"Começou um novo campeonato para nós", afirmou o ala-armador Marcelinho Machado, capitão da seleção brasileira, nesta terça-feira. O veterano atleta faz a declaração como capitão e porta-voz da equipe, depois da vitória contra o México.
A recuperação diante dos mexicanos veio em seqüência a um acerto de contas dentro do time que busca uma vaga nas Olimpíadas de Pequim-2008 e de seus jogadores com a comissão técnica. Acerto que proporcionou paz dentro do elenco.
Após uma primeira fase em que o time venceu três de quatro jogos e só foi derrotado pelos Estados Unidos, poderia se imaginar que os ânimos da seleção seriam os melhores. Mas o desenrolar sofrido das primeiras vitórias e as surras consecutivas sofridas diante dos norte-americanos e, principalmente, de Porto Rico chacoalharam as estruturas do grupo.
"Nessa competição tem de se tirar proveito de tudo. Tem o ditado de quem apanha não esquece. Quando você perde, os erros afloram mais", afirmou o técnico Lula Ferreira.
O vestiário do ginásio Thomas & Mack Center, em Las Vegas, abrigou uma acalorada discussão entre os jogadores da seleção na segunda. Um dia depois, a motivação dos brasileiros que ele recebeu já era bem diferente.
"Quando as coisas não estão fluindo de uma forma em que todos estejam satisfeitos é legal a gente parar, conversar, que todo mundo olhe no olho do outro para falar as verdades, que a gente se reúna e saia sempre coisa boa", disse Machado.
| BRASIL X ARGENTINA |
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| A partida desta quarta-feira, contra a Argentina (às 21h30, no horário de Brasília), em Las Vegas, que pode assegurar à seleção brasileira uma vaga para a semifinal e a fuga de um confronto com os Estados Unidos nessa fase. Se derrotar o arqui-rival sul-americano, o time alcançará no mínimo o terceiro posto na classificação geral, o que o eventualmente tira da alçada dos Estados Unidos na partida que vale a passagem para Pequim-2008. Os argentinos já estão tranqüilos, pois obtiveram esse luxo na terça ao conquistar a sexta vitória consecutiva no torneio. Por isso, estudam até poupar seus principais jogadores contra os brasileiros e até mesmo contra os norte-americanos na quinta. |
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HUERTAS QUER JOGAR |
O mau desempenho do ala-armador nas cinco primeiras rodadas (29% nos arremessos) foi um dos catalisadores da discussão exclusiva entre os atletas. O veterano não acertou as bolas de três pontos com regularidade e forçou seus ataques, assim como Leandrinho fez em boa parte dos jogos, mas com um pouco mais de sucesso (42%).
A demora para a bola chegar aos pivôs no ataque foi um dos motivos de mais irritação. "O grupo estava na dependência de um ou dois jogadores, e isso não é certo. Todo mundo tem de explorar sua qualidade. E facilita se você começar o jogo dentro do garrafão. Explorar lá dentro deu oportunidade para os caras de fora [contra o México]. O Marcelinho não precisou forçar, pois já estava livre. O Leandro já estava na posição para o corte", disse Nenê.
Já o ala Guilherme Giovannoni acredita que parte da seleção estava mais preocupada com lances plásticos e individuais do que com o sucesso na competição. "A gente se conscientizou de algumas coisas, do que precisa ser feito para ganhar e de que não adianta jogar para mostrar lance bonito. Tem de fazer um basquete objetivo. Só assim vamos poder ganhar."
Depois das discussões internas, os jogadores se dirigiram à comissão técnica e reclamaram do rumo tático da equipe. "A impressão era de falta de comando", disse um dos atletas ao
UOL Esporte. A despeito de divergências táticas, uma corrente do grupo decidiu apoiar Machado como o líder da seleção devido à "hierarquia e tempo de casa".
O treinador Lula acredita que todas as conversas foram produtivas para a seleção se reordenar em quadra. "Tem de jogador para jogador, de técnico para técnico e de técnicos com jogadores. Não interessa um saber do outro, e é assim que funciona", disse. "A gente até incentiva isso. A gente gosta quando eles conversam. Às vezes pode ser mais dura ou menos dura, mas tem de conversar."
Até o fim do Pré-Olímpico, o Brasil, quase classificado para as semifinais, deve ter mais quatro jogos - dois na segunda fase e dois nos mata-matas. Apenas as duas primeiras posições dão vagas diretas a Pequim-2008. No momento, a seleção se afirma fechada em torno da questão. As partes, naturalmente, só não esperam que um eventual revés teste essa situação.