Giancarlo Giampietro e Vicente Toledo Jr.
Em São Paulo (SP)
Depois de uma campanha empolgante até a semifinal, a seleção brasileira encerrou sua participação no Mundial feminino com uma derrota histórica para os EUA na decisão da medalha de bronze. Campeãs das duas edições anteriores do torneio, as norte-americanas massacraram as donas da casa por 99 a 59, neste sábado, no ginásio do Ibirapuera.
"Elas fizeram um jogo perfeito. Os nossos técnicos disseram que cada seleção poderia fazer um grande jogo e um jogo ruim no Mundial. O jogo ruim delas foi contra a Rússia, o grande jogo foi contra nós", lamentou a ala Janeth, que pode ter feito sua última apresentação com a camisa do Brasil.
Ela voltará a disputar a WNBA em 2007, o que pode inviabilizar a sua participação no Pan do Rio de Janeiro, pois os calendários das duas competições são conflitantes. A decisão só acontecerá no início do ano que vem, quando a jogadora definirá as negociações com alguma equipe daliga norte-americana.
Esta foi a sexta derrota do Brasil para os EUA em nove jogos disputados no Mundial. Foi também o resultado mais elástico a favor das norte-americanas nesse confrontos. Antes, o recorde era a vantagem de 32 pontos obtida na edição de 1975 (104 a 72).
"Nós nos sentimos impotentes diante da avalanche de cestas. Tentamos marcar zona como fez a Rússia na semifinal, mas a diferença é que hoje a bola delas caiu. Foi a performance delas que levou a esse placar", explicou o técnico Antônio Carlos Barbosa, que disse ainda não se lembrar de ter sofrido uma derrota tão larga no comando da seleção.
O último triunfo do time nacional sobre as norte-americanas aconteceu há 12 anos, quando ainda contava com Paula e Hortência, na semifinal de 1994 - o jogo (110 a 107) ainda é o de maior número de pontos na história da competição.
A quarta colocação é uma evolução em relação ao Mundial passado, em 2002, quando a equipe brasileira ficou apenas em sétimo lugar. Mas é também uma confirmação de que o Brasil vem perdendo terreno em relação às três potências da modalidade - EUA, Rússia e Austrália -, que dominaram o pódio de todas as competições importantes neste século.
A última vez que a seleção brasileira conseguiu "furar" esse domínio dos rivais aconteceu há seis anos, nas Olimpíadas de Sydney, quando derrotou a Rússia nas quartas-de-final para depois conquistar a medalha de bronze.
O grande destaque da partida deste sábado foi a armadora Diana Taurasi, que joga no Phoenix Mercury, da WNBA. Ela marcou 28 pontos, convertendo seis de sete tentativas de três pontos (aproveitamento de 86%). Pelo Brasil, a melhor em quadra foi a ala Janeth, com 16 pontos, cinco rebotes e quatro bolas roubadas.
"Foi uma grande atuação individual minha, mas acho que o trabalho de toda a equipe é que fez a diferença. Tínhamos que provar mas a nós mesmas que podíamos jogar melhor do que fizemos contra a Rússia. Perdemos um pouco do nosso orgulho naquela partida, mas conseguimos recuperá-lo hoje", declarou Diana.
O jogoSem a pivô Alessandra, fora do jogo por causa de uma contusão no ombro, o Brasil teve problemas para acertar a marcação sobre o time norte-americano no primeiro período. Preocupada em fechar o garrafão, a equipe brasileira deu espaços para os arremessos de longa distância dos EUA, que fizeram a diferença.
| 56% | Dois pontos | 46,2% |
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| 55% | Três pontos | 20% |
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| 71,4% | Lances livres | 61,1% |
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| 37 | Rebotes | 23 |
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| 13 | Assistências | 7 |
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| 11 | Erros | 17 |
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| 35 | Pontos do banco | 12 |
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| EUA 99 x 59 Brasil |
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Nos dois primeiros ataques do jogo, a armadora Diana Taurasi fez seis pontos para as visitantes. As donas da casa responderam com Iziane, que se esforçava para compensar a atuação ofensiva apagada da veterana Janeth até aquele momento. Na primeira cesta feita por outra jogadora, no caso a pivô Êga, o time brasileiro passou à frente por 9 a 8.
Mas a reação esbarrou na falta de uma substituta à altura para Alessandra, que se refletiu na disputa pelos rebotes. Dominando o garrafão tanto na defesa como no ataque, os EUA retomaram a dianteira e, com duas cestas de três pontos consecutivas, abriram nove pontos (25 a 16).
O Brasil ainda tentou encostar novamente com boas jogadas das pivôs Érika e Êga (26 a 21), mas outro arremesso preciso de longa distância, este convertido por Katie Smith, colocou as norte-americanas dez à frente no final do quarto (31 a 21). Só no período incial, foram seis cestas de três pontos das tricampeãs olímpicas
Janeth despertou no início do segundo quarto, anotando seus primeiros pontos. Entretanto, nem isso foi suficiente para mudar o panorama do jogo. Com uma defesa bastante agressiva, os EUA desarticularam a armação de jogadas brasileiras e foram aumentando a vantagem. Sheryl Swoopes fez 49 a 34, placar do intervalo.
O Brasil mudou a defesa na volta para o terceiro quarto, abandonando a marcação por zona para tentar uma pressão individual. Mas a esperança de reação das anfitriãs foi por terra logo no primeiro lance do segundo tempo, em outra cesta de três pontos da armadora Diana Taurasi.
Desesperada, a seleção brasileira entrou na correria das adversárias, fazendo o jogo que mais interessava à veloz equipe norte-americana. Os EUA aproveitaram o equívoco e o desânimo do time da casa para dar show. Inspiradíssima, Diana Taurasi fez mais três cestas de três pontos consecutivas, elevando a diferença para 30 pontos (73 a 43).
A torcida até tentou reanimar as jogadoras do Brasil, mas nada foi capaz de impedir o massacre em quadra. Logo no início do último período, os EUA alcançaram 40 pontos de vantagem (85 a 45). Abatida, a equipe brasileira lutou até o fim para reduzir a desvantagem, mas não conseguiu. Mesmo assim, saiu de quadra aplaudida pelos torcedores.
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