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20/09/2006 - 19h02
"Trabalho sujo" abre espaço para Êga no Mundial
Giancarlo Giampietro e Vicente Toledo Jr. Em São Paulo
No placar final de um jogo de basquete, são os pontos que definem o vencedor. Mas a partida, por muitas vezes, pode ser decidida em outros fundamentos ou em pequenos detalhes. O rebote, um corta-luz, o combate longe da bola, entre outros. E é justamente com essas funções periféricas que a ala-pivô Êga se firma na seleção brasileira.
Caio Guetelli/Folha Imagem Ega comemora pontos contra Rep. Tcheca; ala-pivô é responsável por "trabalho sujo" do Brasil "A Êga faz aquilo que chamamos de trabalho sujo. É algo que muitos não valorizam isso, mas não sempre os pontos que prevalecem. Quem conhece de basquete sabe que isso é vital", disse a armadora Helen. "Ela está fazendo um grande mundial."
Aos 29 anos, a ala-pivô disputa seu primeiro grande torneio pela seleção. Ela exemplifica, como o técnico Barbosa costuma dizer, uma "anormalidade" no basquete nacional.
"Estou em São Paulo há apenas cinco anos, não passei por nenhuma seleção de base, demorei para chegar à seleção, não tive uma trajetória comum", disse a pivô, que nasceu no distrito de Conciolândia, que pertence à pequena cidade de Pérola do Oeste, no interior do Paraná (município de seis mil habitantes).
"Essa é sua estréia em um Mundial, com toda essa pressão, mas ela está dando conta do recado", afirmou Helen.
Nos clubes que defendeu, Êga se acostumou a pontuar. Mas para garantir seu espaço na seleção - mandou a campeã mundial Cíntia Tuiú para o banco -, teve de se desdobrar em treinos de diversas maneiras.
"Não tenho que fazer 30 pontos nesse grupo. Não tenho que ter nenhum brio com relação a isso. Isso aqui é seleção. Minha função é ajudar na defesa da maneira mais dedicada possível e facilitar a distribuição de jogadas", afirmou a ala-pivô, que defendeu São Caetano no ano passado. "Estou fazendo o que se espera de mim. E espero que essa minha dedicação faça a diferença, que contagie as outras meninas."
Êga é responsável por uma das principais jogadas da seleção. Um lance que se repete desde o retorno de Barbosa à equipe, em 1997. A jogadora responsável pela função quatro (ala-pivô) sobe para a cabeça do garrafão e recebe a bola. Espera um corta-luz ser realizado e faz a assistência para a pivô cinco (Alessandra, Érika ou Kelly), que, geralmente, está isolada debaixo da tabela.
Não à toa, diante das tchecas, foi a melhor do Brasil em passes que resultaram em cesta - deu quatro destes. "Três das assistências foram para a Érika (no segundo período). E esses passes para mim são mais importantes do que se eu tivesse feito três bolas de longe. Principalmente porque ela estava um pouco tímida ainda. Ganhamos o reforço dela para o fim da competição e foi ótimo vê-la sorrindo."
A eficiência neste fundamento, sua habilidade para executar o chute de três pontos e a versatilidade que também lhe abrem caminho para partir para a bandeja já não permitem que a jogadora seja considerada um segredo brasileiro.
De mistério mesmo, fica apenas a razão do apelido - qual sua ligação com Soeli Garvão Zakrzeski? Nenhuma. "Ganhei o apelido da minha mãe quando tinha quatro anos. Êga é o nome de uma vizinha e grande amiga da nossa família. Quando mudamos de cidade, minha mãe resolveu me chamar de Êga para homenageá-la."
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