UOL Esporte Basquete

01/09/2007 - 09h18

Splitter luta contra "inimigos íntimos" da Argentina

Giancarlo Giampietro
Enviado especial do UOL
Em Las Vegas (EUA)
Duas peças fundamentais da seleção argentina têm ligações estreitas com um dos destaques brasileiros no Pré-Olímpico. O armador Pablo Prigioni e o ala-pivô Luis Scola foram companheiros do pivô Tiago Splitter nas últimas quatro temporadas. Neste sábado, às 17 h (horário de Brasília), eles estarão de frente na disputa pela classificação a Pequim-2008.

Os dois argentinos são um dos poucos da equipe principal a se apresentarem para a competição em Las Vegas. E não desapontaram em suas funções. Scola, que assinou com o Houston Rockets para 2007-2008, é o oitavo cestinha do torneio, com 18,1 pontos por partida. Apesar da atenção que recebe a cada partida, isso não impediu que tivesse aproveitamento de 55,5 % nos arremessos. Já Prigioni é o líder disparado nas assistências, com 7,1 por jogo, contra cinco do segundo colocado, Jason Kidd.

Os dois jogadores não escondem a admiração pelo pivô catarinense ao comentar seu rendimento na competição. Depois de ser o destaque da seleção brasileira no Mundial, Splitter mantém a regularidade nos Estados Unidos. São as conseqüências de um progresso constante no basquete espanhol.

"Tiago está sendo um dos principais jogadores de sua equipe com Leandrinho. Acho que eles são a base da seleção", afirmou Prigioni. O pivô tem médias de 11,3 pontos, 7,2 rebotes e 1,3 toco por jogo.

Ambos os argentinos foram figuras importantes para esse crescimento. Como condutor do TAU, o armador foi quem controlou grande parte das jogadas para Splitter nos últimos anos na Espanha. "É muito fácil de jogar com ele, porque se trata de um pivô muito ágil e inteligente, que sabe se posicionar bem e está sempre atento em nossas movimentações", avaliou o armador.

Já Scola traz um efeito ambivalente para o catarinense. Sua presença e talento centralizaram os ataques do time basco no garrafão e relegaram Splitter para uma função de coadjuvante. Esse fator, porém, forçou o brasileiro a procurar desenvolver outros aspectos de seu jogo para ganhar espaço na equipe.

"Ele me ajudou muito. Sua forma de jogar complementou muito meu basquete. No ataque, ele se move constantemente e me liberava a quadra. Também é muito bom na defesa com seu tamanho e envergadura e, por isso, me poupou de marcar os jogadores maiores", afirmou o ala-pivô.

Splitter agora vai usar esses recursos defensivos novamente para tentar barrar o "mentor". Na partida da primeira fase, o jogador se deu bem na missão até se carregar de faltas. O argentino só jogou e foi decisivo quando o ex-companheiro saiu de quadra.

Depois do Pré-Olímpico, Splitter retorna ao TAU, mas dessa vez sem a sombra de Scola. O astro argentino afirma que o jogador está pronto para se tornar uma figura de impacto no basquete europeu e espanhol. "Ele vem jogando em um nível alto há um tempo, mas neste ano creio ele vai se firmar de maneira definitiva. É um jogador que não tem nenhum limite, magnífico, com muitas condições físicas, técnicas e com muita cabeça. Pode chegar aonde quiser."

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