UOL Esporte Basquete

01/09/2007 - 09h09

Com favoritismo revisto, Brasil pega Argentina por Pequim-2008

Giancarlo Giampietro
Enviado especial do UOL
Em Las Vegas (EUA)
A seleção brasileira chegou a Las Vegas como a grande favorita a conquistar a segunda vaga direta para Pequim-2008, ao lado dos Estados Unidos. Mas esse status se corroeu durante o Pré-Olímpico. Depois de uma campanha de sete vitórias seguidas e apenas uma derrota para os anfitriões, a Argentina surge como uma grande ameaça em seu caminho. Os times brigam por essa classificação neste sábado, às 17 h (horário de Brasília).

SPLITTER CONTRA ÍNTIMOS
Reuters
O pivô Tiago Splitter, companheiro de Pablo Prigioni e do ala-pivô Luis Scola
Duas peças fundamentais da seleção argentina têm ligações estreitas com um dos destaques brasileiros no Pré-Olímpico. O armador Pablo Prigioni e o ala-pivô Luis Scola foram companheiros do pivô Tiago Splitter nas últimas quatro temporadas. Neste sábado, às 17 h (horário de Brasília), eles estarão de frente na disputa pela classificação a Pequim-2008.
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PÁGINA DO PRÉ-OLÍMPICO
Antes de o torneio começar, o técnico Sergio Hernánez e seus principais atletas, o ala Carlos Delfino e o ala-pivô Luis Scola, foram unânimes em apontar os arqui-rivais como os principais candidatos. Diziam que lutavam para ficar entre os terceiro e quinto lugares, que rendem posto no torneio de qualificação internacional no ano que vem.

Afinal, era o Brasil que contava com seu time praticamente completo. Do lado argentino, pelo contrário, os desfalques eram muitos. Se um não pôde dispor apenas do ala-pivô Anderson Varejão, o outro enumera uma lista de ausentes quase sem fim, a começar pelo ala-armador Manu Ginóbili e pelo ala Andrés Nocioni, passando por outros cinco atletas.

O desenrolar da competição tratou de reduzir as diferenças. A seleção do técnico Lula Ferreira mostrou um basquete inconsistente e com turbulência fora da quadra. Bem diferentes foram os argentinos, que mantiveram seu sólido padrão tático e ganharam confiança à medida que acumularam as vitórias. Uma delas aconteceu justamente contra os vizinhos, em jogo parelho decidido na prorrogação, pela segunda fase.

"A realidade agora mostra que a Argentina também está em condições de jogar pela vaga. Penso que nos tornamos muito mais populares agora", disse Hernández. Essa subida de cotação só trouxe tranqüilidade aos argentinos. O cenário é bem diferente do outro lado.

A seleção chega à decisão da vaga olímpica sem dar entrevistas na véspera do confronto e com questões internas palpitantes. O ala Marquinhos, cortado por luxação na mão esquerda, afirmou que os atletas da equipe "tomaram o poder" no time e bloquearam as instruções do técnico Lula Ferreira. O armador Nezinho se recusou a entrar no jogo contra o Uruguai. E o ala-armador Leandrinho parece deslocado em quadra e não se pronuncia há cinco dias.

Antes de silenciar, o técnico Lula Ferreira comentou que sua equipe havia superado a fase de adaptação de Leandrinho, Nenê e Splitter ao seu conjunto. Em momentos durante as duas fases de grupos, o time se apresentou de maneira desconexa, mas que agora estaria pronto para o combate.

Os dois treinadores acreditam que o primeiro duelo deve ser deixado de lado como parâmetro para a revanche nas semifinais do Pré-Olímpico, que assegura apenas os dois primeiros na China.

"Na última partida, nos beneficiamos da tranqüilidade de já estarmos classificados [pelo menos com o terceiro lugar], enquanto o Brasil estava muito necessitado da vitória. Nesse sábado, as duas vão estar nervosas e vamos ver quem maneja melhor essa situação", disse Hernández. "Você não pode descuidar do jogo em momento algum. Colocamos 17 pontos e perdemos. São pequenos acertos durante o jogo que levam à vitória no final."

Resta saber que tipo de influência os entreveros brasileiros irão exercer sobre os jogadores e se há um acerto final entre o grupo para o clássico sul-americano. A Argentina, de cabeça erguida, está à espera.

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