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01/09/2007 - 19h04

Organização prevalece, Argentina bate Brasil e vai a Pequim

Giancarlo Giampietro
Enviado especial do UOL
Em Las Vegas (EUA)
De nada adiantaram os anos de experiência brasileira nas maiores ligas do mundo e a crescente badalação em torno de um talento promissor. Neste sábado, prevaleceu em Las Vegas a organização da Argentina.

G. Giampietro/UOL Esporte
Nenê contundiu a panturrilha no 1º tempo
Reuters
Carregado de faltas, Leandrinho fez 16 pontos. Scola foi cestinha do jogo, com 27
SPLITTER: MARQUINHOS MENTIU
NENÊ: CADEIRA DE RODAS
EUA: VAGA E MAIOR PLACAR
FOTOS DAS SEMIFINAIS NOS EUA
Mesmo desfalcados de sete jogadores, os campeões olímpicos derrotaram a seleção brasileira por 91 a 80 e conseguiram a classificação direta para os Jogos de Pequim-2008. Ao Brasil, resta uma última chance - a disputa de um Pré-Olímpico mundial em julho do ano que vem, contra outros 11 concorrentes. O torneio dará três vagas nas Olimpíadas.

A equipe sofreu com problemas internos na competição. Após a derrota para Porto Rico na segunda fase, os jogadores se reuniram e trocaram acusações sobre o mau rendimento coletivo. O ala Marquinhos, afastado por uma luxação na mão, disse que os atletas "tomaram o comando" do técnico Lula Ferreira.

Do outro lado, os argentinos mostraram grande estrutura. Não se abalaram pela ausência de Manu Ginóbili e outros, ganharam confiança. A organização prevaleceu.

"Foi um Pré-Olímpico bastante conturbado. O que vai acontecer agora não dá para falar. Tem de esperar o tempo. Vamos terminar o torneio amanhã e ver no que dá", disse o ala Guilherme Giovannoni.

Depois de um início de jogo promissor, que parecia deixar essa turbulência para trás, a equipe sentiu a ausência do lesionado Nenê debaixo da tabela, sofreu com o acúmulo de faltas de Leandrinho e se desgovernou no ataque.

O ala-pivô Luis Scola desequilibrou mais uma vez, com 27 pontos e nove rebotes. A marcação dupla em cima do astro, que vai jogar no Houston Rockets, não funcionou. Tiago Splitter, seu companheiro de time por quatro anos, também não conseguiu pará-lo.

A seleção brasileira entrou em quadra concentrada e executando suas jogadas com paciência, sem arremessos forçados. Isso valeu tanto para as bolas de longa distância como para os lances mais próximos à cesta.

Devido ao desgaste com a crise revelada pelo ala Marquinhos e à falha na tentativa de conquistar uma vaga para as Olimpíadas de Pequim-2008, o treinador tem seu futuro incerto à frente da seleção. Lula Ferreira não concorda que as declarações polêmicas do ala Marquinhos e que problemas externos ao elenco tenham interferido na derrota para a Argentina.
LULA: FUTURO INDEFINIDO
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Mesmo depois de perder o pivô do Denver Nuggets, com uma lesão muscular na panturrilha direita a 5min52s do fim do primeiro quarto, o time manteve sua compostura. Murilo entrou em seu lugar e partiu para o ataque contra os adversários mais lentos.

Com uma defesa forte em cima da bola, os brasileiros forçaram muitos erros dos argentinos, que dependeram em demasia de Luis Scola para pontuar. O ala Carlos Delfino, outro destaque do time, não fez nenhuma cesta de quadra no primeiro tempo. Foi passivo e não buscou infiltrações.

Quando a Argentina usou três jogadores baixos simultaneamente, com Pablo Prigioni, Antonio Porta e Paolo Quinteros, conseguiu reduzir esses desperdícios e chegou a liderar a partida pela primeira vez, com 34 a 33, a 2min25s do fim do primeiro tempo. Mas os reservas da seleção não se precipitaram, cuidaram bem da bola e contaram com uma bola de sorte de GuilhermeGiovannoni (cesta de três seguida de falta) para ir ao intervalo com 43 a 35.

Os campeões olímpicos, contudo, cresceram no terceiro período e tiveram nova arrancada, dessa vez com Delfino mais ativo e com contribuição importante de Federico Kammerichs. O Brasil ficou dois minutos sem pontuar, quando Leandrinho foi tirado de quadra com três faltas.

Os rivais passaram a diversificar seu ataque e retomaram o controle do marcador, a 3min44s do fim da parcial e assumiram o domínio psicológico das ações do clássico. Murilo cometeu a terceira falta, e Scola pôde operar com tranqüilidade contra Giovannoni - JP Batista ficou no banco.

"O terceiro quarto foi duro. Estávamos bem, mas decaiu demais. Eles tiveram um aproveitamento de ataque muito bom, e a gente parou tanto no ofensivo como defensivo. Tentamos fazer algumas mudanças, mas eles assumiram o comando do jogo. Aí ficou difícil", disse Lula.

Sem poder de fogo, a seleção não conseguiu jogar no segundo tempo. Machado passou a forçar arremesso atrás de arremesso. Leandrinho foi perseguido por seus marcadores. Splitter não encaixou seu movimento no garrafão.

Depois de o catarinense fazer uma boa jogada com bandeja reversa e Valtinho acertar uma de três pontos, o Brasil ficou a seis pontos dos argentinos (77 a 71), a 3min55s do fim. Com Alex de ala-pivô, ficou a 79 a 76 com menos de dois minutos no cronômetro.

Mas a Argentina teve sangue frio para selar sua classificação. O time agora enfrenta Estados Unidos pelo título do Pré-Olímpico. O Brasil enfrenta Porto Rico na decisão do terceiro lugar.

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