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29/08/2007 - 23h39

Brasil sofre com pane, perde da Argentina e adia classificação

Giancarlo Giampietro
Enviado especial do UOL
Em Las Vegas (EUA)
A Argentina fez de tudo para perder. Mas a seleção brasileira abusou de falhas no segundo tempo, se descontrolou após ter o jogo ganho e adiou sua classificação para a semifinal do Pré-Olímpico para a última rodada da segunda fase.

CBB/Divulgação
Leandrinho desperdiçou a bola que poderia ter dado a vitória no tempo regulamentar
Reuters
Com cinco faltas, Thiago Splitter desfalcou o Brasil nos minutos finais da partida
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Os argentinos se aproveitaram de uma pane coletiva do arqui-rival, completaram virada grandiosa e venceram por 86 a 79, na prorrogação. Seguem invictos no torneio em Las Vegas.

A seleção agora precisa derrotar o Uruguai nesta quinta para conseguir uma vaga nas semifinais e fugir de um confronto com os Estados Unidos. Se perder, o time despenca para a quinta colocação.

A equipe teve 17 pontos de vantagem no início do terceiro, mas pecou no quarto período e permitiu que os rivais empatassem em 71 a 71 a pouco mais de um minuto para o fim da partida. "Nosso time estava bem. Mas não tivemos tanta paciência como nos dois primeiros quartos. Erramos algumas bolas fáceis, coisa que não acontece normalmente. Eles se aproveitaram e se recuperaram", afirmou o armador Valtinho.

O Brasil ainda teve três ataques seguidos no último para conseguir uma cesta, mas não conseguiu armar nenhuma jogada. No terceiro deles, Leandrinho segurou a bola, quicou por muitos segundos e forçou, inconscientemente, um arremesso de três de muito longe.

"Não achamos que a partida estava controlada. Faltou decidir no momento certo, olhar para as pessoas certas. Faltou o jogo de ontem, não segurar muita bola. Olhar quem estava livre e passar", disse Nenê, que praticamente implorou para o ala-armador do Phoenix Suns buscar seu corta-luz na jogada decisiva. Em vão.

A seleção começou a partida com a mesma intensidade que teve no triunfo contra os mexicanos. Executou no ataque com inteligência, principalmente em jogadas de troca com os pivôs e em infiltrações, valendo-se de sua maior capacidade atlética. Mas colocaram isso abaixo no final.

O time venceu o primeiro quarto por 23 a 16, e a diferença só não foi maior por causa de duas falhas que permitiram a Carlos Delfino duas cestas de três pontos sem nenhuma contestação. Mas foram falhas isoladas em uma boa defesa, ancorada pela disciplinada marcação de Tiago Splitter precisa em cima do astro Luis Scola. Valtinho também fez ótimo trabalho em cima de Prigioni.

A retaguarda brasileira foi ainda mais sólida no segundo período, no qual os argentinos marcaram apenas 12 pontos. A produção ofensiva, por outro lado, caiu durante a parcial. Só foi ativada nos dois minutos finais, quando Marcelinho Huertas acertou uma importante bola de três e depois deu uma assistência para Guilherme Giovannoni fazer uma bandeja antes do estouro do cronômetro: 42 a 28.

Para o terceiro quarto, Lula colocou um quinteto diferente em quadra, com Huertas, Leandrinho, Machado, Murilo e Nenê. Quatro minutos depois, Splitter e Valtinho voltaram. Mas o time caminhou em direção a seu pior momento. Leandrinho e Splitter ficaram pendurados com quatro faltas, algumas delas em lances sem relevância. E aos poucos o padrão ofensivo foi corroído, os pivôs foram alienados e caiu a "chuva" de arremessos desequilibrados. A parcial terminou em 58 a 50.

"Eles tiveram paciência no segundo tempo, souberam trabalhar a bola. Aos poucos, foram melhorando no marcador. A gente aprende com isso e tem de sair com a cabeça para cima. Fizemos um bom jogo contra eles. Poderia ter ganhado qualquer um dos dois times", disse Splitter.

No quarto final, a seleção deixou seu jogo cair ainda mais e sua vantagem se diluiu. O time ficou três minutos sem pontuar. Errou bandejas debaixo da tabela no ataque. E, na defesa, permitiu que jogadores operários como Leo Gutiérrez ganhassem moral.

Também pesou o excesso de faltas contra os brasileiros em cima de jogadas cheias de malandragem de Scola. De lance em livre, os argentinos tiraram a diferença e empataram o marcador a 1min03s do fim após falta no próprio Scola, que já não tinha mais Splitter em sua marcação. O pivô catarinense havia sido excluído.

A seleção foi para o tempo extra com seu sistema de jogo espatifado, não soube jogar coletivamente e sofreu sua terceira derrota na competição. Nesta quinta, no encerramento da segunda fase, o Brasil joga às 20 h (horário de Brasília). Os argentinos tentam desafiar os Estados Unidos na seqüência.

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