Giancarlo Giampietro e Vicente Toledo Jr.
Em São Paulo
O basquete brasileiro sempre primou por sua velocidade e agressividade. Neste sábado, porém, com os Estados Unidos à frente, a seleção feminina vai tentar contrariar seu ímpeto na luta pela medalha de bronze do Mundial, no ginásio do Ibirapuera, às 9h30.
| IZIANE QUER MATAR LOGO O "LEÃO" |
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A ala Iziane mostrou novamente nesta sexta sua personalidade forte. Enquanto a seleção brasileira pensa em cadenciar a partida contra os Estados Unidos, a maranhense quer ver um jogo franco na disputa pelo bronze.
"Eu particularmente acho que temos que começar na correria", afirmou a joagdora, que atuou na WNBA em quatro temporadas. As últimas duas delas foram pelo Seattle Storm, time dirigido pela técnica da seleção norte-americana, Anne Donovan.
"Foi o que minha técnica disse: parte da soberania dos Estados Unidos é que os adversários procuram mudar de estilo para enfrentá-los. Temos que jogar normalmente. Entrar em quadra e encará-las", afirmou.
Iziane disse também que espera uma seleção norte-americana abatida em quadra.
"Acho que vamos encontrar um time totalmente para baixo. Não podemos vacilar no início. Se o leão está tonto, você tem de dar uma cacetada na cabeça dele para derrubar de vez", disse. |
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O Brasil é o time que mais pontos fez em uma partida de Mundial, quando marcou 143 a 50 na Malásia, em 1990. Entre os cinco jogos com maior pontuação na história da competição, esteve presente em quatro deles.
Inclusive no de maior total. Na semifinal do Mundial de 1994, o Brasil decidiu encarar a seleção norte-americana e conseguiu uma grande vitória: 110 a 107. Na ocasião, porém, o time tinha uma atleta como Janeth como mera coadjuvante de Paula e Hortência.
"Não podemos entrar na correria deles. Temos de ter paciência para jogar", disse o técnico Antonio Carlos Barbosa. "Temos de ver nossa estratégia. Por que a Rússia sempre consegue jogar de igual com eles? Porque não dá para jogar da forma que eles querem."
Sem pivôs altas ou pesadas, os Estados Unidos trouxeram para o país um grupo ainda mais atlético e veloz. O Brasil teme não poder acompanhar o ritmo das rivais.
"Vamos precisar de paciência. Quanto menos posse de bola nós dermos para elas, será melhor", disse a armadora Adrianinha, justamente uma das atletas brasileiras que mais aprecia o jogo de explosão e frenético.
Nas quartas-de-final contra a República Tcheca, a seleção entrou em quadra disposta a acelerar sua velocidade o máximo possível. Agora, ela se vê na situação contrária. "Precisamos trabalhar nossas movimentações até o final. Fazer a jogada se completar", disse a ala Janeth.
Naturalmente, a seleção não abrirá mão de seu jogo de contra-ataque. Mas a intenção é partir para a cesta apenas no momento que considerar adequado. "Não adianta confundir velocidade com correria", disse a armadora Helen.
Janeth já atuou por nove temporadas no basquete profissional norte-americano. Conhece muito bem as adversárias. E espera enfrentar um time bastante enérgico neste sábado, depois de ter sofrido sua primeira derrota em 12 anos. "Elas virão com tudo para decidir a partida nos primeiros cinco minutos. E se não for no primeiro tempo, será nos cinco primeiros do segundo. Vai precisar que todas nossas atletas estejam ligadas."
Na derrota histórica para a Rússia na semifinal, as norte-americanas levaram a pior nos rebotes e assistiram à dominância das pivôs adversárias. E a dúvida do Brasil para a partida deste sábado é justamente a condição de suas principais grandalhonas.
Alessandra (2,00 m) e Érika (1,97 m) não têm escalação garantida. A primeira, veterana, tem um estiramento no ombro esquerdo, enquanto a segunda, revelação, está com as duas unhas soltas em dedos do pé. "O caso da Alessandra é o pior. Você perde troca, isso compromete. Vamos ver se ela melhora para jogar", disse Barbosa.
Casa cheiaDo lado dos Estados Unidos, a expectativa é por muita pressão por parte da torcida brasileira. "Espero uma torcida enlouquecida e um time que não quer perder. Tomara que consigamos superar tudo isso", disse a armadora Sue Bird, companheira de Iziane no Seattle Storm na última temporada.
"Sabemos que haverá 10 mil pessoas no ginásio gritando contra a gente, então esperamos uma grande partida", afirmou a treinadora Anne Donovan.
A técnica procurou motivar suas atletas nesta sexta-feira. Antes da queda diante da Rússia, a última derrota de uma seleção norte-americana havia acontecido justamente contra o Brasil, na semifinal de 1994.
"Esta é a nossa decisão. Queremos voltar para a casa com uma medalha. Não é a de ouro, infelizmente, mas temos que voltar para a casa com uma vitória. Este é o nosso objetivo", afirmou.
Anne Donovan, inclusive, fez menção à partida de 12 anos atrás para avaliar a atual seleção brasileira. "Elas são muito equilibradas, e isso é uma ameaça. É diferente de quando Hortência e Paula jogavam. O Brasil tinha a Marta lá dentro, mas dependia da pontuação das duas. Hoje é mais balanceado."
Sue Bird afirmou que o confronto pelo bronze poderia ter sido a final. "Elas tiveram uma grande oportunidade de vencer a Austrália e disputar a medalha de ouro em sua própria casa, mas perderam. Por isso, tenho certeza de que elas entrarão com muita emoção para ganhar o bronze. É a mesma emoção que estamos sentindo agora. As duas equipes tiveram chance de avançar, mas não conseguiram."
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