O ala-armador Leandrinho mostrou que a finalização é, de fato, o seu forte. Nesta quarta-feira, ele comandou o ataque da seleção brasileira na vitória por 75 a 67 em cima do Canadá, na abertura do grupo B do Pré-Olímpico.
Depois de jogar preso como armador no Mundial do Japão, o atleta do Phoenix Suns foi deslocado para sua posição natural com o retorno de Valtinho. E marcou 30 pontos para carregar a equipe que, nessa primeira etapa, não conseguiu cumprir com a meta de jogo coletivo do técnico Lula Ferreira. Quem gostou foi o gerente geral do Phoenix Suns, Steve Kerr, que estava na platéia no Thomas & Mack Center.
Leandrinho não aprovou completamente seu desempenho, porém. "Acho que errei muito. Tem muita coisa que preciso acertar, principalmente os meus arremessos e as bandejas. Tem de me acostumar com essa bola aí", afirmou o jogador, que errou 15 de seus 26 arremessos - dos três pontos, ele acertou apenas três de 12. "Mas tomara que até o final do campeonato, eu vou estar legal, e vai dar tudo certo. O que a gente queria era a vitória e isso a gente conseguiu. Foi um passo largo que a gente deu."
A seleção não fez o seu melhor jogo, mas esteve sempre no controle do marcador até ser ameaçada pelos canadenses no quarto final. O time assumiu a dianteira do placar ao apertar a defesa com seis minutos jogados no primeiro quarto.
Os adversários se aproximaram no final do primeiro tempo e no quarto período, quando empataram em 56 a 56 a 7min12s do fim. Os jogadores souberam controlar a pressão, contudo, e asseguraram o triunfo.
"Tomamos um 10 a 0 ali que a gente até poderia manejar de uma maneira diferente. Foi uma vacilada nossa, que os deixou encostar rapidamente. Mas, da mesma forma que perdemos essa vantagem, mantivemos nossa tranqüilidade. Emocionalmente o time estava sob controle", disse Lula Ferreira.
O Brasil teve um início de jogo lento, com bolas forçadas de Marcelinho e Leandrinho, no qual a presença de Samuel Dalembert também fez diferença debaixo da cesta. O time demorou cerca de três minutos para fazer seus primeiros pontos. Quando o cronômetro mostrava 4min58s para o fim, o Canadá vencia por 6 a 4, e o técnico Lula pediu tempo.
A seleção decidiu mudar o parâmetro da partida pela defesa e venceu o primeiro quarto por 25 a 12. Marcou individual de forma agressiva em cima e fora da bola e descolou cestas de contra-ataque com Leandrinho. Ajudou também a rápida segunda falta de Dalembert, a 3min09s. Com o gigante debaixo do ar, os rivais tomaram apenas 13 pontos em sete minutos. Sem ele, foram 12 em três minutos.
Na segunda parcial, porém, esse ritmo de jogo foi perdido com as alterações. Nem todos os atletas entraram bem em quadra. "O ônus das trocas é do técnico e não é do jogador. Você tem duas coisas que podem interferir no rendimento da equipe. Se você mantém um time direto, você pode começar a errar por cansaço depois. Mas é uma questão minha, não dos jogadores", disse Lula.
O time cometeu dez erros, enquanto havia feito apenas um nos dez primeiros minutos. Cinco deles saíram com o pivô Tiago Splitter, algo incomum.
A volta para o intervalo, porém, mostrou uma seleção novamente consistente na defesa. O ala-armador Alex entrou para conter o ala Carl English (principal criador de jogadas rivais) e fez seu trabalho. Leandrinho deu seqüência ao seu inspirado ataque, e o quarto terminou com 54 a 44.
O começo do quarto final, no entanto, foi novamente de oscilação para os brasileiros. De um lado, eles encontraram dificuldade contra uma defesa por zona. Do outro, permitiram que a intensidade abaixasse. Mas o Canadá não consolidou sua reação.
Outra dificuldade para a seleção foi o excesso de faltas cometidas pelos pivôs. Splitter foi eliminado com cinco faltas a 4min18s do fim, quando JP Batista e Nenê já estavam pendurados. Nenê estourou a 3min19s do fim.