UOL Esporte Basquete

23/09/2006 - 14h35

Seleção evoca estrutura falida para elogiar o quarto lugar

Giancarlo Giampietro e Vicente Toledo Jr.
Em São Paulo
O Brasil perdeu a chance de conquistar sua terceira medalha na história no Mundial, mas encerrou a competição satisfeito com o quarto lugar, neste sábado.

A seleção enalteceu a "luta" individual de cada jogadora para chegar à elite mundial. Cada uma, à sua maneira, teve de superar condições desfavoráveis para chegar a este estágio. "É um time muito forte. Na verdade, essa seleção é uma aberração", disse o técnico Antonio Carlos Barbosa, sobre a capacidade de agrupar uma formação de elite no país, a despeito de um cenário precário de sustentação.

Já o treinador e comentarista Paulo Bassul, que já foi assistente de Barbosa no time, foi além. Em primeiro momento, destacou o empenho das brasileiras no Mundial. Mas, depois, afirmou que a estrutura combalida da modalidade não afeta esta equipe.

"Não faltou espírito de luta das meninas, elas se dedicaram demais. O quarto lugar não é ruim, não é vergonha para ninguém. Mas essa geração, que na verdade é a soma de quatro safras, está imune a esses problemas", afirmou.

"Algumas dessas jogadoras disputaram campeonatos fortíssimos aqui no Brasil, antes de ir para o exterior. Nosso trabalho tem de ser para cuidar das próximas gerações", completou.

A seleção brasileira dominou a Austrália na semifinal por 30 minutos e desperdiçou sua chance de medalha nos primeiros instantes do quarto período, quando tomou uma virada. Ainda abatida, a seleção perdeu dos Estados Unidos por 40 pontos na disputa pelo bronze.

"Essas derrotas não podem desmerecer nosso trabalho. Ficamos atrás de três grandes potências, que têm tudo a mais que a gente", disse a armadora Adrianinha. No geral, a seleção evocou em São Paulo o árido cenário do basquete nacional para exaltar o posto entre as quatro melhores equipes do mundo.

O último Nacional feminino teve apenas nove equipes (sete paulistas), e o time de Ourinhos conquistou o bicampeonato de forma invicta. Já a versão masculina teve, inicialmente, 18 equipes. Depois, ganhou o ingresso de outras seis.

O disparate foi o mesmo no primeiro ano da NLB (Nossa Liga de Basquete). O campeonato das garotas teve cinco participantes, contra 18 dos homens.

O problema é que, da atual seleção, apenas quatro competiram no país no último ano. Êga, do São Caetano, as jovens Sílvia Gustavo e Karen, de Ponte Preta e Ourinhos, respectivamente, e Kelly, que, lesionada, deixou a Europa para ser operada em casa e teve curta passagem por Santo André.

Veteranas como Janeth, Alessandra, Cíntia Tuiú e Helen construíram carreiras mais que sólidas no exterior. Alessandra, por exemplo, foi uma das "premiadas" no último ano com uma vaga no rentável basquete sul-coreano, no qual uma equipe só pode contar com uma estrangeira em seu elenco.

Entre as jovens integrantes do time, Iziane e Érika (eleita melhor jogadora na Espanha) já despontam no cenário internacional. Mesmo Sílvia Gustavo já tem proposta para arrumar as malas e deixar o país.

"A gente tem de superar muitas coisas. São poucas equipes, pouca renovação. Como vimos nesse Mundial, é goteira, escorregão... É muita coisa", disse a veterana Janeth, de 37 anos.

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