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31/08/2007 - 16h30

"Pensei que o Brasil estaria melhor", diz algoz Piculín Ortiz

Giancarlo Giampietro
Enviado especial do UOL
Em Las Vegas (EUA)
Piculín Ortiz, 43, se aposentou das quadras no ano passado. Mas isso não impede que sua mera presença em Las Vegas influencie no desempenho de Porto Rico no Pré-Olímpico.

PICULÍN ORTIZ EM LAS VEGAS
Giancarlo Giampietro/UOL
Ex-pivô atende à imprensa no ginásio Thomas & Mack Center em Las Vegas
Giancarlo Giampietro/UOL
Piculín em ação no banco de reservas
de Porto Rico (atrás, de camisa verde)
PORTO RICO SE CLASSIFICA
PÁGINA DO PRÉ-OLÍMPICO
A legendária figura do basquete americano assistiu às primeiras partidas do torneio da arquibancada. Com o cabelo engomado e traje social, o hoje candidato a senador parecia uma figura bem distinta à da que amedrontou gerações de pivôs brasileiros durante seus 23 anos de carreira pela seleção de seu país.

Quando a equipe caribenha passou por momentos delicados na primeira fase, ficando próxima da eliminação, a comissão técnica não teve dúvida. Pediu auxílio ao ídolo e seu apoio no banco de reservas a cada partida. Deu certo. A começar pela grande vitória em cima do Brasil, o time conseguiu uma arrancada na segunda fase que lhe mandou à semifinal.

Por falar em seleção brasileira, Ortiz se disse decepcionado com o rendimento do time e do ala-armador Marcelinho Machado, embora constate desenvolvimento de alguns atletas e na defesa da equipe. Veja na entrevista com o porto-riquenho, que disputou três Olimpíadas, jogou dois anos no Utah Jazz e brilhou em clubes como Real Madrid e Barcelona:

UOL Esporte: Concluída a fase de classificação, qual a sua avaliação sobre o Pré-Olímpico até agora?

Piculín Ortiz:
Muitos times mudaram suas seleções, estão mais jovens. E até que não se saíram muito mal. Mas é obvio que os Estados Unidos formaram uma grande equipe.

UOL Esporte: E quais são suas impressões sobre a seleção brasileira?

Ortiz:
Pensei que o Brasil fosse jogar muito melhor. Como chama o ala-armador? Marcelinho parece cansado neste torneio. Ele não está arremessando bem quanto está acostumado. Mas há jogadores novos como (JP) Batista que estão fazendo um bom trabalho.

UOL Esporte: Mais especificamente sobre os pivôs da equipe - você já os enfrentou no final de sua carreira e agora os observa de fora...

Ortiz:
Splitter desenvolveu muito seu jogo. Ele está indo para a NBA e vai ter uma ótima chance para se tornar um grande atleta em um time fantástico [o pivô catarinense foi selecionado pelo San Antonio Spurs no "draft" deste ano, mas deve se integrar ao time na temporada 2008-2009]]. Nenê está bem no rebote, fazendo seu trabalho.

UOL Esporte: Qual a diferença que você estabeleceria entre essa formação e a equipe brasileira dos anos 80?

Ortiz:
A equipe que vocês tinham na época de Oscar era muito ofensiva. Agora vocês têm bons jogadores defensivos. À medida que o tempo passou, o Brasil se tornou uma equipe melhor na defesa. Antes eram basicamente apenas arremessadores.

UOL Esporte: Imagino que você tenha muitas lembranças sobre jogos contra o Brasil? Tem algum em especial?

Ortiz:
Ah, eu me lembro de muitas partidas. São ótima memórias. Sempre nos divertimos muito em quadra contra o Brasil, ganhando ou perdendo. Em 2003, [na última edição do Pré-Olímpico, quando a seleção nacional foi eliminada, derrotada inclusive pelos porto-riquenhos], foi duro para todos, por ser em San Juan. Sei que foi duro para a seleção brasileira perder aquela partida, mas para nós deu tudo certo.

UOL Esporte: Porto Rico também apresenta uma equipe de certa forma renovada, principalmente no garrafão....

Ortiz:
: Demorou muito tempo para isso acontecer em Porto Rico, precisávamos ter feito isso. Joguei por 23 anos pelo país. Fomos muito devagar no desenvolvimento de outros jogadores. Temos de colocá-los antes na seleção, para ganhar experiência internacional mais cedo.

UOL Esporte: Você já não está mais no garrafão, Daniel Santiago também. Agora a responsabilidade ficou para o Peter John Ramos [pivô de 2,22 m de altura, com passagem atribulada fora da quadra pela NBA], que ainda é um pouco contestado. Acha que ele dará conta do recado?

Ortiz:
Ramos está evoluindo muito devagar e, não, como eu poderia fazer ou qualquer outro. Mas ele está chegando lá, ainda que precise de ajuda.

UOL Esporte: No início do torneio, você estava como convidado da Fiba e espectador. De repente, virou figura constante no banco de Porto Rico. Por quê?

Ortiz:
Vim como um amigo. Mas os técnicos me pediram para sentar atrás do banco, para tentar ajudá-los um pouco. É o que me disseram. Com minha experiência, eles sempre querem saber o que sinto ou o que penso sobre os jogos. Parece que deu certo.

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