UOL Esporte Basquete

23/09/2006 - 13h21

Derrota brasileira confirma "maldição" dos anfitriões no Mundial

Giancarlo Giampietro e Vicente Toledo Jr.
Em São Paulo (SP)
Jogar em casa, com o apoio da torcida, nem sempre é vantajoso, principalmente quando se trata do Mundial de basquete feminino. Com a derrota do Brasil para os EUA por 99 a 59, neste sábado, já são cinco edições consecutivas do torneio sem a presença do país anfitrião no pódio.

A última seleção que conseguiu faturar uma medalha diante de seus torcedores foi a extinta União Soviética, em 1986. Mas nem mesmo elas escaparam da "maldição" que afeta os organizadores do evento, pois perderam a medalha de ouro para os arqui-rivais EUA.

"A decepção do Brasil é compreensível. A gente sabe como é difícil jogar um Mundial em casa, a expectativa é muito grande", comentou Jan Stirling, treinadora da seleção da Austrália. Sede do torneio de 1994, vencido pelo Brasil, a equipe da Oceania teve de se contentar com o quarto lugar.

Mas australianas e brasileiras não são as únicas que conhecem a dor de organizar a festa e sair dela sem ganhar um presente. Em 15 edições do Mundial, somente quatro países conseguiram aproveitar o fator casa para faturar uma medalha - URSS (ouro em 1959 e prata em 1986), Tchecoslováquia (bronze em 1967), Brasil (bronze em 1971) e Coréia do Sul (prata em 1979).

"A Austrália jogou em casa (1994) e foi quarta colocada. No último Mundial (2002), a China perdeu a decisão do quinto lugar para a Espanha. Em 1998, a Alemanha não conseguiu nem se classificar para as quartas-de-final", comentou o técnico brasileiro Antônio Carlos Barbosa.

Apesar de tristes por terem perdido duas oportunidades de quebrar essa escrita desfavorável aos anfitriões - na semifinal contra a Austrália e na decisão do bronze contra os EUA -, as brasileiras valorizaram a quarta colocação.

"Conseguimos nos manter entre os quatro melhores do mundo, apesar de todas as dificuldades que o basquete brasileiro enfrenta. EUA, Rússia e Austrália têm condições muito superiores do que a gente", explicou a veterana Janeth, estrela do time aos 37 anos de idade. .

"Os EUA poderiam trazer duas seleções diferentes com jogadoras da WNBA e ainda assim estariam entre os quatro melhores do mundo. Temos pouca quantidade, mas boa qualidade", completou.

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