voltou inspirada para o terceiro quarto. Ela recuperou bolas na defesa, puxou contra-ataques e desarmou a defesa tcheca com suas infiltrações, incendiando de vez a torcida presente ao Ibirapuera. Nem parecia que estava ameaçada de não jogar por causa de uma torção no tornozelo direito.

O time brasileiro acompanhou o ritmo de sua líder, e fechou o terceiro quarto 22 pontos na frente (62 a 40). A partir daí, apenas administrou a vantagem. Barbosa poupou algumas jogadoras nos minutos finais, como Alessandra, Janeth e Iziane, mas o Brasil mesmo assim conseguiu uma vitória surpreendentemente tranqüila, por 75 a 51.

"Não dá para esperar uma diferença dessa contra uma equipe que é a nova sensação do basquete feminino. É a atual campeã européia, foi campeã mundial sub-21, ganhou dos EUA em um amistoso e fez uma grande partida contra as norte-americanas aqui. Foi uma contagem boa demais, que nos deu ainda mais confiança para os próximos jogos", disse Barbosa.

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