UOL Esporte Basquete

20/09/2006 - 20h55

Goteiras roubam a cena e escancaram falhas de organização

Giancarlo Giampietro e Vicente Toledo Jr.
Em São Paulo (SP)
Elas não fazem pontos, não pegam rebotes e também não decidem partidas. Mesmo assim, as goteiras roubaram a cena durante as quartas-de-final do Mundial de basquete feminino, realizadas nesta quarta-feira, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.

O problema apareceu pela primeira vez no último sábado pela manhã, durante a vitória do Brasil sobre a Lituânia. Criticada pelo secretário geral da Fiba (Federação Internacional de Basquete), Patrick Baumann, a organização do evento tentou vedar os pontos de vazamento encontrados na cobertura do ginásio.

Segundo comunicado oficial da Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer - responsável pela manutenção do Ibirapuera -, a empresa SAC (Serviço de Engenharia e Construções), que recebeu R$ 174 mil pelo serviço de impermeabilização do teto, foi alertada desde a primeira ocorrência de goteiras e desde então vem trabalhando para evitá-las.

Mas isso não foi suficiente. Com a chuva forte que caiu na cidade de São Paulo no início da tarde, durante o jogo entre Espanha e Rússia, pelo menos cinco goteiras molharam a quadra e parte da tribuna destinada à imprensa.

Diante disso, a Secretaria declarou que "irá tomar todas as providências jurídicas necessárias no sentido de reparar os eventuais prejuízos ocasionados pela não perfeita execução dos serviços contratados".

"Estava muito perigoso, mas tivemos de jogar. Estávamos assustadas", afirmou a armadora Nuria Martínez. "Foi terrível. A sorte é que ninguém se machucou. Mas muitas jogadoras caíram", disse a ala Natalia Vovopynova.

A armadora espanhola Laia Palau escorregou e caiu de forma perigosa no chão. Em outro lance, a água literalmente derrubou a jogadora russa, que perdeu a posse de bola e iniciou o contra-ataque espanhol, para desespero do técnico Igor Grudin.

"Basquete não é que nem futebol, em que se pode jogar com chuva. Um Campeonato Mundial não pode ser realizado nessas condições. Foi muito perigoso. Não podemos jogar assim", declarou o treinador, que descartou fazer um protesto formal à Fiba. "Vamos esquecer isso".

Apesar da derrota, o técnico espanhol Domingo Diaz encarou o caso com bom humor. "Talvez tenha chovido porque São Pedro chorou por nossa derrota", brincou. Quando o Brasil entrou em quadra para enfrentar a República Tcheca, a chuva já havia diminuído, mas as goteiras, ainda que menores, continuaram atrapalhando.

Durante o segundo quarto, a ala tcheca Jana Vesela escorregou e foi ao chão, o que fez o auxiliar técnico Lubor Blazek ironizar as condições do ginásio após a partida. "Desejo sorte ao Brasil na seqüência da competição. Só torço para que não volte a chover nas finais", disse.

Os brasileiros contemporizaram e evitaram criticar a organização do Mundial. "Temos que lembrar que o ginásio tem 52 anos", disse o técnico Antônio Carlos Barbosa. "Gostaríamos que não houvesse goteiras, mas este é um detalhe pequeno em uma festa tão bonita como vimos aqui hoje. Prefiro enaltecer a torcida, a quadra que vai ficar aqui, as tabelas modernas", completou.

Cestinha da vitória brasileira, a ala Iziane também minimizou o problema. "Tinham algumas goteiras, mas tentamos não pensar nisso durante a partida. Avisamos os ajudantes para secar a quadra sempre que possível. Ainda bem que ninguém se machucou por causa disso", afirmou.

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