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22/09/2006 - 20h54

Mundial conhece 1º campeão diferente em 12 anos neste sábado

Da Redação
Em São Paulo
O basquete feminino conhecerá um novo campeão mundial neste sábado, quando Austrália e Rússia decidem o título a partir das 14h, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Em 14 edições do torneio realizadas até hoje, apenas três países conseguiram levantar o troféu - Estados Unidos (seis vezes), União Soviética (sete vezes) e Brasil. A seleção brasileira foi a última campeã "inédita", ganhando em 1994, na Austrália.

DUELO DE "BELAS FERAS"
Reuters
Maior cestinha do torneio, Lauren Jackson é musa do time australiano
AFP
Armadora polivalente, a bela Ilona Korstin é o "motorzinho" da Rússia
PÁGINA DAS FINAIS DO MUNDIAL
PERFIL DA RÚSSIA
PERFIL DA AUSTRÁLIA
Herdeira da tradição soviética, a seleção russa tem sua terceira chance consecutiva de entrar nesse grupo, pois perdeu as duas últimas finais (1998 e 2002) para os Estados Unidos. O primeiro passo foi dado com a eliminação das favoritas norte-americanas na semifinal, vingando os resultados das edições anteriores e aumentando a confiança das jogadoras.

"Fizemos um grande jogo contra as americanas e derrotamos uma equipe fortíssima. Quando se vence esse tipo de time, o 'dream team', a confiança em quadra aumenta muito e nós estamos prontas para vencer a Austrália. Depois dessa vitória, não acredito que alguém possa nos parar", desafiou a bela armadora Ilona Korstin.

Para muitos, o triunfo da última quinta diante dos EUA foi uma surpresa, principalmente pela irregularidade da Rússia durante as primeiras fases do torneio - perdeu para França, República Tcheca e EUA. Mas o técnico Igor Grudin discorda. "A vitória não foi uma surpresa para nós. Se tivéssemos dúvidas, não conseguiríamos nos impor em quadra", disse.

A vitória histórica da Rússia acabou com qualquer favoritismo da Austrália, que, embalada por duas vitórias consecutivas sobre as donas da casa, já se preparava para enfrentar o time norte-americano na decisão. "Não pensei que isso fosse acontecer, realmente foi uma surpresa. Mas a Rússia é um grande time, não chega a ser um choque que elas tenham vencido os Estados Unidos", comentou a pivô Lauren Jackson, maior cestinha do Mundial com média de 22 pontos.

Assim como fez contra o Brasil, Jackson pode ser o fator de desequilíbrio a favor das australianas, mas não é a única capaz de definir partidas para a representante da Oceania. A ala Penn Taylor (16,6 pontos por jogo) é uma das jogadoras mais eficientes do torneio, enquanto Belinda Snell tem o terceiro melhor aproveitamento nos arremessos de três pontos (48,7%), superior a todas as demais finalistas.

Reuters
Destaque na vitória sobre os EUA, a pivô Stepanova é uma das armas da Rússia
"Vai ser um confronto muito difícil. O time australiano tem muitas estrelas, mas acho que as chances estão iguais para nós e para elas. Quem estiver mais concentrado e com os nervos no lugar, vencerá", apostou Grudin, que também teve sua equipe elogiada pela treinadora rival, Jan Stirling.

"O time russo é muito forte e tem jogadoras muito boas, como Korstin e Stepanova. Elas têm uma transição muito boa e vamos precisar ser muito pacientes. Todas as jogadoras da equipe arremessam muito bem, vamos ter que estar atentas principalmente na defesa e nos rebotes", disse a técnica australiana.

O grande destaque individual da Rússia tem sido a pivô Maria Stepanova, a quarta jogadora mais eficiente do torneio, com médias de 15,9 pontos e oito rebotes por jogo. Mas a Austrália sabe que não pode se concentar suas atenções apenas nela, sob pena de sofrer com Korstin, Shchegoleva e companhia.

"Na Rússia, a Stepanova também é um destaque, mas se o time que enfrentá-las não prestar atenção nas outras jogadoras certamente vai se dar mal. O time delas tem excelentes jogadoras, que chutam de qualquer posição. Vamos ter que defender muito bem", comentou Lauren Jackson.

O retrospecto recente confirma o equilíbiro entre as duas seleções. No único encontro dos dois países em Mundiais, em 1998, na Alemanha, deu Rússia (82 a 76). Há dois anos, porém, a Austrália levou a melhor (75 a 56) na primeira fase das Olimpíadas de Atenas, abrindo caminho para a conquista da medalha de prata - as russas ficaram com o bronze.

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