Giancarlo Giampietro e Vicente Toledo Jr.
Em São Paulo (SP)
Neste sábado, enfim, chegou a vez da Austrália. O time bateu a Rússia por 91 a 74 e conquistou pela primeira vez o título do Mundial feminino, disputado no Brasil.
"Jogamos uma grande partida. Talvez estivéssemos um pouco mais inteiras que as russas por termos feito uma partida a menos
(a Austrália estreou com vitória por WO sobre a Lituânia), mas fizemos nosso melhor jogo. Hoje, acho que éramos imbatíveis. Fizemos história e tenho certeza de que nosso país está orgulhoso de nós", comemorou a técnica Jan Stirling.
Nas últimas quatro grandes competições da modalidade, a seleção da Oceania havia subido ao pódio, para ser medalha de prata nas Olimpíadas de Sydney, em 2000, e Atenas, em 2004, e medalha de bronze no Mundial da Alemanha, em 1998, e da China, em 2002.
Desta vez, sem as norte-americanas - que as haviam eliminado nas semifinais dos últimos três torneios - no caminho, o time terminou o torneio de maneira invicta (nove vitórias em nove rodadas). "Não acho que vencer a Rússia seja mais fácil do que bater os EUA. Os dois times mais fortes do torneio chegaram à final. Foi nosso melhor jogo, poderíamos vencer qualquer um hoje", rebateu a ala Penny Taylor.
Cestinha da decisão com 28 pontos, Taylor foi eleita pela organização a melhor jogadora do torneio. Ela converteu nove de 14 arremessos, apanhou nove rebotes e ainda conseguiu três roubos de bola. Maior estrela do time australiano, a pivô Lauren Jackson conseguiu um "double-double", com 16 pontos e 11 rebotes.
Pelas russas, a gigante Maria Stepanova, de 2,02m, em duelo direto com Lauren Jackson, acumulou 17 pontos, 13 rebotes e dois tocos, mas sem dominar o garrafão diante de adversárias fortes e atléticas. Esta foi a terceira derrota consecutiva da Rússia na final do Mundial. Nas duas edições anteriores, as russas perderam para as norte-americanas.
"Isso incomoda um pouco, não era o que nós queríamos. Mas nós perdemos para nossos próprios erros, não temos do que reclamar. A Austrália jogou um grande basquete e foi um prazer enfrentar um adversário desse nível", declarou Stepanova. "Estávamos um pouco cansadas, e elas fizeram um jogo agressivo desde o início. Não conseguimos defender o time delas", lamentou a armadora russa Ilona Korstin.
| MVP QUER MORAR NO BRASIL |
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 Penny Taylor, eleita a melhor do torneio, é casada com brasileiro |
Eleita a melhor jogadora do Mundial, a australiana Penny Taylor revelou que pretende morar no Brasil no futuro. Ela é casada com o brasileiro Rodrigo Gil Rodrigues, jogador de vôlei que atua na segunda divisão italiana, desde dezembro de 2005. Os dois vivem em Schio, na Itália.
Antes do Mundial, no início do ano, ela passou um mês na casa da família do marido. "Eles me fizeram experimentar todos os pratos típicos da cozinha brasileira. Comi muita picanha, doce de leite, várias coisas gostosas", contou. |
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"Jogamos contra o melhor time do mundo. Infelizmente, não tivemos força física e mental para enfrentá-las. Demos tudo o que tínhamos na semifinal contra os EUA e não pudemos recuperar a equipe. Mas estou muito orgulhoso do que mostramos aqui, principalmente pela vitória sobre as norte-americanas", disse o treinador da Rússia, Igor Grudin.
O jogoA Rússia começou a partida da mesma maneira como se impôs contra as norte-americanas na semifinal. Com pouco mais de três minutos disputados, o time abriu 9 a 2 contra as australianas.
Nos primeiros instantes, apenas a armadora Kristi Harrower, com sua incrível velocidade, conseguia criar jogadas. Mas foi o suficiente para sua equipe se recuperar no jogo. A 5min30s do fim da primeira parcial, já estava à frente com oito pontos em seqüência. A partida seguiu equilibrada até o fim do quarto, com vantagem de 19 a 15.
A artilharia australiana, porém, começou a funcionar no segundo período. Com dois minutos jogados, a ala Penny Taylor, que arrasou o Brasil nos dois confrontos prévios, marcou uma cesta de três pontos para deixar a Austrália com 24 a 15. A vantagem passou da casa dos dez pontos com uma nova cesta de longa distância. Dessa vez foi a pivô Jennifer Whittle que marcou, colocando o marcador em 31 a 20.
No terceiro período, a Austrália passou a conectar seus contra-ataques, ora com Penny Taylor, ora com Lauren Jackson, ora com Harrower.
As australianas beiraram os 20 pontos de vantagem, até que a Rússia passou a reagir. Seus ânimos só foram esfriados quando Natalia Vodopyanova errou uma bandeja sozinha que colocaria o placar em 65 a 55. No contragolpe, Taylor respondeu e deixou a vantagem em 14 pontos.
| 62,2% | Dois pontos | 42,3% |
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| 39,1 % | Três pontos | 35,3% |
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| 81,8% | Lances livres | 70,6% |
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| 38 | Rebotes | 27 |
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| 15 | Assistências | 14 |
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| 16 | Erros | 11 |
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| 12 | Pontos do banco | 17 |
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| AUSTRÁLIA 91 x 74 RÚSSIA |
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Com seu estilo de jogo mais físico e agressivo, sólida em quadra, a Austrália tocou o jogo assim até o final. Qualquer tentativa de recuperação das européias ganhava resposta na seqüência. O time mandou nos rebotes (38 a 27) e não deu segundas chances para as rivais.
Desta forma, com o cronômetro correndo no quarto período, a Rússia passou a apressar seu ataque e buscar tiros de longa distância. Contra uma defesa armada de modo consistente e suficiente para não ser ameaçada. O aproveitamento russo foi de 35,3% da linha dos três pontos, com nove desperdiçados entre 17 tentativas.
Já Austrália converteu 23 de seus 37 arremessos de dois pontos (62,2%) e 9 de 23 dos três pontos (39,1%).
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